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O IPÊ abriu edital para seleção e contratação de pessoa jurídica para prestação de serviço de adequação de sistemas produtivos em propriedades rurais, considerando especialmente a pecuária e as áreas de preservação permanente no âmbito do projeto Semeando Água, patrocinado pela Petrobras. A contratação é voltada preferencialmente para empresas que contam com profissionais na área de zootecnia, agronomia, florestais e afins. 

Saiba mais no EDITAL.

 

O IPÊ foi um dos participantes da Oficina Grupo Temático de Governança, dentro da iniciativa IAPA - Integración de las Áreas Protegidas del Bioma Amazónico, em Iquitos (Peru).

No encontro, dias 13 e 14 de junho, foram definidas estratégias relacionadas com os princípios de boa governança para as áreas protegidas do bioma amazônico. O voluntariado foi apontado como uma boa prática que pode favorecer essa governança. O tema foi abordado pela pesquisadora do IPÊ, Angela Pellin, coordenadora do projeto "Motivação e Sucesso na Gestão de Unidades de Conservação Federais". Ela apresentou o histórico deste trabalho, realizado pelo IPÊ em parceria com o ICMBio, e que tem como um de seus importantes resultados o impulsionamento do Programa de Voluntariado.

"O evento foi muito interessante porque permitiu compartilhar as experiências relacionadas a voluntariado no bioma amazônico e pensar em como essa iniciativa contribui para o cumprimento dos princípios de boa governança em áreas protegidas. Considerando a Amazônia, acreditamos que, localmente, o programa é uma grande oportunidade de promover maior aproximação da comunidade com a gestão das áreas protegidas, ampliando sua integração. Em um âmbito nacional, ele traz a possibilidade de mostrar a realidade amazônica para pessoas que vivem em regiões e realidades distintas, contribuindo para a formação de uma rede de apoio às causas socioambientais associadas ao bioma", comenta Angela.

O encontro também discutiu algumas diretrizes para a realização do Seminário de Boas Práticas em Governança Transfronteiriça no Bioma Amazônico.

 

É praticamente impossível falar do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, sem mencionar a grandiosidade dessa Unidade de Conservação. Localizado entre o Amapá e o Pará, o maior Parque Nacional do Brasil tem cerca de quatro milhões de hectares. Isso significa ser quase do tamanho do estado do Rio de Janeiro e maior do que a Bélgica. Essa imensidão guarda riquezas biológicas importantes da Amazônia - muitas delas ainda não descobertas ou estudadas pela ciência.

A UC foi uma das primeiras a participar da iniciativa de Monitoramento Participativo da Biodiversidade, ainda em 2014. Após três cursos formativos para cerca de 73 pessoas, hoje a área conta com 12 monitores, espalhados em três trilhas para avaliar a biodiversidade a partir de estudos da fauna e da floresta. As atividades de monitoramento de biodiversidade e de floresta na unidade são orientadas seguindo protocolo florestal básico, avaliado regularmente por monitores comunitários e gestores do parque e do ICMBio.

Chefe do parque desde a sua criação, em 2003, Christoph Bernhard Jaster conta que o projeto trouxe impactos e levantou questões significativas na gestão da UC, como preocupações relacionadas às pesquisas científicas e à participação comunitária nos processos. "O Parque Nacional não tem em sua essência a gestão participativa porque não se orienta de acordo com demandas comunitárias como uma reserva extrativista, por exemplo. Com a decisão de participarmos do projeto, tivemos uma mudança de foco para um maior envolvimento comunitário, com gestão participativa. Inicialmente, eu tinha uma preocupação de que houvesse um afastamento do propósito de um parque nacional. Mas criamos um meio de manter a qualidade dos estudos e não sair do rigor técnico e científico que sempre mantivemos na unidade. Isso traz um equilíbrio no desenvolvimento dO trabalho", comenta.

Por estar em uma região isolada e de difícil acesso, a pressão sobre os recursos não é tão intensa pela população do entorno, segundo Christoph. Essa realidade, entretanto, não quer dizer que as comunidades próximas ao parque não possam se envolver com as questões da unidade. O chefe do parque acredita que o projeto tenha um papel relevante para isso.

