Pesquisa, Educação e Negócios Sustentáveis para a conservação da biodiversidade brasileira.

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Pesquisa científica e inovação socioambiental. Ações de impacto com participação comunitária e educação na Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal e Cerrado.

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Notícias

IPÊ finaliza plantios do primeiro trecho do Corredor Norte, no Pontal do Paranapanema

Pesquisadora do IPÊ recebe prêmio da National Geographic Society, um dos mais importantes do mundo em conservação ambiental

II Seminário de Construção Coletiva de Aprendizados e Conhecimentos acontece em Brasília

De 4 a 6 de junho, o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizam o II Seminário de Construção Coletiva de Aprendizados e...

 

O IPÊ, junto com o ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) desenvolve o Projeto Bandeiras & Rodovias, na cidade de Campo Grande , em Mato Grosso do Sul (MS). O projeto visa avaliar, monitorar e indicar soluções sobre o problema dos atropelamentos e acidentes com tamanduás-bandeira nas rodovias do Estado.

 

 

Nos últimos 35 anos, mais da metade do Cerrado brasileiro converteu-se em terras para atividade agropecuária. A fragmentação florestal contínua afeta o habitat natural de várias espécies do bioma, entre elas o icônico tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla).

Considerado vulnerável à extinção na lista vermelha das espécies (IUCN/ União Internacional para a Conservação da Natureza), o tamanduá-bandeira sofre não apenas com a falta de habitat, mas também com os atropelamentos em rodovias, principalmente naquelas que cortam o Mato Grosso do Sul. No estado, é uma das espécies com maior incidência de atropelamentos, segundo dados levantados pela Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira e pelo projeto Tatu Canastra, ambos do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas. Entre 2013 e 2014, o tamanduá-bandeira foi a terceira espécie mais atropelada, com 135 carcaças encontradas (as duas maiores ocorrências foram de cachorro-do-mato e tatu-peba).

Mesmo sabendo da importância desse impacto para a espécie, faltam estudos sobre como e quando os animais estão morrendo nestas rodovias. Por essa razão, um grupo de organizações, entre elas o IPÊ, se aliou ao ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) para desenvolver o Projeto Bandeiras & Rodovias, realizado na cidade de Campo Grande (MS).

Com duração até 2020, o projeto consiste em três fases. A primeira, que já acontece desde janeiro de 2017, avalia o impacto das rodovias para a espécie, com monitoramentos quinzenais, quantificando os atropelamentos e entendendo o impacto das rodovias na vida dos animais. O projeto também avalia a influência da abertura de estradas e do tráfego de veículos na movimentação e comportamento dos tamanduás, monitorando-os a partir de GPS. A participação da comunidade também é importante nessa fase: os pesquisadores levantam as percepções dos caminhoneiros e moradores rurais sobre a espécie - há relatos de que algumas superstições fazem as pessoas considerarem o tamanduá um símbolo de mau agouro.

A segunda etapa prevê identificar as consequências das rodovias no Cerrado na saúde e densidade populacional da espécie. Para isso serão realizados: estudos de densidade populacional de tamanduás próximos e distantes das rodovias, por meio de armadilhas fotográficas e necropsia de carcaças frescas encontradas no entorno das rodovias, com coleta de materiais biológicos.

A terceira e última etapa está relacionada ao Manejo das Rodovias, quando será redigido um documento com estratégias de mitigação de atropelamentos de tamanduás-bandeira. Com os resultados, deverão ser elaboradas diretrizes de manejo paisagístico e ações para mitigar os efeitos negativos das rodovias, que terão colaboração das partes interessadas no tema e de pesquisadores da América do Sul, por meio de um Workshop Internacional Participativo.

 

 

  • Arnaud Desbiez - coordenador
  • Danilo Kluyber - veterinário
  • Bruna Oliveira - bióloga

 

O tatu-canastra (Priodontes maximus) é a maior de todas as espécies de tatus existentes. Seu tamanho pode chegar  a um metro e meio de comprimento (do focinho à cauda) e mais de 50 quilos. Mesmo com esse tamanho e ampla distribuição por praticamente toda a América do Sul, é uma espécie pouco conhecida. Desde 2010, o projeto Tatu Canastra (realizado pelo IPÊ e The Royal Zoological Society of Scotland)busca levantar mais informações a respeito dessa espécie, seu comportamento e história natural, para a sua proteção.

