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DSCN0226Esta semana a equipe de Educação Ambiental do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas realiza palestras para professores da rede pública de ensino, no município de Vargem (SP).

As palestras acontecem na Escola Municipal Sargento José Monteiro para professores que participam das reuniões de planejamento. A ideia é apresentar para esse público o projeto “Semeando Água”, que é patrocinado pela Petrobras.
Durante as reuniões a educadora ambiental Andréa Pupo explica os principais objetivos do projeto na região e mostra as primeiras ações realizadas nas cidades, como a parceria com o proprietário rural José Bragion, em Joanópolis, que converteu o seu pasto convencional para o sistema rotacionado. “É importante participarmos e apresentarmos os projetos nessas reuniões de planejamento, já que esse é o momento em que os professores estão pensando em suas ações para o ano. Assim, podemos contribuir para a inserção da temática Meio Ambiente e Educação Ambiental em seus planos de aulas e disciplinas”, explica Andrea.

O próximo evento na cidade será no dia 22 de maio às 16h na Câmara Municipal de Vargem. A proposta é apresentar o projeto para a comunidade em geral.

Entre os dias 6 e 9 de maio, o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas estará com técnicos do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em comunidades da área do assentamento do Incra, PDS Cuieiras/Anavilhanas, para fazer o cadastro de agricultores e emissão de Declarações de Aptidão ao Pronaf (DAPs) e para a Carteira do Produtor.

As DAPs são utilizadas como instrumento de identificação do agricultor familiar para acessar políticas públicas. Já a Carteira do Produtor é um benefício do Governo do Estado do Amazonas para produtores rurais. O Incra também vai cadastrar as esposas de assentados que não estão cadastradas na relação de beneficiários do assentamento para que elas possam receber o “Bolsa Verde”, programa do Governo Federal. Além disso, haverá reuniões em cada comunidade para esclarecer questões sobre o assentamento, DAP e outras referentes à agricultura familiar.

A emissão dos documentos e articulação com instituições vinculadas à assistência técnica, produção e comercialização na área rural faz parte de uma das estratégias para fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis na margem esquerda do Baixo Rio Negro. Apoiar as comunidades nesse desafio é um dos objetivos do projeto Eco-Polos Amazônia XXI, do IPÊ. Com os documentos, deve haver mais facilidade no acesso às políticas públicas voltadas à agricultura familiar e comercialização dos produtos da agrobiodiversidade da Amazônia, apoiando geração de renda nessas localidades e valorizando ainda mais os produtos da região.

“A ideia é que todas as comunidades sejam beneficiadas. Mesmo aquelas que não estão no cronograma de visitas podem se deslocar a comunidade mais próxima para participar”, explica Mariana Semeghini, coordenadora de projetos do IPÊ.

Por Suzana Padua

Ainda somos perguntados por que trabalhamos para salvar animais ameaçados de extinção com tanta gente passando fome. A escolha de se dedicar com a proteção da natureza é digna de crítica por pesquisadores da área social, que insistem em priorizar a humanidade em face à natureza, como se não fôssemos parte do mundo natural, e como se a sociedade não dependesse do equilíbrio ambiental. É verdade que a espécie humana parece ter se esquecido de sua essência natural e que se colocou como superior às demais, sentindo-se no direito de usar e abusar dos recursos. Hoje, a decisão de quem vai ou não sobreviver ao longo do tempo está nas mãos de uma só espécie: a nossa.

O contrário é igualmente comum. Cientistas da natureza dificilmente aceitam que se lide com a sociedade. Conservação precisa ser 'pura', ou seja, deve se ater às espécies encontradas nos ecossistemas naturais. E muitos creem que o ser humano atrapalha e estraga e, por isso, deve ficar longe das áreas naturais. A questão é como tornar a natureza preciosa, que vale a pena ser protegida?

A meu ver, a beleza está na inclusão e não na exclusão das escolhas, que sempre acabam prejudicando parte do que é vivo. Nem se ater às questões meramente sociais e nem às preservacionistas. Somos natureza e precisamos redescobrir o amor pela nossa essência e, assim, reaprendermos a respeitar e nos assombrar com a beleza dos sistemas que ajudam a provocar tanta complexidade e detalhes que fazem a vida possível.

A postura de superioridade do ser humano frente a outras espécies está ligada à interpretações errôneas. A ideia de que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus deveria ser utilizada para elevarmos nossa responsabilidade e "maravilhamento" de tudo o que existe nesse planeta e no cosmos, de modo a nos sentirmos parte dessa teia da qual somos integrantes.

Pensadores como Bacon e Descartes levaram a premissa de termos o direito de utilizar a natureza ao nosso bel prazer ao extremo. Mas, de lá para cá, o que fizemos foi colocar as ideias deles e de muitos outros que seguiram essa linha de pensamento em prática, levando o planeta a evidentes formas de insustentabilidade. Há séculos que usamos a natureza de maneira impensada, e resistimos bastante à ideia incômoda, mas imprescindível, de que somos responsáveis pelas perdas que estamos vivenciando. Se nos deparamos com falta de água é por que desmatamos e tratamos indevidamente as nascentes e os mananciais. Se estamos vivendo uma época de doenças, fomos nós que envenenamos os alimentos com produtos tóxicos e nocivos à saúde. Se os recursos estão acabando, por termos os utilizado de modo irresponsável. O fato é que o planeta é finito e o tratamos como infinito.

