"Agricultor no vermelho, não pensa no verde"
Aliar conservação do meio-ambiente
com atividades que aumentam a renda familiar. Pequenos
agricultores assentados pela reforma agrária
no Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São
Paulo) têm conseguido isso com a plantação,
produção e venda de buchas vegetais
livres de agrotóxicos, as Eco Buchas.
Os pesquisadores do IPÊ trabalham na educação ambiental de agricultores da região a fim de que eles contribuam com a restauração da Mata Atlântica e, em contrapartida, aumentem seus ganhos com a plantação e venda de buchas. A iniciativa pretende restaurar a floresta atlântica, extremamente ameaçada de extinção cujos últimos fragmentos encontram-se na região do Pontal. A idéia é ampliar a biodiversidade do local, mesclando o plantio de buchas aos cultivos já existentes de alimentos como o feijão, o milho e a mandioca, e, além disso, incentivar os agricultores a plantarem mudas de árvores nativas da Mata Atlântica junto às buchas. A produção de buchas vegetais garante aumento da renda dos assentados, e a plantação das árvores, a restauração e conservação da biodiversidade da floresta.
Os agricultores iniciaram o plantio e produção
das buchas em 2002. Hoje, nove famílias assentadas
plantam, colhem, cortam as buchas, costuram sachês
dentro delas e fazem as embalagens no seu próprio
lote de terra. Além da facilidade de plantio
e fabricação (a matéria prima
é encontrada na região), a eco bucha
tem uma grande aceitação no mercado,
pois é produzida sem a utilização
de agrotóxicos, muito comum nas plantações
de outros produtos na região. Outro diferencial
do produto, é que além do formato redondo,
convencional, as buchas ganham formas de animais que
correm risco de extinção na Mata Atlântica,
como a anta, o mico-leão preto e a onça
pintada.
Investir no produto como fonte de renda tem se mostrado bom negócio. O pequeno produtor Valentim Messias Gásperi é exemplo disso. "A renda do meu sítio hoje gira me torno da bucha. Conseguimos fazer 100 delas por dia", afirma Valentim, que tem contribuído constantemente para o reflorestamento da Mata Atlântica. "Sempre digo aos meus amigos aqui no assentamento que agricultor no vermelho não pensa no verde. Com o incentivo do projeto, já plantei mais de 4 mil mudas de árvores da Mata Atlântica em dois hectares de terra. É uma espécie de gratidão à natureza pelo o que eu consigo por meio dela", conclui o agricultor.
O projeto do IPÊ já resultou no plantio
de mais de 1 milhão de árvores nativas
da Mata Atlântica. Atualmente, o instituto tem
trabalhado juntamente com o IIEB - Instituto Internacional
de Educação do Brasil, para conscientizar
cada vez mais agricultores a produzirem as buchas
e reflorestar as áreas devastadas com o plantio
de árvores.