O trabalho de Educação Ambiental no Pontal do Paranapanema começou antes mesmo da fundação do IPÊ. Na década de 80, o biólogo Claudio Padua e seu assistente de campo José de Souza, pesquisadores do mico-leão-preto, e a educadora ambiental Suzana Padua, que hoje formam o instituto, implementaram no Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD), unidade de conservação administrada pelo IF - Instituto Florestal, um programa integrado para a conservação da espécie, baseado em pesquisa, educação e envolvimento comunitário.
Já durante a primeira fase de pesquisa com o mico-leão-preto ficou evidente a necessidade da educação ambiental. Os pesquisadores verificaram que seria impossível realizar a conservação da espécie sem que tivessem o apoio e o envolvimento da comunidade do entorno do PEMD, o último reduto de grande extensão de Mata Atlântica do interior de São Paulo, que abriga muitas outras espécies além do mico-leão-preto. Ou seja, se a população do entorno do Parque continuasse indiferente às ameaças aos recursos naturais existentes na região, não seria possível conservar a biodiversidade local.
O programa de educação foi, desde o início, integrado e baseado na biologia da conservação que estava direcionado ao mico-leão-preto. As informações coletadas com os estudos de pesquisa foram importantes e necessárias para subsidiar as atividades do programa de educação ambiental, pois puderam ser transmitidas ao público de maneira simples e acessível.
Inicialmente, o programa teve como público-alvo estudantes, professores da região de Teodoro Sampaio, comunidades do entorno e funcionários do PEMD. Posteriormente, proprietários de terra, assentados e lideranças do governo local também foram incluídos de modo a aumentar o conhecimento e a sensibilização para as causas socioambientais da região.
Além da educação ambiental, outros projetos de pesquisa, principalmente relacionados à fauna e à paisagem local, desenvolveram-se e aumentaram o número de informações geradas que podiam enriquecer o programa de educação ambiental. Foi essa ampliação de pesquisadores e interesses que acabou culminando na criação do IPÊ, em 1992.
A educação ambiental na região tem sido uma estratégia eficaz na integração de diferentes atores na mobilização da conservação dos recursos socioambientais locais. É a educação ambiental que muitas vezes faz a sinergia necessária entre os diversos campos estudados e as ações aplicadas.
Atualmente, a educação ambiental é um dos pontos-chave do Modelo IPÊ de Conservação. Em Teodoro Sampaio, a educação ambiental ocorre com continuidade e é uma das poucas senão a única região do Estado de São Paulo a incluir a questão ambiental no currículo escolar oficial.
Na busca por "Um Pontal Bom Para Todos", nome do programa de educação ambiental do IPÊ no Pontal, reuniões participativas fazem parte das estratégias de integração dos diferentes segmentos sociais. Nas Eco-Negociações (como essas reuniões são chamadas), o IPÊ consegue reunir desde o prefeito, os fazendeiros, os representantes do comércio e as lideranças, até assentados e educadores para juntos discutirem problemas, potenciais, riscos e oportunidades de mudanças. Mais de 20 projetos já são levados adiante por interessados da comunidade, que percebem o quanto podem transformar realidades indesejadas em projetos promissores.
Centenas de pessoas têm sido atingidas anualmente pelo programa de educação ambiental no Pontal. Cursos para estudantes e professores integram as populações urbanas e rurais, pois essas oportunidades não existiam anteriormente. Essa proximidade mostra a importância da integração dos muitos segmentos da sociedade quando se visa um bem coletivo.
Novos valores ajudam a transformar os remanescentes das áreas naturais que precisam ser conservadas em motivos de orgulho, e a conservação passa, assim, a ser tema de envolvimento por parte da população local. O Programa de Educação Ambiental, que existe há quase duas décadas no Pontal, tornou-se ferramenta fundamental na obtenção de um compromisso por parte da sociedade, que hoje compreende o valor de se viver em equilíbrio e harmonia com a natureza.