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O IPÊ realizou o primeiro plantio de árvores nativas de 2018 no Pontal do Paranapanema. Desta vez, na Estação Ecológica (ESEC) Mico-Leão-Preto, localizada nos municípios de Teodoro Sampaio e Euclides da Cunha Paulista (SP). O evento contou com mais de 40 voluntários.

O plantio foi realizado em uma área de recuperação florestal da ESEC, uma das Unidades de Conservação mais importantes da região. No mutirão desta sexta, foram plantadas 150 árvores e, ao todo, serão plantadas  2000 nativas de várias espécies.

A ESEC, de 6.680,6200 hectares, junto com o Parque Estadual Morro do Diabo, de 33.845,33 hectares, formam o maior pedaço de Mata Atlântica de interior que restou na região, protegendo a espécie símbolo do Estado de São Paulo, o mico-leão-preto. As duas áreas são conectadas por um grande corredor reflorestado pelo IPÊ, que tem quase 20 quilômetros de extensão.

O reflorestamento na estação ecológica é parte de um projeto sobre mudanças climáticas chamado Climate Crowd. Em 2017, o IPÊ realizou um levantamento na região, entrevistando 33 moradores e trabalhadores da área rural sobre a percepção deles a respeito do clima. Na pesquisa, os entrevistados associaram as mudanças do clima ao longo das últimas duas décadas com as mudanças percebidas na natureza como a falta de sazonalidade nas estações do ano, o desaparecimento e a mortalidade de espécies e o avanço de pragas. A partir desse diagnóstico, foram traçadas algumas estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas localmente, como o plantio de árvores.

O evento teve apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da organização internacional WWF.

 

 

*Do Blog Semeando Água

Mais uma vez o Sistema Cantareira está no centro das discussões sobre segurança hídrica e é nesse contexto que o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, reinicia, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o ¨Semeando Água¨, projeto que tem como foco a recuperação dos serviços ecossistêmicos por meio do manejo adequado das pastagens e da conservação e restauração florestal na margem de nascentes e rios.

Por meio de metodologias que envolvem extensão rural, educação ambiental e comunicação, as ações acontecerão durante dois anos, até 2019, em oitos municípios do Sistema Cantareira: Mairiporã, Nazaré Paulista, Joanopólis, Piracaia, Bragança Paulista, todos no Estado de São Paulo, e Extrema, Itapeva Camanducaia, no Estado de Minas Gerais.

A primeira edição do projeto, que aconteceu de 2013 a 2015, teve como resultado a implantação de 15 hectares com 10 modelos de baixo custo de restauração florestal, a implantação de 34,8 hectares de manejo de pastagem ecológica e também a realização de capacitações e campanhas de sensibilização para a conservação da água.

Para a segunda edição estão previstas a implantação de 20 hectares de manejo de pastagem ecológica, a restauração florestal de 10 hectares em APPs hídricas, o monitoramento físico-químico e biológico dos benefícios do manejo de pastagem ecológica, além de cursos de capacitação ambiental para educadores, asssessoria à projetos socioambientais nas escolas e novas campanhas de conscientização.

¨Além da ampliação das áreas e dos cursos, nessa nova etapa o diferencial é ganhar escala por meio de influência em políticas públicas de forma a aproveitar o contexto da exigência do CAR (Cadastro Ambiental Rural) e da legislação florestal que está começando a vigorar agora entre outras políticas públicas. Com a obrigatoriedade da adequação ambiental das propriedades esse é um momento importante que o projeto pode influenciar positivamente¨, afirma Alexandre Uezu, coordenador do projeto.

Entre as primeiras principais ações do ¨Semeando Água¨ está a participação no 8º Fórum Mundial da Água, um dos congressos ambientais mais importantes do mundo, que acontece de 18 a 23 de março de 2018, em Brasília.

 

 

*Do site ICMBio

O herbário RB, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), recebeu, de 19 a 25 de fevereiro, um workshop de identificação de amostras de plantas coletadas na Amazônia. A identificação é uma das etapas do protocolo avançado de plantas do Programa Monitora – Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade, realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em suas Unidades de Conservação (UCs) com o intuito de aprimorar a gestão dessas áreas e conhecer sua efetividade na conservação da biodiversidade brasileira. A iniciativa conta com o apoio do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, que tem o Funbio como parceiro e gestor financeiro, e com forte e fundamental envolvimento das equipes das unidades gestoras das unidades de conservação.

