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O IPÊ
vê na educação ambiental um caminho
que retrata os anseios atuais de mudanças para
um mundo mais equilibrado e ético, que respeita
e celebra a vida humana e de outras espécies.
A base é uma combinação de conhecimentos,
valores, sensibilidades e capacidades, fortes o suficiente
para motivar a interação e a participação
efetiva do ser humano com seu meio e com o próximo.
Ao trabalhar valores, cada um pode perceber sua essência
individual e sua responsabilidade para com a coletividade,
nutrindo um senso de cuidado com o planeta. Questionar,
refletir, contestar ou aceitar conscientemente determinadas
questões pode ser a chave no processo de se pensar
em dimensões globais, desde que esse processo
estimule ações pertinentes ao contexto
local. Ao se ver inserido em um mundo amplo e pleno
de riquezas socioambientais, o indivíduo pode
se perceber como um elemento imprescindível à
teia da vida. Essa visão contribui para aumentar
sua auto-estima, indispensável para que cada
um se sinta apto a agir e lutar por ideais maiores,
fortalecendo um compromisso de respeito à vida.
Trata-se, portanto, de uma nova ética com paradigmas
em consonância com um mundo mais harmônico,
onde todo o ser é respeitado e levado em consideração.
O IPÊ atinge por ano cerca de 10 mil pessoas com
projetos de educação ambiental, que tratam
do assunto de uma maneira ampla e participativa. Ao
retratar espécies ameaçadas como o mico-leão
preto, o mico-leão-da-cara-preta ou o papagaio-da-cara-roxa,
as insere em seus habitats e as torna orgulho das comunidades
locais, por adotá-las como símbolos desta
ou daquela região, o que pode contribuir para
ampliar mais facilmente a noção de conservação
e a conexão ser humano/natureza. Como parte desse
processo, muitas das espécies ameaçadas
tornaram-se ainda temas dos produtos artesanais feitos
por pessoas que vivem ao redor de áreas protegidas
e que participam de alternativas sustentáveis
de desenvolvimento propostas pelo IPÊ. São
fantoches, buchas vegetais, blusas e camisetas, com
formas e desenhos de animais ameaçados, cuja
venda garante aumento de renda às comunidades,
ao mesmo tempo em que ajuda a valorizar a natureza local.
Além de trabalhar com as espécies raras,
endêmicas e muitas vezes ameaçadas, a educação
ambiental no IPÊ enfoca seus hábitats,
que oferecem uma riqueza inestimável de possibilidades
educacionais. As áreas naturais são ambientes
ideais, onde o aprendizado se dá através
da experimentação direta, quando o indivíduo
tem a chance de utilizar todos os sentidos, processar
emoções e sensações, ao
mesmo tempo em que pode aumentar seus conhecimentos
sobre a natureza. Esta combinação é
importante já que pode despertar novos valores,
inclusive a proteção da natureza.
A abordagem participativa nas ações de
educação ambiental do IPÊ segue
uma forma não linear, pois algumas etapas do
trabalho podem se acelerar mais que outras ou ocorrer
ao mesmo tempo. Também não há controle
sobre o processo, pois todos podem e devem participar
de sua construção.
A abordagem compreende o ser humano de forma integral,
com seu lado racional e estruturado, juntamente com
o sensível e intuitivo, que envolve valores.
O modelo participativo pode ser analisado na tabela
abaixo. O processo começa de baixo para cima
porque se assemelha a uma construção que,
desde sua base, depende da participação
como elemento fundamental.
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