a) Pesquisas (em andamento)
Etnoecologia e gestão da agrobiodiversidade: A pesquisa tem como objetivo compreender as formas de representação e classificação da agrobiodiversidade e os processos de gestão local destes recursos por populações ribeirinhas do rio Cuieiras. Busca-se a integração deste corpus de conhecimento etnoecológico nos processos de conservação dos recursos fitogenéticos e de valorização e proteção dos saberes tradicionais associados, bem como contribuir com projetos agroecológicos. Aspectos etnobotânicos de quintais agroflorestais: O estudo objetiva e studar a composição dos quintais agroflorestais desenvolvidos por algumas famílias ribeirinhas do rio Cuieiras, abordando aspectos sobre o manejo e usos, de maneira a levantar informações que contribuam para a conservação dos recursos naturais e seu uso racional.
Etnozoologia e sistemas de caça: Têm como objetivo principal reconhecer através de métodos da etnociência, o conhecimento "empírico" de algumas comunidades humanas do rio Cuieiras sobre a fauna cinegética e descrever as estratégias de caça na região. Buscam-se informações locais sobre a situação da fauna silvestre e formas de monitoramento e conservação com bases comunitárias. Realizada em parceria com o LETEP - Laboratório de Etnoepidemiologia e Etnoecologia Indígena, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).
b) Tecnologias socioambientais
Agrofloresta: As atividades agroecológicas reúnem meios para sensibilizar e envolver os comunitários na identificação e desenvolvimento de potenciais práticas sustentáveis. Seguindo os princípios e a ética da terra da Permacultura, busca-se estimular as soluções sociais e ecológicas geradas dentro das próprias comunidades. O sistema agroflorestal (SAF's) foi identificado como um sistema agrícola sustentável de alta produtividade e adaptadas ao contexto local. Para a consolidação educativa e prática deste modelo, serão consorciadas espécies identificadas pelos agricultores, com posterior incremento dos estudos etnobotânicos, e experimentadas técnicas de manejo e de viveirismo.
Serão realizadas ações de educação agroflorestal, modelos experimentais (unidades demonstrativas) de SAFs com acompanhamento de extensionista. Neste enfoque, os técnicos exercem o papel de facilitadores do processo e da organização do conhecimento, identificando os saberes e as práticas que os ribeirinhos possuem e realizam. Em paralelo busca-se, com o apoio do Núcleo de Negócios do IPÊ, realizar pesquisas econômicas sobre os produtos agroflorestais.
Meliponicultura: A criação racional de abelhas sem ferrão pode contribuir para a recuperação das espécies de abelhas ameaçadas e das florestas. Além disto, pode ser uma atividade sustentável, já que adota formas de consumo, produção e reprodução que respeitam e salvaguardam os direitos humanos e a capacidade regeneradora da terra.
A implantação de módulos de produção de melíponas pelas comunidades locais, associados aos sistemas agroflorestais, pode favorecer a sua segurança alimentar e medicinal, em curto espaço de tempo.
Realizam-se oficinas e acompanhamento extensionista onde os seguintes assuntos são abordados: o papel ecológico das abelhas, destacando a interação com as plantas e os tipos e formas de alimentação nas épocas adequadas e as abelhas como componentes de Sistemas Agroflorestais; a importância de se utilizar o recurso sem destruir, permitindo que os enxames se multipliquem através de divisões artificiais, através do método d e perturbação mínima; o valor nutricional e medicinal do produto; as técnicas de manejo e a confecção de caixas racionais com material local.
c) Gestão do território
Mapeamentos: realização de etnomapeamento do território em conjunto com as comunidades locais, identificando áreas de uso comunitárias, áreas de conflito e a apropriação espacial e temporal dos principais recursos naturais.
Organização social: apoio às organizações locais de base no que concerne a sua regularização, capacitação em gestão e acesso a mercados.
Programa de Desenvolvimento Sustentável - PDS (INCRA): gerar informações que visem subsidiar o plano de uso sustentável do programa e apoio às organizações locais.
Conselhos das unidades de conservação: realização de atividades que busquem informar e capacitar os comunitários sobre os direitos e a importância da participação nos conselhos das unidades de conservação do mosaico.
Acordo de Pesca: membro da comissão organizadora dos acordos de pesca realizados em afluentes do baixo Rio Negro como os rios Jauperi, Puduari, igarapés do Sobrado e Aracari.
Agentes Ambientais Comunitários: apoio e capacitação dos agentes ambientais em parceria com órgãos ambientais, comunidades e projeto Corredores Ecológicos. |