Existem 21 espécies de tatus, e são apenas encontradas no continente americano. As mais conhecidas no Brasil são o tatu-peba, tatu-galinha e tatu-bola. Eles possuem em comum o fato de terem o corpo coberto de escamas e o dorso por uma carapaça. Esta recobre todo o dorso do animal, do pescoço à base da cauda, e tem como função principal proteger o corpo em contato com o solo e de ataque de predadores. Na porção média do corpo, o número das “bandas ou cintas” transversais pode variar conforme a espécie.

O tatu-canastra (Priodontes maximus) é a maior de todas as espécies de tatus existentes. Seu tamanho pode chegar  a um metro e meio de comprimento (do focinho à cauda) e mais de 50 quilos. Mesmo com esse tamanho e ampla distribuição por praticamente toda a América do Sul, é uma espécie pouco conhecida. Ele está ameaçado pela perda de seus hábitats naturais, como também pela caça e pelos atropelamentos nas rodovias. Daí a sua classificação como vulnerável pela lista vermelha de espécies ameaçadas da IUCN – União Internacional para Conservação da Natureza.

Desde 2010, o projeto Tatu Canastra (realizado pelo IPÊ e The Royal Zoological Society of Scotland) busca levantar mais informações a respeito dessa espécie, seu comportamento e história natural, para a sua proteção. Os trabalhos foram iniciados no Pantanal e, em 2014, as pesquisas expandiram-se também para o Cerrado do Mato Grosso do Sul.

O projeto de longo prazo conta com auxílio de ferramentas como radiotransmissores, armadilhas fotográficas, para fazer o levantamento e pesquisa das tocas do tatu, monitoramento de indivíduos e mapeamento da área em que ele vive. O trabalho é orientado em diferentes frentes: Pesquisa (Ecologia e Epidemiologia); Treinamento e Capacitação; Planejamento de ações regionais e Comunicação. Nesta última, variadas ações buscaram tornar públicos os dados do projeto, e levar conhecimento sobre os tatus-canastra a um número cada vez maior de pessoas.

 

Algumas notícias e conquistas do projeto:

Câmeras do projeto Tatu Canastra flagram mais um filhote no Pantanal

Pesquisador do projeto Tatu-Canastra ganha Oscar da Conservação Mundial

Pesquisador do IPÊ recebe prêmio "Guerreiro da Vida Selvagem" do Houston Zoo

Fotos de pesquisa do Tatu estão entre as melhores do ano em concurso da BBC Wildlife

Estudo no Pantanal (MS) revela papel do tatu-canastra como “engenheiro do ecossistema”

Projeto busca apoio da comunidade para encontrar tatus no cerradoCampanha "Tem Tatu Aqui", em parceria com a SZB, chama a atenção para os tatus do Brasil

 

Levantar informações a respeito do tatu-canastra, seu comportamento e história natural, para a sua proteção nos biomas Pantanal e Cerrado.

 

Arnaud Desbiez - coordenador
Danilo Kluyber - veterinário
Gabriel Massocato - biólogo
Bruna Oliveira - bióloga

 

O trabalho para a conservação da anta brasileira começou na Mata Atlântica e expandiu-se para o Pantanal e Cerrado, no Mato Grosso do Sul. São mais de 20 anos de trabalho que resultaram no mais completo e detalhado banco de dados, fundamental para planejar ações para a conservação da espécie. 

 

Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira

De 1996 a 2007, o IPÊ desenvolveu um programa de pesquisa e conservação da Anta Brasileira na Mata Atlântica do Pontal do Paranapanema (SP) que gerou um enorme banco de dados de informações sobre a espécie. Em 2008, o projeto evoluiu para uma uma abordagem nacional, para abranger mais biomas brasileiros. Assim, foi criada a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB).

