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A parceria entre IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para o projeto Motivação e Sucesso na Gestão de Unidades de Conservação (MOSUC) foi renovada por mais dois anos. Desde 2012, o projeto tem apoiado a gestão das UCs federais no Brasil, incentivando o empreendorismo dos gestores com relação a boas práticas de planejamento e gestão, fomentando arranjos que ampliem o número de pessoas atuando diretamente junto com os gestores (parcerias e voluntariado), e construindo plataformas que disseminem informação e conhecimento. Para que isso tenha o impacto esperado, o IPÊ articula e dá suporte técnico a várias atividades com participação de gestores, comunidades, voluntários e parceiros.

Com a renovação da parceria, o IPÊ dará continuidade no apoio em rede às instituições locais para a gestão das UCs da Amazônia por meio da contratação de colabores que auxiliam na implementação de novos planos de ação, em conjunto com o ICMBio e financiado pela Gordon and Betty Moore Foundation. Essa é uma estratégia pioneira, adotada para suprir a necessidade dos gestores em número de pessoal na realização das atividades em unidades com áreas de grande extensão.

Por intermédio de 12 instituições locais no bioma, foram contratados 54 colaboradores. As contratações são parte de uma experiência piloto, que estimula a atuação em rede para o fortalecimento da gestão das UCs na Amazônia. A iniciativa contempla 14 áreas, compostas por UCs e núcleos de gestão integrada (NGIs), pertencentes ao bioma. Para cada uma dessas áreas foram identificadas instituições com interesse em compor essa experiência-piloto. Os profissionais contratados são residentes das áreas contempladas ou de seu entorno imediato e maiores de 18 anos.

O apoio desses profissionais tem trazido benefícios às UCs, como relata Aldeci Cerqueira (Nenzinho), da associação da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema (Acre). “O projeto nos deu oportunidade de nos aproximar mais do ICMBio, o órgao gestor da unidade, trabalhando de forma integrada. Pra mim esta sendo muito importante. A Associação já fazia o trabalho com o ICMBio, mas com a equipe reduzida, tínhamos dificuldade de chegar nas comunidades. Essa gestão integrada (com a chegada de técnicos contratados) proporciona melhor atendimento às comunidades”, comenta.

O trabalho junto às instituições locais busca gerar emprego e renda nas comunidades envolvidas com as UCs, superar problemas associados com a dificuldade de adaptação dos contratados aos costumes e modos de vida local, aumentar o vínculo da comunidade com as unidades e fortalecer a estrutura organizacional de instituições locais que já possuam alguma relação com a UC.

As UCs ou NGIs contempladas por essa etapa do projeto são:

  1. Núcleo de Gestão Integrada Itaituba;
  2. Núcleo de Gestão Integrada Altamira;
  3. Parque Nacional do Jaú;
  4. Parque Nacional de Anavilhanas;
  5. Reserva Extrativista do Rio Unini;
  6. Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns;
  7. Floresta Nacional Tapajós;
  8. Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema;
  9. Estação Ecológica Maracá;
  10. Parque Nacional Juruena;
  11. Núcleo de Gestão Integrada Amapá Central;
  12. Parque Nacional do Viruá;
  13. Parque Nacional Mapinguari;
  14. Reserva Biológica Gurupi.

Já é possível acessar o relatório de atividades anual do IPÊ, referente aos trabalhos e resultados de 2017.

Na edição bilíngue (português/inglês), conheça os projetos realizados, os depoimentos de beneficiários e parceiros e o que temos desenvolvido em favor da biodiversidade brasileira junto com apoiadores, comunidades, doadores, alunos e professores da ESCAS, pesquisadores e todos aqueles que nos ajudam a transformar a realidade socioambiental no Brasil.

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Até desembocar no oceano da cidade de Itacaré, na Bahia, o Rio de Contas, também chamado de Rio das Contas, percorre mais de 620 quilômetros desde a sua nascente na Serra da Tromba. No caminho, passa por 12 pequenas cidades, entre elas, Ipiaú. Ali, junto às águas do rio, nessa região que já teve o cacau como grande fonte de riqueza, Eritan Alves de Oliveira viu nascer seu interesse e engajamento pelas transformações socioambientais.  Ele não fazia ideia, mas seus dias na beira deste rio, ao lado da mãe, que sustentava 11 filhos como lavadeira de roupas, serviriam de grande inspiração e motivação também na vida profissional.

“Minha mãe levava todos os filhos para a beira do rio, só assim poderia trabalhar e cuidar das crianças (...), ela dizia para nós que o estudo era a única coisa que ela poderia nos dar, e que só por este caminho conseguiríamos vencer. Foi disso que nasceu em mim o sonho de transformar a minha vida, da minha família e de ajudar os jovens que desejavam o mesmo”, conta Eritan.


E Giorgina, a dona Gió, como é carinhosamente chamada, tinha razão em dedicar-se ao futuro dos filhos por meio da educação. "Éramos conhecidos como 'os moleques da avenida'. Em uma região de periferia, como a que nós morávamos, certamente eu teria sido um jovem que virou estatística da violência e vulnerabilidade social. A insistência da minha mãe em garantir nossos estudos, deu a mim e  aos meus irmãos um novo caminho. Foi a nossa válvula de escape de uma realidade difícil", reconhece.


Hoje, como gestor do Centro Territorial de Educação Profissional do Médio Rio das Contas, Eritan ajuda cerca de 630 jovens de 16 municípios  que partilham do mesmo sonho de melhorar de vida por meio de uma boa formação. Para aperfeiçoar seu conhecimento na área socioambiental, Eritan buscou o Mestrado Profissional da ESCAS, no sul da Bahia. Envolvido em variadas iniciativas e sempre preocupado em proporcionar oportunidades para cada vez mais pessoas, ele trabalha com a proposta de neutralização do dióxido de carbono emitido pelos ônibus que levam os alunos até a escola e, junto com eles, já trabalha para a criação do Núcleo de Gestão Ambiental. Além disso, faz parte da Associação de Moradores e trabalha junto à comunidade para a conscientização de todos para a conservação do Rio de Contas. "É triste falar para nossas crianças hoje não nadarem em um rio que fez parte da minha infância. Mineração e poluição afetaram muito as  suas águas durante anos. Como parte de meu projeto no Mestrado, quero estudar como iniciar uma mudança, revitalizando o rio, restaurando a mata ciliar, junto com a comunidade". 

 

 

Nos dias 24 e 25 de maio, o IPÊ e o Cepam - Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica - do ICMBio em Unidades de Conservação (UCs), realizaram em Manaus a oficina do protocolo de monitoramento do manejo do pirarucu (Arapaima gigas). O encontro buscou discutir o modelo de monitoramento do pirarucu em áreas protegidas do Amazonas, destacando as experiências já realizadas, para a definição de um protocolo de monitoramento do manejo do pirarucu em UCs Federais.
 
O evento contou a presença de pesquisadores de instituições de ensino parceiras como  UFAM e INPA, federais (IBAMA e ICMBio), Instituto Mamirauá e demais entidades envolvidas direta ou indiretamente com o manejo do pirarucu, Wildlife Conservation Society (WCS) e Instituto Socioambiental (ISA).