Durante os sete dias do workshop, um grupo de 23 profissionais, formado por taxonomistas do JBRJ, alunos de mestrado e doutorado da Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT/JBRJ), bolsistas do projeto e pesquisadores e técnicos do New York Botanical Garden (NYBG), trabalhou na identificação das amostras arbóreas coletadas em 11 UCs da Amazônia.

O projeto de monitoramento começou bem antes, com a instalação de 30 parcelas permanentes distribuídas pelas UCs de norte a sul e de leste a oeste da Amazônia brasileira. Em seguida, duas equipes lideradas pelo pesquisador Douglas Daly, do NYBG, e sob a coordenação de campo do pesquisador Flávio Obermüller, passaram seis meses coletando amostras nessas parcelas e seus arredores. Ao todo, as expedições foram a sete estados – Acre, Pará, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Maranhão. O herbário do JBRJ, parceiro na iniciativa, é o responsável pelo recebimento das amostras, que passam a fazer parte de seu acervo. As duplicatas serão enviadas para o NYBG e para herbários próximos das UCs onde foram feitas as coletas. Esta fase do trabalho contou com recursos do Arpa e também da Fundação Moore, por meio do Projeto de Monitoramento Participativo, coordenado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ).

Daly realiza pesquisas na Amazônia desde o início da década de 1980. Ele explica que o NYBG foi convidado a participar do programa por contar com pessoal treinado para realizar o levantamento necessário: “Os levantamentos florestais executados recentemente através do Inventário Florestal Nacional e do ICMBio estão estabelecendo uma linha de base para o monitoramento, mas deve-se considerar quais informações vão compô-la e como serão levantadas. Aí entra a participação social, que constitui o princípio fundamental da nossa iniciativa, e que, além de prática, é apropriada em vista de quem é mais afetado por mudanças nas florestas. Naquela imensidão amazônica, precisamos das comunidades florestais para cumprir esse compromisso tão desafiante, de gente in situ capacitada para utilizar e melhorar as ferramentas e técnicas para detectar e avaliar mudanças. É viável, com investimentos adequados – e modestos, considerando a escala da tarefa”. Nesse sentido, o pesquisador ressalta o papel dos mateiros ou assistentes de campo: “São eles que sabem quais são as plantas e onde elas estão. Percebemos que era preciso formar novas gerações de mateiros nas localidades, e demos início a um trabalho de capacitação. Por isso estamos aqui”.

Já a etapa de identificação possibilitou não apenas saber quais espécies estão presentes nessas parcelas, mas também a estrutura das comunidades de plantas que elas abrigam. Entre os achados mais interessantes até agora, por exemplo, estão duas amostras de Siparuna ficoides, planta que era conhecida somente por quatro coletas, sendo duas delas do mesmo indivíduo. Com esses e outros dados provenientes do monitoramento, os gestores podem acompanhar de que maneira as espécies estão respondendo às ameaças e fatores de pressão sobre elas – como as mudanças climáticas e a presença de espécies invasoras, possibilitando um melhor planejamento do manejo, conservação e uso sustentável da flora nativa.

Maior bioma em área, abrangendo 49,29% do território brasileiro, a Amazônia ainda apresenta muitas incógnitas no que se refere à diversidade de sua flora (vide artigo publicado em jbrj.gov.br/node/838). No levantamento realizado pelo grupo da Flora do Brasil 2020 (floradobrasil.jbrj.gov.br), o bioma aparece como segundo mais rico do país em número de espécies, atrás da Floresta Atlântica, que ocupa apenas 13,04% do território nacional. Porém, os cientistas sabem que há uma lacuna no número de espécies amazônicas registradas nos estudos. E esse problema se deve, em grande parte, à escassez de coletas na Região Norte.

Segundo a curadora do herbário RB, Rafaela Forzza, que participou de duas destas expedições, embora as parcelas forneçam uma amostragem mínima diante das áreas gigantescas em que estão inseridas, o trabalho realizado é um passo inicial para gerar listas de espécies para as UCs abrangidas pelo projeto. “Foram coletadas muitas amostras complementares especialmente no Parna Juruena (MT/PA) e no Parna Tumucumaque (AP)”, destacou.


Texto e fotos: Claudia Rabelo Lopes (Ascom/JBRJ)

Comunicação ICMBio

 

*Artigo de Suzana e Claudio Padua (Fundadores do IPÊ)
Texto original do Blog do Forum Econômico Mundial Latino Americano

Uma das maiores riquezas dos países latino-americanos é a sua biodiversidade. No entanto, raramente contribui para o desenvolvimento econômico das nações que compõem a região. No Brasil, de acordo com as estatísticas oficiais, nenhuma das 10 principais exportações em 2016 teve sua origem na biodiversidade do país. Em vez disso, a ênfase tem sido em produtos que exigem transformação ou mesmo, e este é o pior cenário, a destruição da própria biodiversidade. O resultado disso são produtos de baixo custo com pouco valor agregado, como monoculturas, pecuária extensiva e mineração.

