Programa em Medicina da Conservação
 
     
 

O programa em "Medicina da Conservação", realizado pelo IPÊ desde 2001, tem como objetivo conservar a Mata Atlântica do Interior, por meio de informações conseguidas com auxílio de espécies da fauna dessa região, indicadoras do estado de saúde dos fragmentos da floresta.
Os projetos têm a saúde como denominador comum. Ela é considerada de maneira mais ampla e inclui a saúde de seres humanos, animais domésticos e selvagens em um contexto ecológico.
Esse forte elo entre a biologia da conservação e a saúde das populações humanas e animais pode funcionar como uma nova ferramenta e contribuir com políticas públicas substanciais para promover e defender a conservação da biodiversidade em nosso planeta.
A conservação da biodiversidade e de ecossistemas saudáveis é extremamente necessária para a saúde dos indivíduos, das populações humanas e das demais espécies encontradas na natureza.
Profissionais no campo da Biologia da Conservação estão cada vez mais reconhecendo as ameaças das doenças infecciosas e não infecciosas na conservação da vida silvestre. O papel das doenças, como um importante fator para a sobrevivência das espécies, esteve sempre atrelado às pressões humanas sobre os recursos naturais, que causam mudanças em escalas local, regional e global, com impactos diretos e indiretos na saúde dos animais.
Essas mudanças incluem, por exemplo, a explosão demográfica da população mundial, a fragmentação e a degradação dos hábitats, a caça predatória, o isolamento de espécies e populações e o aumento da proximidade entre as comunidades humanas (e seus animais domésticos) das populações de animais silvestres. Como conseqüência desses múltiplos estresses ambientais, ocorrem certas doenças emergentes, desestabilização de cadeias tróficas e efeitos danosos tanto na saúde de populações silvestres, como na ecologia dos hábitats fragmentados.

 
PROJETOS

ESPÉCIES SENTINELAS PARA A MATA ATLÂNTICA: AS CONSEQÜÊNCIAS EPIDEMIOLÓGICAS DA FRAGMENTAÇÃO NO PONTAL DO PARANAPANEMA.

 
ESPÉCIE ESTUDADA
Catetos, queixadas, onças e jaguatiricas.
 

Algumas espécies animais podem funcionar como verdadeiros "termômetros", ajudando a monitorar a saúde dos ecossistemas. São "espécies sentinelas" - aquelas que, por refletir as perturbações do meio ambiente, podem servir de indicadores da conservação do meio. Elas auxiliam levantamentos rápidos sobre os impactos ambientais e monitoramentos de longo prazo que têm o objetivo de acompanhar e avaliar a preservação ou degradação dos ecossistemas.

Esse trabalho ajuda a esclarecer aspectos ecológicos e sanitários dessas populações animais, que certamente contribuirão com o entendimento da dinâmica das paisagens fragmentadas, da conservação dos ecossistemas e dos recursos naturais.

 

OBJETIVOS
 

Monitorar a saúde da fauna nos fragmentos florestais do Pontal do Paranapanema por meio do estudo em medicina da conservação de espécies sentinelas como catetos, queixadas, onças e jaguatiricas;

 
Promover ações junto aos proprietários de terra da região, fazendeiros e assentados rurais para melhora da saúde do estoque animal doméstico do entorno das florestas e, conseqüentemente, a saúde humana;
 
Esclarecer aspectos ecológicos e epidemiológicos das espécies estudadas para que se possa entender a dinâmica das paisagens fragmentadas, da conservação dos ecossistemas e dos recursos naturais;
 
Contribuir com políticas públicas substanciais para promover e defender a conservação da biodiversidade.
 
EQUIPE

Alessandra Nava
Coordenadora
Médica Veterinária, Doutoranda em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses FMVZ/USP
Contato: alenava@stetnet.com.br

Marcello Schiavo Nardi
Médico Veterinário, Mestrando em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses FMVZ/USP
E-mail: mschiavonardi@yahoo.com.br

 

PROJETO ANDANÇAS – MONITORAMENTO DE MAMÍFEROS NA PAISAGEM FRAGMENTADA DO PONTAL DO PARANAPANEMA-SP

ESPÉCIE ESTUDADA
Mamíferos não-voadores

A fragmentação florestal é uma das principais causas de extinção das espécies e a manutenção da conectividade é um dos princípios básicos para conservação da biodiversidade em paisagens fragmentadas.
A Floresta Atlântica de Interior é o ecossistema mais ameaçado e fragmentado do Domínio Florestal Atlântico, e a região do Pontal do Paranapanema não se excluí dessa situação alarmante.
Diante do estado de extrema fragmentação florestal, a restauração das áreas e a implantação de corredores florestais são medidas imprescindíveis. Eles visam o aumento da conectividade entre os remanescentes florestais e o deslocamento de sua rica biodiversidade pela paisagem, garantindo a sobrevivência das espécies em longo prazo e a melhoria da qualidade ambiental da região.
O trabalho vem sendo realizado por meio da captura de pequenos mamíferos vivos e da utilização de armadilhas fotográficas e de pegadas, ao longo de trilhas nos fragmentos e corredores florestais.
Os pequenos mamíferos capturados serão medidos, pesados, marcados com pequenos brincos numerados e soltos no local da captura. De cada animal serão colhidos sangue, fezes e ectoparasitas para a realização das análises epidemiológicas e parte de tecido para os estudos genéticos. Inicialmente, médios e grandes mamíferos serão apenas registrados, não haverá capturas.
Com os resultados deste trabalho, esperamos aumentar nosso conhecimento sobre os efeitos da implementação de corredores em paisagens fragmentadas sobre a comunidade de mamíferos e obter informações para a definição de ações e metas de conservação integradas para a região do Pontal do Paranapanema.