O Pantanal passou a ser o foco de pesquisas sobre a anta a partir de 2008.  Na região do Mato Grosso do Sul as ameaças e problemáticas de conservação para a espécie são bastante diversas e nunca havia sido realizado um estudo de longo-prazo sobre a anta brasileira nesta área. Ali, o objetivo é obter dados de demografia, genética e saúde das antas, informações de uso de habitat e do mosaico de fragmentos naturais característicos, buscando estabelecer um programa de pesquisa e conservação de longo-prazo e subsidiar planos para a conservação da espécie na região.

Em 2015, o projeto expandiu para o Cerrado do Mato Grosso do Sul. A cerca de 300 quilômetros da capital Campo Grande, as pesquisas da avaliam o impacto de diferentes ameaças às antas no bioma, como o avanço da agricultura e pecuária sobre o hábitat, os agrotóxicos e a relação com a saúde das antas que vivem na área, além dos atropelamentos em rodovias que cortam o Estado, e que são uma grande ameaça à vida das espécies na região.

A Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB) tem hoje o maior banco de dados sobre a espécie no mundo, e as metodologias de pesquisa e seus resultados apoiam cientistas que trabalham com variadas espécies de anta em vários países. Os dados são disponibilizados para ajudar na implementação de medidas que possam apoiar a proteção da espécie em todos os biomas brasileiros onde ela ocorre.

  1. Pesquisa e Planejamento de Ações
    • Avaliar e monitorar densidade populacional: através de dois estimadores - rádio-telemetria (VHF tradicional e GPS - Telemetria Satelital) e a Técnica de Identificação de Pegadas (Footprint Identification Technique - FIT).
    • Descrever e mapear tamanho de área de uso (home range), tamanho de áreas de maior frequência de uso (core areas) e comportamento territorial: através de rádio-telemetria (VHF tradicional e GPS - Telemetria Satelital).
    • Descrever e mapear movimentações pela paisagem: A anta é uma “espécie paisagem” e informações sobre a maneira como ela usa o complexo mosaico de diferentes tipos de habitat do Pantanal (quando e porquê ela usa certos tipos de habitat, que tipo de recursos ela obtém em cada tipo de habitat etc.) serão cruciais para o desenvolvimento de recomendações de conservação e manejo efetivas, tanto para a anta, quanto para o bioma Pantanal como um todo.
    • Descrever aspectos de organização social e reprodução da espécie: através da utilização de camera-traps.
    • Avaliar e monitorar o status genético populacional: A informação sobre o status genético da anta no Pantanal vai gerar dados quantitativos sobre a distribuição da variação genética dentro da população e entre populações, nos permitindo avaliar a “saúde genética” das populações de anta na região e os riscos de extinção local causados por limitações genéticas, criando subsídios para o estabelecimento de recomendações de conservação que ajudem a garantir a manutenção de suficiente variação genética no longo-prazo.
    • Avaliar e monitorar o status epidemiológico populacional: A avaliação epidemiológica proverá dados sobre a prevalência e incidência de agentes etiológicos (doenças, ectoparasitos, hemoparasitos, endoparasitos, bactérias etc.) afetando a população de antas e também os animais domésticos (bovinos, equinos) na região do Pantanal. A pecuária é a atividade econômica mais importante do Pantanal. O tamanho das fazendas varia entre 10.000 e 200.000 ha e a população de animais é de cerca de 3.5 milhões de cabeças de gado e 49.000 cavalos. A proximidade entre animais silvestres e animais domésticos no Pantanal deve constituir-se em uma importante forma de disseminação e perpetuação de agentes etiológicos, especialmente se considerarmos a recente intensificação das atividades de pecuária e desmatamento na região.
    • Analisar a viabilidade populacional: A Análise de Viabilidade Populacional (Population Viability Analysis - PVA) é a avaliação de dados e modelos que antecipem a probabilidade de que uma dada população sobreviva por um dado período de tempo. O PVA projeta populações futuras e estima parâmetros de persistência de uma população, tais como tempo para extinção, probabilidade de extinção, probabilidade de persistência por 100 anos etc. Uma vez que tenhamos um entendimento claro sobre o status das populações de anta no Pantanal e determinemos os fatores ameaçando essas populações, teremos as ferramentas necessárias para lidar com esses fatores e desenvolver estratégias de conservação. 
  2. Programa de Turismo Científico
  3. Programa de Educação Ambiental 
  4. Programa de Conscientização/Marketing/Campanhas
  5. Programa de Treinamento e Capacitação

