O projeto "Cada Macaco no seu Galho" busca compreender como as espécies de primatas respondem ao processo de fragmentação da paisagem, gerando informações que possam subsidiar o manejo da paisagem e a conservação dos recursos naturais da região de Nazaré Paulista.
As pesquisas vêm sendo conduzidas na área de influência do reservatório do Rio Atibainha que, junto aos reservatórios Cachoeira e Jaguari-Jacareí, compõe o Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento diário de água a cerca de 12 milhões de pessoas (cerca de 50% da população da grande São Paulo, além da cidade de Campinas e arredores).
O local de estudo encontra-se na sobreposição das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do Sistema Cantareira e do Piracicaba-Juqueri-Mirim, criadas em 1986 para a conservação dos mananciais locais. Trata-se de uma região estratégica por abrigar importantes remanescentes da Mata Atlântica, além de estar localizada entre as Serras da Cantareira e Mantiqueira. No entanto, a região é marcada por um dos problemas ambientais mais comuns do País: o uso inadequado do solo, que leva à escassez dos recursos hídricos, à fragmentação da paisagem - determinante para a extinção de espécies -, a perda de biodiversidade e o rompimento de ciclos ecológicos responsáveis pela sustentabilidade da paisagem.
No primeiro estudo do "Cada Macaco no seu Galho", entre os anos de 2004 e 2005, foi feito um levantamento de ocorrência das espécies de primatas locais (o sauá Callicebus nigrifrons; o sagüi-da-serra-escuro Callithrix aurita e o bugio Alouatta guariba) relacionado aos aspectos de ecologia da paisagem do reservatório do rio Atibainha. Paralelamente ao levantamento de primatas, a equipe do projeto traçou um diagnóstico socioambiental da região buscando identificar o perfil dos proprietários das áreas visitadas. Os resultados mostram que o sauá (Callicebus nigrifrons) e o sagüi-da-serra-escuro (Callthirx aurita) são comumente encontrados em diferentes tipos de fragmentos, não existindo nenhum padrão espacial da paisagem que seja determinante para a ocorrência dessas espécies. Entretanto, o bugio (Alouatta guariba) tem ocorrência apenas ao norte da rodovia Dom Pedro I, onde se encontra a maior parte da área de influência do reservatório do rio Atibainha e que apresenta fragmentos maiores e mais conexos. O projeto identificou as áreas prioritárias para a proteção e recuperação da paisagem estudada e forneceu informações para o Programa de Educação Ambiental aplicado pelo IPÊ na região.
Durante essa primeira fase de estudos, foram identificados os fragmentos maiores e mais conexos na paisagem e os fragmentos menores e mais isolados. A segunda fase de pesquisas será iniciada em breve, com o apoio do FNMA - Fundo Nacional do Meio Ambiente. Tendo em vista fragmentos de distintas métricas da paisagem, os objetivos são: verificar se há diferença no uso do espaço pelo sauá e se há diferença no grau de associação entre o sauá e o sagüi-da-serra-escuro. A compreensão de como o uso do espaço e as interações entre as espécies podem variar entre fragmentos em melhor ou pior status de conservação será determinante para o objetivo maior das pesquisas do "Cada Macaco no seu Galho", que é avaliar como as espécies de primatas locais respondem à fragmentação da paisagem, buscando estratégias e ações que possam minimizar os efeitos desse processo.
Algumas características do Sauá ( Callicebus nigrifrons):
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Pertence ao segundo gênero mais diverso dos primatas neotropicais; |
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Vive em grupos de até cinco indivíduos, compostos por um casal reprodutivo e filhotes de diferentes gerações; |
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Se um dos membros do casal morre, dificilmente um novo par é estabelecido; |
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O cuidado com os filhotes fica por conta do macho; |
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Dorme em troncos e emaranhados de árvores: enrola o rabo e se amontoa com outros do seu grupo para pernoitarem; |
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Protege o território e interage socialmente por meio da vocalização, formando uma caixa de ressonância que amplia o som. |
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