Enquanto insistimos nesta fórmula econômica, o mundo avança em direção à Quarta Revolução Industrial, com seus incríveis desenvolvimentos em genética e biologia. Apesar de terem materiais genéticos excepcionais, nossos países estão perdendo força e não conseguindo capitalizar nossas riquezas naturais. Isso é uma falta de compreensão de que há uma necessidade de salvar esses materiais, o que nem sequer é feito de forma eficaz. Devemos usar nossa biodiversidade de forma inovadora e sustentável. O que é ainda melhor, podemos fazer isso conservando nossa biodiversidade e mantendo nossos ecossistemas.

Para fazê-lo, no entanto, devemos avançar urgentemente na economia do conhecimento da Quarta Revolução Industrial. Podemos pensar que isso não é possível em nossos países, mas, pelo menos no Brasil, houve exemplos que mostram que, quando há vontade política e planejamento adequado, os resultados são positivos. Este é o caso da agricultura e da pecuária, que foram modernizadas após a criação da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Outro exemplo é a EMBRAER (Empresa Brasileira de Aeronáutica), que contrata a maioria de seus profissionais do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), uma notável escola de engenharia que manteve altos padrões internacionais desde a sua fundação. Existem outros bons exemplos entre os produtores de papel e celulose, como a Fibria e outros que se associaram às melhores universidades brasileiras, resultando em avanços exemplares que são respeitados em todo o mundo.

Exemplos sobre o que não devemos fazer são abundantes, como manter o modelo atual de desenvolvimento, que só irá intensificar as perdas sociais e naturais. Não adianta construir centros de pesquisa se não houver profissionais ou investimentos de alto nível para alavancar a qualidade de um determinado campo. Alguns centros têm laboratórios caros, mas não possuem a equipe de profissionais capaz de conceber novas ideias que favoreçam o uso da biodiversidade que podem resultar em ganhos sociais, econômicos e ambientais.

Houve uma falta geral de apoio para a implementação de modelos econômicos ousados ​​que permitiriam que esses países explorassem os setores econômicos mais dinâmicos, como aqueles que dependem do uso intensivo do conhecimento - biotecnologia, informática e comunicações. Esses setores poderiam acelerar o crescimento e reduzir a exploração dos recursos naturais. Parece evidente que, para se desenvolver no mundo de hoje, a sociedade precisa ser rica em conhecimento. Isso, por sua vez, requer investimento em capital humano e importação e posterior exportação de produtos que dependem do conhecimento e não apenas dos recursos naturais. A implicação para uma política de desenvolvimento para um futuro mais equilibrado e próspero é adotar mecanismos políticos que abandonem o uso intensivo dos recursos naturais; e combinar educação e pesquisa de novas maneiras que permitem ganhos econômicos através de uma nova visão que respeite a natureza e evite a sobreexploração da biodiversidade.

O acesso aos recursos genéticos deve, naturalmente, ser regulado para proteger o meio ambiente e assegurar a justiça social, e esses objetivos exigem muito mais do que apenas leis ou tratados. Eles exigem uma mudança de paradigma que inclua um contrato social que reflete o planejamento consultivo com metas e objetivos claros que podem ser implementados de forma contínua e em longo prazo, em todos os setores da sociedade. Aumentar a capacidade científica dos países em desenvolvimento e educar os profissionais que podem mudar seus países para o desenvolvimento baseado no conhecimento parece mais importante do que proteger partes de terra como reservas, ou mesmo transformar áreas naturais em monoculturas agrícolas, como tem sido a tendência atual.

A cooperação interinstitucional ou mesmo continental pode certamente contribuir para o conhecimento necessário para determinar como a biodiversidade pode se tornar uma fonte de riqueza para um país, em vez de ser vista como algo a ser destruído. Somente com esse conhecimento, nossos países podem se tornar exportadores de recursos naturais de forma a não mais promover a extinção de espécies e a destruição da biodiversidade. Um uso sólido e racional baseado no conhecimento da biodiversidade pode levar à justiça social e um relacionamento respeitoso com a natureza, o que, por sua vez, pode aumentar sua proteção para as gerações atuais e futuras. Isto, em nossa opinião, parece um desafio apropriado para a América Latina no início do século XXI.