O Pantanal é uma das maiores áreas de wetlands contínuas do planeta, cobrindo cerca de 160.000 km² de planícies alagáveis de baixa altitude na parte alta do Rio Paraguai e tributários, no centro do continente Sulamericano. A vegetação sofre influência de quatro biomas: Floresta Amazônica, Cerrado (predominante), Chaco e Mata Atlântica. O verão (Novembro-Março) é quente e chuvoso, enquanto que o inverno (Abril-Outubro) apresenta temperaturas relativamente mais baixas e períodos de seca. O fator ecológico principal que determina os processos e padrões do Pantanal são os pulsos de cheias, que seguem um ciclo anual, monomodal, com amplitude de 2 a 5 metros e duração de 3 a 6 meses. O Pantanal está também sujeito a variações na intensidade das cheias, alternando entre anos de alagamento intenso e anos mais secos.

Os diferentes padrões de sedimentação do Rio Paraguai e seus tributários causados pela alternância entre períodos úmidos e secos levaram ao mosaico de formações geomorfológicas encontradas no Pantanal. Este complexo mosaico de habitats, tipos de solo e regimes de inundação são responsáveis pela grande variedade de formações vegetais e paisagens diversificadas, criando as condições necessárias para uma rica biota terrestre e aquática. Foram identificadas no Pantanal 16 classes de vegetação (fito-fisionomias), as mais importantes sendo gramíneas (31%), cerradão (22%), cerrado (14%), brejos e áreas alagadas (7%), floresta semi-descídua (4%), e floresta de galeria (2.4%).

A região se distingue por sua extraordinária concentração e abundância de vida silvestre. A nível nacional, o Pantanal é reconhecido como “Patrimônio Nacional” pela Constituição Brasileira de 1988, enquanto que a nível internacional este bioma já foi reconhecido por uma série de convenções tais como Ramsar, Convenção de Diversidade Biológica, Convenção de Mudanças Climáticas das Nações Unidas, Convenção de Espécies Migratórias e Convenção do Patrimônio da Humanidade. Atualmente, existe um total de 360.000 hectares sob alguma categoria de proteção, correspondendo a apenas 2.6% do Pantanal Brasileiro.

Historicamente, o Pantanal nunca recebeu muita atenção dos governos nacionais do Brasil, Bolívia e Paraguai, os três países nos quais este bioma está localizado. Entretanto, durante as últimas décadas, a expansão de fronteiras agrícolas e mudanças econômicas e políticas colocaram a região na frente das discussões e planejamentos desenvolvimentistas. Os governos dos três países têm realizado grandes esforços para incluir a região do Pantanal em seus respectivos programas nacionais de desenvolvimento econômico, o que é particularmente evidente no Brasil, que detêm cerca de 85% da área do Pantanal. No meio da década de 70, o governo Brasileiro deu início a uma série de grandes programas de desenvolvimento para o Pantanal, visando a intensificação da utilização dos recursos naturais da região e a integração desta no plano nacional de desenvolvimento do país, sobretudo através da construção de estradas e redes de transmissão de eletricidade. Desde então, nove hidroelétricas com capacidade total de 323MW foram construídas no Pantanal, o projeto para estabelecer a gaseoduto Bolívia-Brasil cruzando o Pantanal de Corumbá a Campo Grande segue progredindo; e existe uma enorme pressão para mudar o curso e canalizar o Rio Paraguai de maneira a facilitar o transporte fluvial de grãos e minérios para o Oceano Atlântico (hidrovia Paraguai-Paraná). O desenvolvimento indiscriminado e a utilização desordenada dos recursos naturais da região podem levar a uma degradação de grande escala e irreversível afetando seriamente as condições de vida das populações humanas e vida silvestre do Pantanal.