"O bom gestor precisa interagir com o ambiente que o cerca para além do parque que administra. O projeto é um modelo de aproximação da gestão do parque com a comunidade. Envolvemos as pessoas com os cursos e, mesmo que não se tornem monitores, eles começam a entender melhor a unidade. Existem poucas pessoas que enxergam o beneficio econômico do parque Tumucumaque para a região. Mesmo de forma modesta, a gente tenta proporcionar algumas oportunidades aqui dentro, seja selecionando os monitores para trabalharem conosco ou outros profissionais para demais atividades".

Se antes o envolvimento da comunidade parecia uma barreira, hoje Christoph enxerga potencial nas atividades participativas e no monitoramento. "A experiência de monitoramento é piloto ainda, visto o tamanho do parque. Com os monitores cobrimos apenas de 20 a 30 mil hectares. O ideal seria espalhar essa inciativa para outras áreas, considerando o tamanho da unidade e áreas que ainda não conseguem ser monitoradas", alerta.

 

A parceria entre IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para o projeto Motivação e Sucesso na Gestão de Unidades de Conservação (MOSUC) foi renovada por mais dois anos. Desde 2012, o projeto tem apoiado a gestão das UCs federais no Brasil, incentivando o empreendedorismo dos gestores com relação a boas práticas de planejamento e gestão, fomentando arranjos que ampliem o número de pessoas atuando diretamente junto com os gestores (parcerias e voluntariado), e construindo plataformas que disseminem informação e conhecimento. Para que isso tenha o impacto esperado, o IPÊ articula e dá suporte técnico a várias atividades com participação de gestores, comunidades, voluntários e parceiros.

Com a renovação da parceria, o IPÊ dará continuidade no apoio em rede às instituições locais para a gestão das UCs da Amazônia por meio da contratação de colabores que auxiliam na implementação de novos planos de ação, em conjunto com o ICMBio e financiado pela Gordon and Betty Moore Foundation. Essa é uma estratégia pioneira, adotada para suprir a necessidade dos gestores em número de pessoal na realização das atividades em unidades com áreas de grande extensão.

Por intermédio de 12 instituições locais no bioma, foram contratados 54 colaboradores. As contratações são parte de uma experiência piloto, que estimula a atuação em rede para o fortalecimento da gestão das UCs na Amazônia. A iniciativa contempla 14 áreas, compostas por UCs e núcleos de gestão integrada (NGIs), pertencentes ao bioma. Para cada uma dessas áreas foram identificadas instituições com interesse em compor essa experiência-piloto. Os profissionais contratados são residentes das áreas contempladas ou de seu entorno imediato e maiores de 18 anos.

O apoio desses profissionais tem trazido benefícios às UCs, como relata Aldeci Cerqueira (Nenzinho), da associação da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema (Acre). “O projeto nos deu oportunidade de nos aproximar mais do ICMBio, o órgao gestor da unidade, trabalhando de forma integrada. Pra mim esta sendo muito importante. A Associação já fazia o trabalho com o ICMBio, mas com a equipe reduzida, tínhamos dificuldade de chegar nas comunidades. Essa gestão integrada (com a chegada de técnicos contratados) proporciona melhor atendimento às comunidades”, comenta.

O trabalho junto às instituições locais busca gerar emprego e renda nas comunidades envolvidas com as UCs, superar problemas associados com a dificuldade de adaptação dos contratados aos costumes e modos de vida local, aumentar o vínculo da comunidade com as unidades e fortalecer a estrutura organizacional de instituições locais que já possuam alguma relação com a UC.

As UCs ou NGIs contempladas por essa etapa do projeto são:

  1. Núcleo de Gestão Integrada Itaituba;
  2. Núcleo de Gestão Integrada Altamira;
  3. Parque Nacional do Jaú;
  4. Parque Nacional de Anavilhanas;
  5. Reserva Extrativista do Rio Unini;
  6. Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns;
  7. Floresta Nacional Tapajós;
  8. Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema;
  9. Estação Ecológica Maracá;
  10. Parque Nacional Juruena;
  11. Núcleo de Gestão Integrada Amapá Central;
  12. Parque Nacional do Viruá;
  13. Parque Nacional Mapinguari;
  14. Reserva Biológica Gurupi.

 

Já é possível acessar o relatório de atividades anual do IPÊ, referente aos trabalhos e resultados de 2017.

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