O muriqui ou monocarvoeiro (Brachyteles arachnoides),
o maior primata Neotropical e o maior mamífero
terrestre exclusivamente brasileiro, é também
uma das espécies mais ameaçadas de extinção.
Está classificada como "criticamente ameaçada"
pela IUCN (2002 IUCN Red List of Threatened Species)
e ainda como "em perigo" pelo IBAMA (2003,
Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira
Ameaçadas de Extinção).
Atualmente, o muriqui sobrevive nos remanescentes
da Mata Atlântica brasileira e está restrito
a pequenos fragmentos florestais, sob constantes ameaças
de caça, fragmentação e conseqüente
perda de hábitat. Em pesquisas recentes, uma
população de muriquis foi redescoberta
no estado do Rio de Janeiro, mais especificamente
na região da Serra dos Órgãos
(Parque Nacional), e representa um importante adendo
ao status da espécie.
Por meio detrabalhos conjuntos do Parque Nacional
da Serra dos Órgãos, do IBAMA, de uma
ONG de Teresópolis, a Tereviva, e do IPÊ,
foi criado o "Programa de Conservação
do Muriqui". Hoje, o programa limita-se à
área do Parque, mas pretende se estender posteriormente
a todas as Unidades de Conservação do
Rio de Janeiro. Sendo assim, o objetivo principal
do IPÊ, responsável pelas pesquisas na
região, é implementar um programa de
longa duração, contemplando diferentes
estudos e etapas ao longo de cinco anos, que compreende
a conservação e o manejo desta nova
população de muriquis juntamente com
o seu hábitat, a Mata Atlântica - considerada
pela UNESCO como Reserva da Biosfera e uma das mais
importantes fontes de biodiversidade do planeta.
A equipe de pesquisadores do IPÊ trabalha de
maneira a complementar outros estudos e levantamentos
já efetuadas no Parque e que tiveram como resultado
a localização de quatro grupos de muriquis,
em número aproximado de 60 indivíduos.
O objetivo é a formação de uma
base de dados que permita traçar estratégias
de manejo conservacionista em bases científicas
para a espécie e seu habitat.
Iniciado em 2003,o IPÊ realizou várias
expedições científicas em áreas
previamente identificadas de ocorrência da espécie.
Os pesquisadores selecionaram um grupo alvo de muriquis,
para a colocação de rádio-colar.
A partir desta etapa, inicia-se o monitoramento do
grupo e o desenvolvimento dos primeiros estudos de
demografia, ecologia e comportamento da espécie,
que é diferente dos outros locais onde a espécie
ocorre por causa da altitude e das montanhas da região.
Com os resultados obtidos, os pesquisadores esperam
dar continuidade ao programa e ainda criar subsídios
para elaboração do plano de conservação
e manejo do muriqui, sempre numa abordagem socioambiental
através do envolvimento com a comunidade local,
da educação e capacitação;
ações estas que se estruturam no Modelo
IPÊ de Conservação e que vêm
sendo aplicadas com sucesso em todas as áreas
de atuação do IPÊ.