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Projeto beneficia 51 famílias com implantação e enriquecimento de Sistemas Agroflorestais (SAFs). Ao todo, o trabalho abrange 51 hectares de assentamentos rurais, distribuídos em SAFs biodiversos e Sistemas Agrossilvipastoris, nos municípios de Mirante do Paranapanema, Teodoro Sampaio e Euclides da Cunha (SP). 

Além de orientação nesse modelo de produção que beneficia a floresta e a renda dos assentados, os participantes também passam por capacitação em produção agroecológica e em gestão e comercialização de produtos.

Como resultados do projeto, são esperados: 

  • Geração de renda para as famílias envolvidas; 
  • Conciliação da produção com conservação ambiental;
  • Envolvimento comunitário;
  • Melhoria da paisagem com plantio de Sistemas Agroflorestais (SAFs);
  • Transição para produção agroecológica.

Principais atividades:

  • Implantação de 34 hectares de Sistemas Agroflorestais biodiversos com bases de produção agroecológica.
  • Enriquecimento de 11 hectares com espécies florestais nativas, exóticas e frutíferas tornando-os biodiversos.
  • Implantação de seis hectares de Sistemas Agrossilvipastoris.
  • Capacitação em agrossilvicultura e em gestão de comercialização de produtos para assentados.
  • Extensão agroflorestal para 51 famílias envolvidas no projeto.

O Projeto Café com Floresta, realizado desde 2001 com agricultores assentados de reforma agrária, é baseado na implementação de um sistema diversificado, que associa o café (Coffea arabica L.) com o cultivo de culturas anuais como feijão, milho, mandioca e espécies de árvores nativas da Mata Atlântica. A iniciativa gera benefício à terra, à biodiversidade, ao produtor e ao consumidor.

As áreas de café com floresta são implementadas principalmente nos assentamentos próximos a fragmentos florestais, que visam desempenhar o papel de “trampolins ecológicos”, ou seja, bosques florestais que viabilizam o trânsito de algumas espécies da nossa fauna, na comunicação entre um fragmento e outro, possibilitando o fluxo gênico e aumentando a diversidade genética nestes locais.

A presença das árvores neste sistema possibilita uma menor susceptibilidade à geada, que é um grande risco na produção do café. Além disso, com um manejo agroflorestal reduzem-se os danos causados pelo uso do agrotóxico, que afetam o produtor, o meio ambiente e quem consome os produtos ali gerados. Outra vantagem desse processo encontra-se é a autossuficiência do produtor na condução da cultura do café, pois os insumos (biofertilizantes, inseticidas orgânicos e o homus de minhoca utilizado na adubação do café) podem ser encontrados na sua propriedade ou produzidos pelo agricultor, diminuindo os custos do cultivo.

Paralelamente às atividades de plantio de café orgânico, os pesquisadores do IPÊ buscam sensibilizar os agricultores sobre a valorização dos recursos naturais disponíveis nas propriedades locais e que normalmente não são aproveitados pelas famílias, como esterco da bovinocultura de leite, de galinhas e suínos, que fazem parte da exploração familiar. Folhas que caem de árvores e normalmente eram queimadas como lixo, passaram a ser aproveitadas junto com os restos de culturas. Tais materiais reunidos são agora utilizados na formulação de composteiras, que melhoram consideravelmente a fertilidade do solo.

Atualmente, a mudança de comportamento dos produtores em relação ao novo modelo de produção já pode facilmente ser visualizada na condução da propriedade, não somente na área referente ao Projeto Café com Floresta, mas em outras atividades da propriedade. Outro ótimo resultado do trabalho do IPÊ é o plantio diversificado com culturas de subsistência aplicado nas propriedades. Do mesmo lote onde se encontra a plantação de café, o produtor retira outros produtos como: mamão, banana, abóbora, milho, mandioca, tomatinho, melancia, melão, batata-doce, quiabo, arroz, feijão, entre outros. A reunião de todas essas culturas pode ser encontrada em uma mesma área, dando uma condição de fartura na subsistência familiar - que antes não acontecia por simples falta de orientação - e enriquecendo o solo para futuras plantações.

  • Promover a conservação e o reflorestamento da Mata Atlântica por meio do cultivo sustentável do café agroflorestal, aliado ao plantio de árvores nativas da floresta que funcionam como trampolins ecológicos, ajudando na movimentação dos animais de um fragmento de mata a outro;
  • Introduzir uma nova maneira de plantar café, que foge ao processo tradicional, sem uso de agrotóxicos, colhido quando maduro e que é importante para a conservação da região, replantando árvores nativas que dão sombra e protegem a plantação de geadas e outros impactos naturais;
  • Oferecer uma alternativa de renda que pode vir a ser significativa aos assentados do Pontal, com práticas que enriquecem a paisagem e promovem a valorização da natureza da região;
  • Oferecer ao mercado um café de qualidade, que pode atingir a classificação gourmet, sem produtos químicos e com o valor agregado por beneficiar famílias de assentados que enfrentam desafios para a sua sobrevivência.