As expedições para pesquisas com o peixe boi da Amazônia em vida livre pelo IPÊ reiniciaram em março deste ano, no Parque Nacional de Anavilhanas, quando a equipe do Instituto passou a mapear as áreas de potencial uso, levantar os registros de alimentação da espécie e fazer registros visuais, além de registrar a qualidade da água, com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Segundo a ecóloga Cristina Tófoli, coordenadora do Projeto de Conservação do Peixe-Boi da Amazônia, quase não se tem informação a respeito da espécie em vida livre. “O que temos são informações de animais de cativeiro. Ainda não temos exata noção do tamanho da população dessa espécie em Anavilhanas, que é uma área importante por ser centrale contígua a quase todas as Unidades de Conservação do baixo Rio Negro”, afirma Cristina.
Avistar o peixe-boi nas águas do Rio Negro não é tarefa das mais fáceis, devido à cor da espécie e aos hábitos dela. Por essa razão, fazer uma contagem do número de indivíduos que habita o arquipélago de 350 mil hectares, é um desafio.
“Em uma das expedições tivemos chance de avistar três indivíduos, o que é um grande feito, porque o peixe-boi é um animal muito inconspícuo, tímido, quase ninguém consegue vê-los. Acreditamos que eles possam estar em período reprodutivo, por isso observamos mais de um indivíduo, visto que o peixe-boi é uma espécie de hábitos solitários”, diz.
Para promover mais registros da espécie, a pesquisadora, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, passará a utilizar um sonar o que vai implicar no desenvolvimento de um protocolo de uso do equipamento e na definição de uma metodologia para estimativa do tamanho da população na região e, futuramente, em outras Unidades de Conservação do baixo Rio Negro. Neste mês está sendo realizada uma expedição de campo para aprimorar o uso de sonar para registro da espécie, e então o equipamento será utilizado tanto na região do baixo Rio Negro, como no Médio Solimões.
