O mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) é uma das espécies de primata mais raras e ameaçadas do mundo. Endêmico da Mata Atlântica do interior do Estado de São Paulo, ele já foi considerado extinto da natureza e, ainda hoje, sua situação é grave visto que a espécie é listada no Red Data Book (UICN) como criticamente ameaçada de extinção.
Desde 1984, pesquisadores do IPÊ vêm trabalhando com a conservação desta espécie com estudos iniciados na região do Pontal do Paranapanema, e muitas ações já foram realizadas, envolvendo desde conhecimentos básicos sobre biologia e ecologia, até a elaboração de um Plano de Manejo que tem como objetivo reverter a situação de ameaça à espécie.
Esse plano, intitulado Plano de Manejo de Metapopulação, considera todas as populações hoje isoladas (denominadas de subpopulações) como uma grande população, que é manejada através de técnicas que as conectem, como por meio da construção de corredores de matas ou ainda artificialmente, por meio de translocações, reintroduções e dispersões (vide glossário abaixo). Este manejo inclui também as colônias de cativeiro da espécie, e nosso grupo faz parte do Comitê Internacional para a Conservação e Manejo dos micos-leões e organiza o livro internacional de linhagens – International Studbook - da espécie.
O Programa de Conservação Mico-Leão-Preto, no entanto, é mais abrangente e não envolve apenas a conservação dos micos, mas também de todo o ecossistema em que eles ocorrem, usando a espécie como um símbolo ou "guarda-chuva" para a conservação de áreas florestais prioritárias. O objetivo é recuperar áreas degradadas e/ou criar corredores que conectem os fragmentos de matas onde famílias de micos se encontram isoladas.
Muitas dessas ações dependem de um programa bem elaborado de educação ambiental, que transmita conhecimentos científicos de maneira acessível e sensibilize o público para a importância da conservação desses primatas. Finalmente, o projeto vem buscando alternativas de desenvolvimento sustentável que possam valorizar a natureza local e gerar renda, contribuindo para a efetiva melhoria de vida das comunidades locais e conquistando aliados para a conservação.
Em quase 20 anos de estudos com a espécie podemos listar os seguintes resultados: |