PROJETO
Programa Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade
 
DESCRIÇÃO

O Programa de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade iniciou-se em 2004, visando ampliar as ações do IPÊ nas populações ribeirinhas e indígenas que habitam os ecossistemas do baixo Rio Negro.

A importância ecológica dos ecossistemas do baixo Rio Negro é evidenciada pela grande diversidade biológica, o que lhe confere a classe de área de extrema importância para a conservação. A biodiversidade integra-se aos complexos sistemas sociais das populações ribeirinhas e indígenas que desenvolveram historicamente um saber-fazer na interação com os rios, com os solos e com os elementos da floresta amazônica, contribuindo para conformar uma paisagem eco-social em mosaico.

Atualmente ocorrem relevantes impactos sobre a biodiversidade e a sociodiversidade da região. Observamos o aumento crescente do desflorestamento seletivo, a sobre-exploração da fauna aquática e terrestre com perda de biodiversidade, empobrecimento dos solos, conflitos socioambientais, perda do conhecimento tradicional, diminuição da agrobiodiversidade e empobrecimento da população ribeirinha.

A adoção de formas sustentáveis de apropriação do espaço como o manejo dos recursos florestais não-madeireiros, o desenvolvimento permacultural e o monitoramento do status da fauna cinegética e pesqueira, em conjunto com ações de co-gestão territorial, pode quebrar este ciclo negativo de uso dos recursos naturais.

O programa tem os seguintes objetivos:

 
 

  Integrar o etnoconhecimento e o conhecimento científico no desenvolvimento de projetos de pesquisa, monitoramento e manejo sustentável da fauna e da flora;

  Apoiar e valorizar as práticas sustentáveis de acesso aos recursos florestais e aquáticos, valorizando a cultura tradicional associada à biodiversidade;

  Desenvolver atividades permaculturais que visem à conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das populações locais;

  Apoiar a ampliação da participação das populações tradicionais nos processos de gestão do território.

Os projetos desenvolvidos possuem as seguintes premissas:

  Integração entre os sistemas ecológicos e sociais (foco na paisagem);

  Modelos adaptativos, baseados na flexibilidade, considerando as incertezas e a complexidade dos cenários socioambientais;

  Orientado nas populações tradicionais, na conservação e no uso sustentável da biodiversidade;

  Os conhecimentos e as práticas tradicionais das populações locais são valorizados e inseridos nos projetos como componentes fundamentais, juntamente com o conhecimento científico, para a criação de novas formas de manejo e tecnologias sustentáveis e adaptadas culturalmente;

  A participação, o respeito e o comprometimento constituem os elementos chaves para o desenvolvimento das atividades;

  Favorece o intercâmbio e a cooperação entre as intituições envolvidas e aquelas que estão diretamente interessadas na conservação da biodiversidade do baixo Rio Negro.

 
PRINCIPAIS AÇÕES

a) Pesquisas (em andamento)

Etnoecologia e gestão da agrobiodiversidade: A pesquisa tem como objetivo compreender as formas de representação e classificação da agrobiodiversidade e os processos de gestão local destes recursos por populações ribeirinhas do rio Cuieiras. Busca-se a integração deste corpus de conhecimento etnoecológico nos processos de conservação dos recursos fitogenéticos e de valorização e proteção dos saberes tradicionais associados, bem como contribuir com projetos agroecológicos.

Aspectos etnobotânicos de quintais agroflorestais: O estudo objetiva e studar a composição dos quintais agroflorestais desenvolvidos por algumas famílias ribeirinhas do rio Cuieiras, abordando aspectos sobre o manejo e usos, de maneira a levantar informações que contribuam para a conservação dos recursos naturais e seu uso racional.