OBJETIVOS

 

Verificar a utilização dos corredores florestais pelas espécies, observar se está havendo incremento na diversidade nos fragmentos conectados e se está ocorrendo aumento na variabilidade genética das populações;

 
Avaliar as condições epidemiológicas das populações nas áreas fragmentadas e restauradas, verificando se há resposta da comunidade diante do aumento da conexão da paisagem e da possível dispersão dos patógenos através dos corredores;
 
Identificar as ameaças à comunidade de mamíferos que possam ser facilitadas pelos corredores, como a disseminação de doenças e de espécies exóticas, a caça e as queimadas.

EQUIPE
Cristina Tófoli
Ecóloga, Mestre em Ecologia IB/USP
Contato: tina@ipe.org.br

Marcello Schiavo Nardi
Médico Veterinário, Mestrando em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses FMVZ/USP
Contato: mschiavonardi@yahoo.com.br

Alessandra Nava
Médica Veterinária, Doutoranda em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses FMVZ/USP
Contato: alenava@stetnet.com.br

PATROCINIO

Programa Petrobras Ambiental


AVALIAÇÃO DOS EFEITOS DA FRAGMENTAÇÃO FLORESTAL NA ECOLOGIA DE FLEBÓTOMOS E RESERVATÓRIOS SELVAGENS PARA LEISHMANIA SPP. NO MUNICÍPIO DE TEODORO SAMPAIO, PONTAL DO PARANAPANEMA, SP

As alterações ambientais antrópicas são os principais fatores de emergência ou reemergência de doenças infecciosas. A fragmentação florestal muda a composição das espécies e altera o equilíbrio hospedeiro-parasita, favorecendo a ocorrência de zoonoses que antes estavam presentes apenas no ambiente silvestre.
A leishmaniose cutânea é uma doença que está relacionada com episódios de desmatamento em caráter epidêmico. No entanto, o caráter endêmico da doença ocorre quando o homem se encontra próximo de áreas florestais.
O Pontal do Paranapanema é uma região onde ocorreu grande desmatamento e a mata nativa remanescente está representada pelo Parque Estadual Morro do Diabo e alguns fragmentos florestais.
Casos de leishmaniose cutânea são comuns na região, principalmente em áreas marginais de floresta. A doença é causada por um protozoário do gênero Leishmania spp. e a transmissão é realizada por mosquitos silvestres, do gênero dos flebotomíneos.
Existem muitas espécies de flebotomíneos, no entanto, poucas são consideradas importantes para a transmissão ao ser humano. As espécies incriminadas nesta transmissão estão adaptadas ao ambiente florestal modificado pelo homem, sendo encontradas em grande número em áreas de borda de mata e no peridomicílio, sugerindo que a fragmentação florestal poderia estar beneficiando as espécies incriminadas na transmissão.
Este estudo tem por objetivo avaliar como a fragmentação florestal afeta a riqueza e abundância de espécies de flebótomos, assim como seus reservatórios selvagens, visando obter uma correlação entre ocorrência de Leishmania spp., tamanho e estado de conservação do fragmento e a diversidade de espécies hospedeiras e vetoras.

OBJETIVO

 

Conhecer os aspectos ecológicos relacionados à degradação da Floresta Atlântica de Interior na ocorrência da leishmaniose, e futuramente, buscar soluções para minimizar a ocorrência da doença no homem;

EQUIPE

Marcello Schiavo Nardi
Médico Veterinário, Mestrando em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses FMVZ/USP
E-mail: mschiavonardi@yahoo.com.br

Alessandra Nava
Médica Veterinária, Doutoranda em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses FMVZ/USP
Contato: alenava@stetnet.com.br


OCORRÊNCIA DE ENDOPARASITOSES EM ANIMAIS DOMÉSTICOS DAS PROPRIEDADES RURAIS CIRCUNVIZINHAS ÀS RESERVAS FLORESTAIS

Os animais domésticos de estimação e criados para consumo, uma vez infectados e eliminando os parasitas, comportam-se como fonte de infecção aos homem, animais selvagens e sinantrópicos que transitam em torno da reserva florestal. Esses, por sua vez, são capazes de carregar o agente infectante para o interior da floresta. Vale saber que no caso dos animais herbívoros, como bovinos, ovinos e caprinos, é alta a probabilidade de infecção por estes parasitas, assim como para o homem que está sujeito ao contato com a doença, tanto pelo contato com os animais, quanto pela ingestão dos mesmos. A partir de então, visamos demonstrar o grau de contato entre as espécies domésticas e o risco em que estão submetidos os animais silvestres e o homem, principalmente no que concerne às enfermidades zoonóticas.

OBJETIVO

 

Identificar os parasitas encontrados nas diversas espécies de hospedeiro;

  Conhecer o potencial que cada uma delas tem para atuar como reservatório desta infecção;
  Compreender o risco que cada espécie de animal silvestre está submetida.

EQUIPE

Pesquisadora responsável :
Anaiá da Paixão Sevá
Médica Veterinária, Mestrando em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses FMVZ/USP
Contato: napaixão@hotmail.com

Alessandra Nava
Médica Veterinária, Doutoranda em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses FMVZ/USP
Contato: alenava@stetnet.com.br

APOIO

 

Fundação O Boticário de Proteção à Natureza

 

Conservation Food and Health

 

Idea Wild

 

Gerald Durrel Memorial Fund

 

Wildlife Trust

     Consortium for Conservation Medicine
 

FNMA

  FAPESP

 PARCEIROS

Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de Sâo Paulo – FMVZ USP
Laticínios Quatá de Teodoro Sampaio
IBAMA

 
 

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