Leia mais em: http://www.oeco.org.br/suzana-padua/28251-um-mundo-proativo-precisa-acreditar-que-e-possivel-melhorar

Projeto “Semeando Água”, do IPÊ, leva informação a proprietários rurais da região que abrange o Sistema Cantareira

DSCN0077Durante os dias 22, 23 e 24 de abril, o IPÊ realizou o II Curso de Manejo de Pastagem Ecológica nos municípios de Piracaia (SP) e Joanópolis (SP), com o objetivo de ensinar produtores rurais, representantes de prefeituras, sindicatos rurais e Casas de Agricultura (CATI) a converterem a pastagem convencional para o pastoreio rotacional.

A capacitação está prevista no projeto “Semeando Água”, que é patrocinado pela Petrobras e vem desenvolvendo ações para a conservação de recursos hídricos em municípios que abrangem o Sistema Cantareira, por meio de manejo de pasto, restauração e educação ambiental.

A capacitação foi ministrada pelo professor e engenheiro agrônomo, Jurandir Melado, que apresentou aos participantes as vantagens e benefícios do Sistema de Pastagem Ecológica: diminuição de uso de pesticidas; ganho na produção animal, uma vez que o gado gastará menos energia pastoreando em áreas menores e ainda consumirá a melhor parte das forrageiras; conservação da água, por meio da recuperação do solo que passará por períodos de descansos. Segundo o professor, a implantação do sistema tem baixo custo para o produtor e permite o equilíbrio entre animal, solo e pasto.

Nos dois primeiros dias, o curso aconteceu na Fazenda Cravorana, propriedade parceira do projeto onde estão sendo implantados cerca de cinco hectares do manejo ecológico de pastagem. “Uma grande preocupação para nós é a sustentabilidade da fazenda, estamos trabalhando para isso, aprimorando técnicas, preservando as APPs - Áreas de Proteção Permanente e futuramente construiremos um viveiro de mudas. O ‘Semeando Água’ veio de encontro a essa nossa vontade, e como já conhecíamos o IPÊ aceitamos o convite de participar do projeto. Estamos animados para ver os primeiros resultados do manejo, inclusive para replicá-lo em minha outra fazenda em Goiás”, comenta João Roberto de Arruda Sampaio, proprietário parceiro do município de Piracaia.

No último dia de curso, o grupo conheceu o Sítio dos Compadres, propriedade no município de Joanópolis (SP), onde ocorreu o I Curso de Manejo de Pastagem Ecológico e local onde o sistema foi implantado. Lá, o proprietário rural introduziu 11 cabeças de gado que permanecem três dias em cada piquete, enquanto os outros 15 descansam o solo. “Senti diferença em meu pasto e no solo que parece estar armazenando mais água agora”, comenta José Bragion.

Para o professor, que também ministrou o primeiro curso em outubro de 2013, é notável a diferença na paisagem. “Mesmo com a falta de chuva já podemos observar a melhora no solo, apenas por ele estar descansando. A tendências é melhorar ainda mais com o manejo do gado”, afirma Jurandir Melado.
Os próximos passos do projeto é implantar outras quatro unidades demonstrativas do sistema de pastagem ecológico.

Nos dias 14 e 15 de abril, o Clube de Mães Maria de Nazaré recebeu a visita do Consulado da Mulher, com o objetivo de dar início a uma parceria com o IPÊ na assessoria a empreendimentos de mulheres na região do Baixo Rio Negro (AM). Formado por mulheres ribeirinhas e agricultoras da Comunidade São Sebastião, o Clube existe há 13 anos. Desde 2009, segundo Maria de Jesus Pascoal, 49, que é uma das fundadoras, elas trabalham na produção de doces, biscoitos, geleias e balas com frutas regionais e contam com a parceria e apoio do IPÊ.

Representante do IPÊ no encontro, Mariana Semeghini, ressaltou que isso significa o primeiro passo da parceria com o consulado. “A ideia é que com a concretização da parceria e todo o conhecimento e experiência do consulado na assessoria de empreendimentos femininos, nós possamos melhorar nossa atuação com os grupos de mulheres da região do Baixo Rio Negro, na gestão e aprimoramento da produção. Além disso, os empreendimentos serão monitorados pela metodologia de gestão de empreendimentos solidários por meio de indicadores desenvolvida pelo consulado”, ressaltou.

A experiência da visita serviu também para o consulado ter um diagnóstico do grupo, conforme destacou Aldaci Sousa, educadora do consulado. “O momento foi de conhecer o grupo, ver como tudo funciona e apontar alguns indicadores da vigilância sanitária, por exemplo”, disse Aldaci ao resumir a experiência do primeiro dia.

No segundo dia, três integrantes do clube participaram de uma atividade com mulheres do Sabores do Tarumã, que trabalham com sorvetes e já são assessoradas pelo consulado. “Tivemos uma troca de experiências para que de alguma forma as experiências dessas mulheres ajudem nas atividades do clube”. Ainda segundo Aldaci, atuar em conjunto com o IPÊ para o clube será importante também devido a dificuldade de acesso a comercialização delas.

Quem gostou e aprendeu com o que foi falado durante os encontros foi a própria Maria de Jesus. “Se tudo que foi falado aqui der certo vai ser maravilhoso pra gente. Gostamos muito e estamos animadas para ver o resultado”. Hoje, após a parceria com IPÊ, o grupo já leva os produtos para feiras e eventos que valorizam o trabalho delas.

“Já vendemos nosso produtos em feiras no Rio de Janeiro e isso é muito gratificante. Então, sentimos que essa melhoria só vai nos ajudar a crescer”, finalizou Maria de Jesus.

Retirado de: Blog Eco-Polos