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O Brasil é o país com a maior diversidade de primatas do mundo, concentrando 20% de todas as espécies existentes. Só na Mata Atlântica habitam aproximadamente 24 primatas, sendo dois terços exclusivos do bioma, inclusive todas as espécies de micos-leões (Leontopithecus) e muriquis (Brachyteles). Entretanto, mais de 70% dessa riqueza está ameaçada, contribuindo para tornar a Mata Atlântica um hotspot de biodiversidade e uma das maiores prioridades globais para a conservação de primatas.

Em abril, 45 especialistas, como gestores ambientais, pesquisadores e conservacionistas, representantes de 33 instituições, do Brasil e do exterior, reuniram-se para elaborar o Plano de Ação Nacional para a Conservação (PAN) dos Primatas da Mata Atlântica e Preguiça de Coleira. O PAN tem como alvo 13 primatas da Mata Atlântica e a preguiça-de-coleira, ameaçados de extinção. Destes, os mais ameaçados são dois primatas classificados como “criticamente em perigo”: o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) e o barbado (Alouatta guariba guariba), este último listado entre os 25 primatas mais ameaçados do mundo desde 2012. Existem ainda oito considerados “em perigo”, dentre eles o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) e o mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara), amplamente pesquisados pelo IPÊ com objetivos de conservação. O objetivo do plano é aumentar o habitat e reduzir o declínio dessas populações nos próximos cinco anos.

O pesquisador do IPÊ Leonardo Silva esteve presente no encontro para desenho do PAN. Segundo ele, estar ali foi uma grande chance de influenciar as decisões sobre o futuro das espécies. "Após uma década da criação do  CPB (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros), teremos finalmente um PAN para todas as espécies de primatas ameaçados no Brasil.  Foi uma semana de discussões e oportunidades que se abriram para os próximos cinco anos. Pudemos contemplar também as ações de restauração que realizamos, inclusive, agora do corredor norte", afirmou.

 

"Banana, mamão, feijão de corda, limão, laranja, maracujá... Aqui é tudo natural, a gente faz o controle biológico tudo de forma caseira. Quando a gente vende o produto, isso faz diferença pra quem compra. Tem gente que prefere assim. Ainda é difícil competir com o preço de quem faz o modelo convencional, usando veneno, e que sai mais barato, mas as pessoas aceitam bem nosso produto", diz Tiago Natércio da Silva, um dos beneficiados pelo projeto Sistemas Agroflorestais, do IPÊ.

Em seu lote de 15 hectares no assentamento, além da produção de leite, o espaço de um hectare de SAF ajuda o agricultor no sustento da mulher - que o ajuda com o trabalho no lote - e três filhos. A produção de frutíferas, verduras e leguminosas é vendida a iniciativas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e o excedente é usado para consumo e comercialização em feiras e de porta em porta, na zona urbana de Euclides da Cunha Paulista.

O agricultor afirma que vale a pena investir em variedade de alimentos para conseguir renda em diferentes fases do ano e com produtos diferenciados, como o café sombreado. A estimativa para a safra 2017/2018 é de uma colheita de 30 toneladas entre os produtores do projeto, como Tiago. Em 2016/2017 o número foi de 1,6 toneladas.  O IPÊ contribui para o escoamento da safra excedente de café, com a torra e embalagem do produto para comercialização. 

A produção de mel de abelhas sem ferrão também é uma das iniciativas que ajudam na variedade de produtos no lote. Essa é a próxima aposta de Tiago.

"Quero ter tempo para investir mais também nas abelhas jataí (sem ferrão), que já tenho aqui no lote por causa do projeto, e que eu acho que dá pra produzir mais mel e ter mais caixas", conta.

Na propriedade do assentado, a primeira coleta de mel de abelhas jataí foi de 500ml, destinado ao consumo familiar. A produção foi iniciada com apoio do IPÊ, em 2016, quando o projeto "Jardineiras da Floresta" implementou colmeias com abelhas em 20 propriedades que já participavam dos SAFs. A ideia não é só a produção do mel para geração de renda, mas impulsionar a proliferação de insetos polinizadores nas áreas. As abelhas ajudam na manutenção das árvores e na produção de alimentos no lote e também em terrenos vizinhos. Estima-se que elas polinizem áreas em um raio de até mil metros. Os assentados, por sua vez, compreendem a importância ambiental das abelhas. Em pesquisa recente, o IPÊ verificou que 34% dos criadores de jataí utilizam o recurso para consumo e polinização de vegetais, 29% apenas para consumo, 29% para venda e polinização da área, e 8% para venda exclusiva.

"É bom ter essa produção de mel e de alimentos no lote, mas é bom também que com o SAF tem aparecido bichos na nossa propriedade. Tem mais espécie de pássaro que antes a gente não via, até tatu galinha tá aparecendo", comenta Tiago. 

 

Organizações parceiras do projeto Motivação e Sucesso na Gestão de Unidades de Conservação (MOSUC) participaram do curso “Noções Básicas para Fortalecimento das Instituições locais”, de 7 a 11 de maio, na sede do IPÊ, em Nazaré Paulista (SP). A proposta faz parte de uma experiência-piloto de fortalecimento da Gestão das Unidades de Conservação parceiras do projeto. Esta foi a segunda atividade do projeto piloto, que começou com uma oficina de integração entre organizações, em novembro.

