Os remanescentes florestais do Pontal do Paranapanema estão expostos a ações humanas de degradação (queimadas, corte de madeira, entrada de agrotóxicos na mata) e efeitos de borda (ventos, oscilação na temperatura, penetração excessiva de luz, redução na umidade e invasões de plantas exóticas). Todos esses fatores levam à alteração de processos ecológicos nesses fragmentos de Mata Atlântica.
Pouca atenção tem sido dada ao provável papel que os sistemas agroflorestais podem desempenhar, servindo de zonas tampão e protegendo os fragmentos florestais. Porém, uma maneira de minimizar e controlar as perturbações antrópicas e os efeitos de borda é implementar uma faixa protetora agroflorestada ao redor das matas (zona tampão), que servem como "barreira" para impedir as ações destrutivas e podem ser fonte de benefícios.
O IPÊ desenvolve, desde 1997, o Projeto Abraço Verde (PAV) no entorno do Parque Estadual Morro do Diabo (região do Pontal do Paranapanema) e em fragmentos de matas remanescentes, com o objetivo de proteger e isolar as bordas expostas e degradadas dessas florestas. O Abraço Verde consiste em uma faixa agroflorestada que envolve o Parque e as matas num grande abraço que garante a proteção dessas florestas e cria uma zona de benefícios múltiplos (com árvores que servem para lenha, madeira, frutos, grãos e forragem), tanto para as comunidades vizinhas como para os ciclos naturais.
As zonas de benefícios múltiplos são desenhadas de maneira adaptativa e participativa sendo de forma geral áreas agroflorestais lineares (40-80m de largura por 1-2 km de comprimento), implantados em pequenas propriedades rurais na interface entre o fragmento florestal e a matriz aberta. Elas criam um ambiente limítrofe aos fragmentos florestais, bastante similares à floresta, e aliviam a pressão exercida pelos proprietários locais sobre o que resta da floresta Atlântica.
O reflorestamento com técnicas agroflorestais mostra que, além de promover a preservação de habitat e espécies, pode assegurar o compromisso das comunidades com o reflorestamento. As comunidades, encorajadas a realizar uma exploração controlada e sustentável de produtos naturais como lenha, madeira, frutos e forragem, vindos dos Abraços Verdes, aprendem a viver de maneira harmoniosa com a natureza no entorno de fragmentos florestais, não causando grandes impactos e auxiliando na conservação da biodiversidade local.