Primeira oficina de resultados do monitoramento mostra quem são e onde estão os bichos da Resex Tapajós Arapiuns

 

A Reserva Extrativista (Resex) Tapajós Arapiuns, no Pará, recebeu a “Primeira Oficina de Interpretação coletiva de resultados do monitoramento”, com foco nos dados do protocolo de caça de subsistência, desenhado pela comunidade local e pesquisadores, para avaliação da sustentabilidade dessa atividade na Unidade de Conservação (UC). Participaram aproximadamente 300 pessoas de oito comunidades, entre professores, monitores, lideranças locais, equipe de analista e voluntários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), pesquisadores e colaboradores do IPÊ.

A oficina foi um momento marcante para o projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade, realizado pelo IPÊ em parceria com o ICMBio. Ali, junto com as comunidades, foram apresentados e debatidos os resultados do levantamento sobre mamíferos e aves (espécies de interesse ambiental e cultural), realizado pelos monitores locais, a partir de coleta de dados com armadilhas fotográficas e informações de caça. Ao todo, 339 famílias de oito comunidades locais participam desse monitoramento.

Os resultados foram apresentados e discutidos no formato de gincana com perguntas, respostas e debate. Também foram compartilhadas imagens das armadilhas fotográficas por meio da exposição “Onde estão os bichos da floresta”. As armadilhas fotográficas registraram imagens de onça pintada (Panthera onca), suçuarana (Puma concolor) jaguatirica (Leopardus pardalis) , anta (Tapirus terrestris), veado fuboca (Mazama nemorivaga), e outras espécies bastante comuns como a cutia (Dasyprocta aff agouti) e queixadas (Tayassu pecari), que têm grande importância cultural e ambiental para a Resex Tapajós Arapiuns. 

Os monitores e comunitários colaboraram também com os dados de mapeamento das áreas de caça. De acordo com os levantamentos, as espécies mais caçadas para subsistência são mamíferos de médio porte, aqueles que mais são avistados nas trilhas pelos monitores que realizaram o censo.   

Como resultado desse encontro, os participantes recomendam uma série de medidas que visam contribuir para a conservação da biodiversidade local, com base nas observações do diagnóstico da mastofauna e no Acordo de Gestão da Resex (Plano de Manejo):

  • Promover práticas de manejo comunitário da caça, para que essa atividade de subsistência permaneça sustentável em longo prazo.
  • Desenvolver atividades de educação ambiental com os moradores, abrangendo tanto assuntos relacionados com conservação de carnívoros como sobre a convivência com esses animais.
  • Difundir de práticas de manejo que minimizem as chances de predação de animais domésticos por onças.
  • Realizar programa de monitoramento das populações de onças pintadas e vermelhas na Resex Tapajós-Arapiuns. Caso isso não seja possível, devido à escassez de recursos e pessoal capacitado para realizar esse monitoramento, é recomendável que ao menos seja feita uma avaliação do status populacional atual destas espécies na UC para fundamentar conclusões mais robustas e para servir de subsídio para ações de conservação.

Os resultados do encontro serão apresentados também para o Conselho gestor da UC.