Ao todo, 27 pessoas de 12 organizações tiveram acesso a palestras com profissionais das áreas de Planejamento Estratégico, Gestão Administrativa e Financeira, Elaboração de Projetos, Captação de Recursos, Comunicação, Comercialização de Produtos e Serviços, e Negócios da Sociobiodiversidade.

“A proposta é fortalecer as organizações por meio de capacitações e atividades para que elas possam atuar em rede, desenvolvendo projetos em parceria com as Unidades de Conservação nas regiões onde já atuam, contribuindo mais efetivamente com a gestão dessas áreas protegidas”, afirma a coordenadora do projeto Angela Pellin.

O projeto piloto também é responsável pela articulação na contratação de pessoas por meio dessas ONGs, com o objetivo de ampliar o número de profissionais na gestão dessas unidades. A ideia dessas capacitações é de também fazer com que as organizações estejam preparadas para lidar com todas as questões que envolvem a prática dessa atividade. De acordo com Aldeci Cerqueira (Nenzinho), da associação da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema (Acre), a contratação de pessoal tem trazido benefícios amplos.

“O projeto nos deu oportunidade de nos aproximar mais do ICMBio, o órgao gestor da unidade, trabalhando de forma integrada. Pra mim esta sendo muito importante. A Associação já fazia o trabalho com o ICMBio, mas com a equipe reduzida, tínhamos dificuldade de chegar nas comunidades. Essa gestão integrada (com a chegada de técnicos contratados) proporciona melhor atentimento às comunidades”, comenta.

Maria Aparcida Monte, da Fundação Viver , Produzir e Preservar, concorda. “O projeto tem colaborado bastante tanto na gestão como também da proximidade. A gente vive no nosso território a realidade de ter que atuar junto a seis Unidades de Conservação em uma área que a gente diz ser quase de um tamanho continental. Com o tamanho da equipe que a gente tinha antes, dificilmente conseguiriamos estar presentes e contribuindo de forma mais satisfatória em todas as unidades”, diz.

 

Os brasileiros são usuários assíduos de internet. Estima-se que mais de 100 milhões estejam conectados à rede de alguma maneira e que 90,8% destes utilizem alguma rede social. Só no Facebook, esse número chega a mais de 94%. Na lista de quem utiliza a internet como veículo de comunicação, tem muito brasileiro liderando rankings como influenciadores digitais, batendo recordes de seguidores e de visualizações de postagens.

Olhando para todo esse potencial, o Estúdio Cais – Projetos de Interesse Público criou o projeto VIRALIZE. A proposta é informar esse grande universo de pessoas sobre projetos e causas socioambientais, com apoio de influenciadores digitais, e convidá-los a se engajarem pela cultura de doação no Brasil. O objetivo é avançar e ampliar o montante de recursos doados atualmente, que é somente 0,23% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

O VIRALIZE vai conectar influenciadores digitais, já comprometidos com alguma causa ou agenda socioambiental e que engajam uma enorme audiência em suas plataformas digitais, a projetos e organizações alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e que estejam com captação aberta, diretamente em suas redes ou por meio de plataformas de financiamento colaborativo, como é o caso do IPÊ.

"O objetivo é trazer novos públicos e formadores de opinião para a conversa, ampliando a intenção de doação e permitindo que o tema se espalhe em diversas frentes", diz Gabriela Moulin, sócia do Estúdio Cais, que lembra que esse movimento é fundamental, pois, apesar do Brasil ser um país doador, o volume de recursos ainda é muito pouco em termos do potencial existente no país.

A iniciativa atua em cinco causas – Educação, Direitos Humanos, Saúde e Bem-estar, Meio Ambiente e Cultura – e, neste momento, indica cerca de 50 projetos e organizações, de diversas regiões do país. Todo o material com informações sobre as causas, assim como a respeito das organizações e projetos, estão disponíveis na plataforma www.viralizedoacao.com.br.

 

Confira vaga para projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade no PARNA Cabo Orange - Componente florestal.

Local Previsto de Execução das Atividades: Parque Nacional do Cabo Orange, Oiapoque, Amapá-Brasil.
Objetivo: Apoiar o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e o ICMBio (PARNA Cabo Orange) fazendo acompanhamento das coletas nas três unidades amostrais para monitoramento de mamíferos/aves e borboletas, localizadas nas comunidades de Cunani e Vila Velha.

Perfil: Ter formação na área de biologia, ciências ambientais, ecologia ou áreas a fins com experiência em processos participativos, incluindo planejamento e monitoramento de projetos na área de conservação, monitoramento e manejo dos recursos naturais. Ter disponibilidade para viajar para as áreas protegidas a serem monitoradas e potencialmente trabalhar no final de semana, e quando for necessário para logística de trabalhos em campo. Desejável residir em Macapá, Amapá.

Confira TERMO DE REFERÊNCIA