Outra grande ameaça para a integridade desse bioma é o fato que os métodos tradicionais de pecuária de baixa-intensidade estão sendo rapidamente substituídos por formas mais intensas de manejo de gado. Durante os dois séculos passados, a pecuária de baixa-intensidade tem sido uma das principais atividades econômicas do Pantanal. Devido ao fato de que este tipo de manejo de gado mantém a estrutura, a função, a biodiversidade e a beleza da paisagem, ele vem sendo considerado como um método bastante sustentável de utilização dos recursos naturais do Pantanal. Atualmente, a pecuária continua sendo a principal atividade econômica da região, com aproximadamente 95% do Pantanal sendo composto por propriedades privadas de tamanho médio de 10.000 hectares. Entretanto, a crescente pressão econômica tem levado os pecuaristas tradicionais a aumentarem o número de cabeças de gado por unidade de área na intenção de aumentar a eficiência da produção de carne e o retorno econômico das fazendas. Como resultado, o que se pode observar é a exaustão de pastagens e a conversão de pastagens naturais em artificiais através da introdução de gramíneas exóticas (500.000 hectares de áreas desmatadas durante os últimos 25 anos). Em 2000, a área total de vegetação original que já havia sido substituída por gramíneas exóticas era estimada em 12.200 km². Como consequência, essas atividades já devem ter afetado cerca de 40% dos habitats de floresta e cerrado do Pantanal Brasileiro.

De 1996 a 2007, o IPÊ desenvolveu um programa de pesquisa e conservação da Anta Brasileira na Mata Atlântica da Região do Pontal do Paranapanema, São Paulo. Este programa gerou um enorme banco de dados de informações sobre a espécie. 

Em 2008, a equipe considerou ter chegado o momento de usar essa experiência para expandir suas iniciativas de pesquisa e conservação da espécie para outros biomas brasileiros e foi estabelecida a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira. A primeira “parada” foi o Pantanal, onde as ameaças e problemáticas de conservação para a espécie são bastante diversas e onde nunca havia sido realizado um estudo de longo-prazo sobre a Anta Brasileira. A meta primordial do Programa Anta Pantanal é obter dados de demografia, genética e saúde das antas, bem como informações de uso de habitat e do mosaico de fragmentos naturais característicos de muitas regiões do Pantanal, visando estabelecer um programa de pesquisa e conservação de longo-prazo e subsidiar a formulação de recomendações para a conservação da espécie na região. Depois do Pantanal, tomaremos os passos necessários para o estabelecimento de programas similares nos biomas Amazônia e Cerrado. 

A pesquisa sobre a Anta Brasileira vem evoluindo significativamente nos últimos anos e muita informação vem sendo produzida através da realização de projetos de pesquisa em diversos países de sua área de ocorrência. Entretanto, as informações obtidas em diferentes países e diferentes tipos de habitat demonstram que a anta apresenta requisitos ecológicos bastante diferentes em diferentes áreas. Através do estabelecimento de novas iniciativas de pesquisa sobre a anta em diferentes biomas brasileiros, o IPÊ espera criar uma perspectiva comparativa para a conservação da espécie, investigando sua ecologia em biomas diferentes da Mata Atlântica. Com isto, teremos um entendimento mais claro sobre estes animais em diferentes biomas, com diferentes matrizes de paisagem e sob diferentes níveis de distúrbio ambiental. Assim, seremos capazes de compreender melhor a ecologia destes animais e suas necessidades em termos de conservação, bem como avaliar a importância e magnitude dos fatores ecológicos afetando as diferentes populações existentes no país. Finalmente, teremos todas as ferramentas necessárias para promover o desenvolvimento e efetiva implementação de estratégias de conservação e manejo para populações específicas de Anta Brasileira por toda a sua área de distribuição.