Etnozoologia e sistemas de caça: Têm como objetivo principal reconhecer através de métodos da etnociência, o conhecimento "empírico" de algumas comunidades humanas do rio Cuieiras sobre a fauna cinegética e descrever as estratégias de caça na região. Buscam-se informações locais sobre a situação da fauna silvestre e formas de monitoramento e conservação com bases comunitárias. Realizada em parceria com o LETEP - Laboratório de Etnoepidemiologia e Etnoecologia Indígena, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

b) Tecnologias socioambientais

Agrofloresta: As atividades agroecológicas reúnem meios para sensibilizar e envolver os comunitários na identificação e desenvolvimento de potenciais práticas sustentáveis. Seguindo os princípios e a ética da terra da Permacultura, busca-se estimular as soluções sociais e ecológicas geradas dentro das próprias comunidades. O sistema agroflorestal (SAF's) foi identificado como um sistema agrícola sustentável de alta produtividade e adaptadas ao contexto local. Para a consolidação educativa e prática deste modelo, serão consorciadas espécies identificadas pelos agricultores, com posterior incremento dos estudos etnobotânicos, e experimentadas técnicas de manejo e de viveirismo.

Serão realizadas ações de educação agroflorestal, modelos experimentais (unidades demonstrativas) de SAFs com acompanhamento de extensionista. Neste enfoque, os técnicos exercem o papel de facilitadores do processo e da organização do conhecimento, identificando os saberes e as práticas que os ribeirinhos possuem e realizam. Em paralelo busca-se, com o apoio do Núcleo de Negócios do IPÊ, realizar pesquisas econômicas sobre os produtos agroflorestais.

Meliponicultura: A criação racional de abelhas sem ferrão pode contribuir para a recuperação das espécies de abelhas ameaçadas e das florestas. Além disto, pode ser uma atividade sustentável, já que adota formas de consumo, produção e reprodução que respeitam e salvaguardam os direitos humanos e a capacidade regeneradora da terra.

A implantação de módulos de produção de melíponas pelas comunidades locais, associados aos sistemas agroflorestais, pode favorecer a sua segurança alimentar e medicinal, em curto espaço de tempo.

Realizam-se oficinas e acompanhamento extensionista onde os seguintes assuntos são abordados: o papel ecológico das abelhas, destacando a interação com as plantas e os tipos e formas de alimentação nas épocas adequadas e as abelhas como componentes de Sistemas Agroflorestais; a importância de se utilizar o recurso sem destruir, permitindo que os enxames se multipliquem através de divisões artificiais, através do método d e perturbação mínima; o valor nutricional e medicinal do produto; as técnicas de manejo e a confecção de caixas racionais com material local.

c) Gestão do território

Mapeamentos: realização de etnomapeamento do território em conjunto com as comunidades locais, identificando áreas de uso comunitárias, áreas de conflito e a apropriação espacial e temporal dos principais recursos naturais.

Organização social: apoio às organizações locais de base no que concerne a sua regularização, capacitação em gestão e acesso a mercados.

Programa de Desenvolvimento Sustentável - PDS (INCRA): gerar informações que visem subsidiar o plano de uso sustentável do programa e apoio às organizações locais.

Conselhos das unidades de conservação: realização de atividades que busquem informar e capacitar os comunitários sobre os direitos e a importância da participação nos conselhos das unidades de conservação do mosaico.

Acordo de Pesca: membro da comissão organizadora dos acordos de pesca realizados em afluentes do baixo Rio Negro como os rios Jauperi, Puduari, igarapés do Sobrado e Aracari.

Agentes Ambientais Comunitários: apoio e capacitação dos agentes ambientais em parceria com órgãos ambientais, comunidades e projeto Corredores Ecológicos.
 
PROJETOS, APOIOS E PARCERIAS

Associações comunitárias (comunidade São Sebastião, Nova Canaã do Cuieiras, Nova Esperança, Boa Esperança, Barreirinhas, Três Unidos, Nova Canaã do Aruaú, Mipindiaú e Vila Nova de Chita.

Projeto Etnobotânica e Manejo Agroflorestal (FNMA - Fundo Nacional do Meio Ambiente)

Projeto Corredores Ecológicos (Ministério do Meio Ambiente-MMA)

Projeto ALFA - Aliança para Conservação da Amazônia e Mata Atlântica (Apoio: USAID)

GPA - Grupo de Pesquisas em Abelhas do INPA

LETEP - Laboratório de Etnoepidemiologia e Etnoecologia Indígena, do INPA

 
 

Termos de Uso | Política de Privacidade | Mapa do Site | Indique um amigo | Contato             Créditos:  
|