Um dos diferenciais do mestrado da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, ESCAS, é levar para a prática o conteúdo do mundo acadêmico. A disciplina Resolução de Desafios é um dos meios para isso, pois incentiva os alunos a pensarem soluções para desafios socioambientais enfrentados hoje por algumas empresas e propor alguns caminhos para solucioná-los. Alguns parceiros do IPÊ já recebem os alunos para conhecerem as empresas e conversarem a respeito. É o caso das Havaianas, parceira do Instituto há mais de seis anos.
Em outubro, um grupo de alunos visitou a fábrica das Havaianas em Campina Grande, Paraíba, para conhecer o método de produção e conversar com os funcionários envolvidos na fabricação das sandálias. O grande desafio dos alunos neste caso é analisar e propor um plano viável de ação para os resíduos das sandálias usadas. Na fabricação, os resíduos são bastante reaproveitados: de 80 a 90% das aparas do corte da borracha são reincorporadas ao processo produtivo e utilizadas na produção de novos produtos. Já as tiras são feitas de PVC e seus resíduos são totalmente reaproveitados na produção de novas sandálias. Falta saber ainda como fazer com os resíduos pós consumo: apesar da durabilidade do produto, dos pares usados nem todos ficam para coleção (como muita gente faz), então, o que fazer com as sandálias usadas?
Para começar a propor ideias, os alunos têm estudado os hábitos de consumo e a freqüência/lugar de descarte do produto. Duas sugestões já são apontadas: a proposta de devolução direta por parte dos consumidores (em postos de coleta, por exemplo), e a coleta seletiva de lixo. Para avaliar a viabilidade das duas ideias, os alunos entrevistaram cerca de 800 consumidores de dois grandes centros urbanos (São Paulo e João Pessoa), e visitaram centros de triagem de material reciclável. “Como o produto é largamente utilizado pela população e sabemos que já existem experiências bem sucedidas de introdução de novos materiais na triagem da coleta seletiva, como a embalagem Tetra Pak, estamos verificando a possibilidade de coleta seletiva das sandálias. Não se sabe se as várias aplicações conhecidas para borracha de pneus (por exemplo a utilização em asfalto) também funcionariam com a borracha das Havaianas”, explica Renato de Giovanni, que compõe o grupo junto com os alunos Thomaz de Almeida, Alexandra Teixeira, Karlla Barbosa e Tatiane Silingovschi.
“Isso envolve ‘logística reversa’, ou seja, o fluxo físico de produtos e materiais desde o consumidor até o local onde eles serão recuperados, reutilizados ou depositados. Definir uma estratégia completa de logística reversa para produtos usados não é simples: envolve a coleta do produto, transporte, armazenamento, além da definição sobre o que fazer com o material. Nosso desafio com as Havaianas é estudar diferentes alternativas de retorno do produto usado, ajudando a resolver uma parte do problema”, completa Renato.
