"Mais sabor para você, mais saúde para o planeta"
O projeto Café com Floresta, desenvolvido pelo IPÊ, conta com a participação de agricultores assentados no entorno do Parque Estadual Morro do Diabo, Pontal do Paranapanema, para o processo de restauração da Mata Atlântica, floresta que se encontra extremamente degradada na região. O trabalho consiste em incentivar agricultores a plantarem árvores nativas entre as suas culturas anuais como feijão, milho e mandioca. As árvores protegem as plantações e servem de "trampolins" para as espécies passarem de um fragmento a outro.
Pesquisadores do instituto ensinam técnicas de plantio do café orgânico (livre de agrotóxicos) aos assentados, que aos poucos o têm incluído nas suas plantações, já que o produto se mostra vantajoso economicamente. O café orgânico tem preço diferenciado e uma boa aceitação no mercado. Além disso, apresenta baixo custo para a sua produção, já que grande parte dos insumos pode ser encontrada na propriedade dos agricultores ou até mesmo ser produzida por eles, como o húmus de minhoca utilizado na adubação do café.
Em agosto de 2003, os agricultores colheram a primeira safra de café. Estima-se que cada saca de café orgânico e socioambientalmente responsável possa valer o dobro da saca do café comum, o que mostra que o produto tem um grande valor comercial agregado.
Além de proporcionar o aumento da renda mensal dos produtores, o Projeto "Café com Floresta" conscientiza os assentados sobre a importância da preservação dos últimos fragmentos da Floresta Atlântica, que se encontram nos assentamentos onde eles vivem. O trabalho começou em 2002, e já causa impacto nos trabalhadores, que passaram a destinar voluntariamente pelo menos um hectare das suas terras para plantio de espécies de árvores nativas da floresta como Ingá, Loro Pardo, Timburi e Ficheira.
A presença das árvores nativas beneficia não só a conservação da Mata Atlântica, como possibilita a menor susceptibilidade à geada, um grande risco na cultura do café. A sombra promovida pelas árvores e o uso de defensivos e adubos orgânicos, permitem ainda a presença de uma infinidade de espécies insetos, aves e pequenos animais, que contribuem para aumentar a biodiversidade local, além garantir em um café de excelente qualidade que não causa danos à saúde do ser humano e do planeta.
O projeto é apoiado pela Ashoka Empreendedores Sociais, Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Fundação Interamericana e Instituto Florestal de São Paulo, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.