PROJETO

Projeto Pequenos Mamíferos: Respostas à Paisagem Fragmentada do Pontal do Paranapanema

 
ESPÉCIE ESTUDADA

Pequenos Mamíferos (gambás, cuícas, marmosas e roedores silvestres)

 
       
 
Características da espécie:
Os pequenos mamíferos (animais com peso médio menor que dois quilos) são normalmente vistos como "uma grande comunidade de ratos", com papéis ecológicos semelhantes. Entretanto, dentro desse grande grupo encontramos uma infinidade de formas ecológicas e taxonômicas, com papéis complementares e igualmente importantes. Pequenos mamíferos englobam espécies de marsupiais (Didelphimorphia), roedores (Rodentia), insetívoros (Insectivora, ausentes no Brasil), e morcegos (Chiroptera).
 
DESCRIÇÃO

A atenção dos programas de conservação é, na maioria das vezes, direcionada a espécies grandes, carismáticas e de maior apelo popular. Entretanto, subestimar a importância dos pequenos mamíferos pode levar a resultados pouco precisos, uma vez que espécies tão ou mais ameaçadas acabam sendo deixadas de lado, aumentando assim seus riscos de extinção. Segundo dados da IUCN (União Mundial Para a Natureza), pequenos mamíferos estão tão ameaçados como qualquer grupo de grandes mamíferos. O baixo nível de ameaça dos roedores mascara o alto risco que morcegos, marsupiais e insetívoros correm. De todas as extinções de mamíferos ocorridas, quase ¾ são de pequenos mamíferos.

Os pequenos mamíferos sofrem o mesmo tipo de ameaça que afetam outros grupos, como perda de habitat , poluição, caça e efeitos de espécies invasoras. Quando ocorre a fragmentação, populações pequenas e subdivididas ficam mais suscetíveis aos efeitos demográficos e genéticos, que parecem ser maiores em pequenos mamíferos devido às suas elevadas taxas naturais de flutuação populacional. A sobrevivência de populações de pequenos mamíferos é afetada negativamente por causa das suas limitadas habilidades de movimentação e sobrevivência fora das manchas de habitat , tendendo a criar populações isoladas.

Em geral, acredita-se que as características de história de vida dos pequenos mamíferos (altas densidades populacionais, menor requerimento de área e alto crescimento populacional) afastam o grupo da extinção. Entretanto, elas referem-se apenas a uma parcela das espécies. Pequenos mamíferos ocorrem em uma faixa larga de densidades e apresentam diferentes tamanhos de área de vida. Além disso, os curtos tempos de geração, típicos destes animais, devem reduzir seu tempo de persistência, aumentando assim os riscos de extinção em resposta a perturbações ambientais em curto prazo.

Ao se preservar áreas grandes, necessárias para grandes mamíferos, consegue-se preservar qualquer espécie que esteja nos níveis tróficos inferiores. Porém, em muitos casos, a fauna de pequenos mamíferos não é totalmente protegida, uma vez que sua percepção de habitat se dá numa escala mais fina. Por esse motivo, a conservação de pequenas manchas de floresta próximas a outras maiores é fundamental para a manutenção da diversidade de pequenos mamíferos numa região.

A primeira fase deste projeto, que aconteceu de janeiro de 2002 a janeiro de 2005, consistiu em capturar os animais para marcação em seis fragmentos de mata e três áreas dentro do Parque Estadual do Morro do Diabo. Estudamos a ecologia e a genética das populações de algumas espécies, a estrutura das comunidades e os efeitos que a fragmentação florestal tem causado no grupo, para planejar ações para uma efetiva conservação.

Nestes primeiros anos, o levantamento das espécies e o diagnóstico das comunidades foram concluídos. O isolamento mostrou ser o fator crucial para essas populações. Mesmo espécies com alta capacidade de movimentação na paisagem parecem estar geneticamente isoladas, e modelos matemáticos indicam que pontos de ligação situados a mais de 750 metros da borda dos fragmentos não são efetivos para este grupo.

As próximas etapas do Projeto "Pequenos Mamíferos" têm como objetivos:

Verificar em campo os resultados das previsões matemáticas;
Fazer o levantamento de pequenos mamíferos em outros fragmentos e outras áreas do PEMD;
Montar um SIG agrupando todas as informações coletadas;
Identificar as espécies de pequenos mamíferos mais sensíveis que possam servir como indicadoras;
Avaliar o potencial de Didelphis albiventris como dispersor de espécies pioneiras e o papel na regeneração da paisagem;
Avaliar a condição sanitária dessas populações;
Avaliar a eficácia dos projetos agroflorestais para o resgate das comunidades de pequenos mamíferos na região.

 
OBJETIVOS

Conservação dos pequenos mamíferos por meio de trabalhos em ecologia, genética e medicina, visando entender os efeitos que a fragmentação do habitat tem causado nas populações destas espécies, numa perspectiva de Ecologia de Paisagens.

 
EQUIPE

Flávia Souza Rocha, DSc.
flavia@ipe.org.br

 
APOIO
 

WWF - Brasil

 

Idea Wild

  Fundação O Boticário de Proteção à Natureza
  Lincoln Park Zoo
 
 

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