A Mata Atlântica é um dos biomas florestais mais destruídos no mundo, restando atualmente cerca de 8% de sua formação original. Muito do que resta da Mata Atlântica hoje são ilhas de florestas que não sustentam mais populações mínimas viáveis de espécies vegetais e animais, nem garantem sua sobrevivência em longo prazo. Porém, do ponto de vista ecológico, essas ilhas são fontes de informações biológicas para a restauração da paisagem e conservação da fauna e da flora.
O IPÊ desenvolve projetos de manejo conservacionista que consistem em um programa integrado, no qual diversas atividades são realizadas para promover a conservação da biodiversidade local. Uma atividade realizada é a implementação de corredores florestais. Seu objetivo é permitir o fluxo gênico entre populações de espécies da fauna e da flora isoladas nas ilhas florestais, mantendo assim a integridade ecológica das florestas.
Além de corredores, outra atividade realizada pelo IPÊ para facilitar o fluxo gênico, são os "Trampolins Ecológicos" (do inglês "Stepping Stones"). Eles consistem em pequenas manchas de árvores que aumentam a conectividade entre fragmentos florestais. Como são constituídos de parcelas agroflorestais, promovem a conservação ambiental e geram bens e serviços para os proprietários das terras.
Os Corredores e Trampolins são compostos de áreas agroflorestadas que embelezam os jardins residenciais e enriquecem a paisagem entre fragmentos maiores. Dessa forma, ajudam a proteger a biodiversidade e facilitam o movimento dos animais entre fragmentos florestais.
O fragmento mais significativo - de 37 mil hectares, o Parque Estadual do Morro do Diabo - serve de fonte de dispersão de espécies para fragmentos menores. Por exemplo, a maioria das espécies de borboletas é atraída para as bordas da floresta por causa da abundância de angiospermas que produzem bastante néctar nessas áreas. Conseqüentemente, as borboletas podem usar os corredores e trampolins como habitat permanente, e não apenas para movimentação entre fragmentos florestais intactos. Os corredores e trampolins podem, então, aumentar a diversidade de insetos e outras espécies, tanto local como regionalmente.
Atualmente, são realizadas pesquisas sobre morcegos, aves e borboletas. Os trabalhos de manejo que o IPÊ desenvolve em reflorestamentos de corredores e trampolins têm sido combinados com a criação de alternativas sustentáveis de renda para as comunidades rurais. Portanto, este projeto representa ganhos para todos: proprietários de terras e natureza local.
Recuperação de Áreas de Reserva Legal
Buscando formas contínuas de conectividade e manejo conservacionista, o programa integrado do IPÊ trabalha pela recuperação de Áreas de Reserva Legal (ARL) que servem como corredores florestais entre fragmentos isolados na paisagem.
A legislação federal, por meio da lei n° 8.171 de janeiro de 1991, que dispõe sobre a política agrícola, estabelece a obrigatoriedade de recomposição da reserva florestal legal das propriedades e assentamentos rurais. A legislação estadual, por meio do decreto estadual n° 50.889, de 16 de junho de 2006, estabelece que a manutenção, recomposição, condução da regeneração natural e compensação da Área da Reserva Legal das propriedades ou posses rurais no Estado de São Paulo são regidas pelo disposto nos artigos 16 e 44 da lei federal n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal -, com a redação dada pela medida provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, bem como pelas normas fixadas neste decreto.
Objetivando a restauração de áreas degradadas (RAD), plantios com espécies de rápido crescimento, consorciadas com espécies atrativas à fauna dispersora de sementes, podem acelerar significativamente o desenvolvimento de um sub-bosque de espécies nativas, favorecendo e catalisando um processo de sucessão necessário à recuperação da biodiversidade nas áreas de reserva legal do Pontal.
O diferencial deste programa está no fato de a RAD ser implantada na forma de Sistemas Agroflorestais (SAF's), com a participação de pequenos produtores rurais, rompendo com métodos tradicionais e unindo desenvolvimento sócio-econômico ao processo de restauração ambiental e pesquisa para a busca de modelos menos onerosos. O IPÊ busca, portanto, por meio dessa experiência, apresentar as vantagens econômicas, ecológicas e sociais dos SAF's na restauração de áreas degradadas.
OBJETIVOS
• Implementar corredores entre os fragmentos de floresta para promover fluxo gênico das espécies de fauna e flora, mantendo sua integridade ecológica;
• Propiciar alternativa de renda e/ou sustentabilidade alimentar às famílias assentadas, por meio dos produtos agrícolas advindos das entrelinhas dos plantios agroflorestais para a restauração de áreas de reserva legal;
• Oferecer aos proprietários de terras a oportunidade de se adequar ambientalmente, por meio do reflorestamento - com espécies nativas - das áreas de proteção e preservação ambiental de suas propriedades rurais;
• Introduzir no Pontal uma nova mentalidade agroflorestal, que harmoniza as necessidades sociais e ambientais onde todos ganham: ser humano e natureza;
• Desenvolver novas técnicas de restauração florestal de menor custo e mais adaptada à realidade local.
EQUIPE
Laury Cullen Jr, Ph.D
Contato: lcullen@stetnet.com.br
Haroldo Borges Gomes
Contato: haroldo@ipe.org.br
Tiago Pavan Beltrame, M.Sc.
Contato: tpavan@ipe.org.br
Antônio Vicente Moscogliato
Contato: vicente@ipe.org.br
Nivaldo Ribeiro Campos
Contato: nivaldo@ipe.org.br |