A meta principal do Programa Anta Pantanal é manter um projeto de longo-prazo para o estudo e monitoramento da Anta Brasileira no Pantanal Brasileiro. Especificamente, o projeto vem avaliando demografia populacional, uso de habitat e movimentos pela paisagem, status genético e status sanitário da população de antas na Fazenda Baía das Pedras, localizada na sub-região ecológica da Nhecolândia, Estado do Mato Grosso do Sul. Posteriormente, essas informações serão utilizadas para avaliar o status de conservação da Anta Brasileira e a viabilidade de suas populações no Pantanal, gerando subsídios para a formulação e implementação de recomendações para a conservação da espécie na região. 

Adicionalmente, estamos comparando os dados e informações coletados no Pantanal com os resultados previamente obtidos durante a realização do Programa Anta Mata Atlântica. Através do uso dessa perspectiva comparativa esperamos estar melhor preparados para entender a importância e magnitude dos fatores ecológicos afetando as populações de Anta Brasileira por toda a sua distribuição geográfica.

Os estudos do IPÊ sobre a Anta Brasileira (Tapirus terrestris) passaram a incluir, desde março de 2015, novas áreas no Cerrado, em Mato Grosso do Sul. A cerca de 300 quilômetros da capital Campo Grande, as pesquisas da Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira (INCAB) avaliam o impacto de diferentes ameaças às antas no bioma. Os novos dados irão aumentar o conhecimento sobre a espécie em mais uma importante área natural.

As pesquisas sobre a anta brasileira já passaram pela Mata Atlântica, na região do Pontal do Paranapanema (de 1996 a 2008), e continuam acontecendo no Pantanal do Mato Grosso do Sul (desde 2008).

No Cerrado, são analisados impactos relacionados a ameaças como atropelamentos em rodovias, avanço da agricultura em larga escala (soja e cana), pecuária de alta densidade, caça e muitas outras ameaças presentes impactam a vida e consequentemente a sobrevivência da espécie. Os atropelamentos em rodovias, inclusive, começaram a ser mapeados ainda em 2013, antes do projeto se estabelecer na região, com dados relevantes sobre a perda de espécies por atropelamentos. (Veja mais em Desenvolvimento Cerrado)

A expansão do projeto para o Cerrado foi possível a partir do Continuation Funding Awards, premiação recebida pela pesquisadora em 2014 por meio da organização britânica Whitley Fund for Nature (WFN).

Resultados prévios das pesquisas, apontam que a sobrevivência da anta brasileira no Cerrado do Mato Grosso do Sul (MS) está sob constante ameaça, devido a ações humanas. Na região, uma série de atividades coloca a vida da espécie em risco, como a remoção de florestas para o desenvolvimento do agronegócio (cana de açúcar, soja entre outras culturas). Entretanto, a ameaça que mais tem chamado a atenção ao longo das pesquisas são os atropelamentos nas rodovias que cortam o estado.

Em apenas sete trechos de estradas do Mato Grosso do Sul (BR-267, BR-163, MS-040, MS-145, MS-134 e dois trechos da BR-262), no período de 3 anos de monitoramento (iniciados no ano de 2013), os pesquisadores da INCAB encontraram 117 antas mortas por atropelamento, inclusive filhotes. Isso significa uma média de quase 4 indivíduos por mês, em uma extensão de cerca de 1.450 quilômetros de rodovias. (Dados até dia 01/06/2016)

A região estudada tem um ambiente muito alterado e paisagem extremamente antropizada e cortada por rodovias muito movimentadas e totalmente sem sinalização para a presença de animais. Os levantamentos também registraram (até 01/06/2016)14 óbitos de pessoas envolvidas em colisões com antas em rodovias do MS.

A anta é um animal de ciclo reprodutivo muito longo, são de 13 a 14 meses para a gestação de um único filhote, que pode sobreviver ou não. A espécie é considerada a “jardineira das florestas” pelo seu alto potencial de dispersar sementes que dão origem a novas árvores e plantas dentro de suas áreas de uso. Perder até 4 indivíduos a cada mês coloca este animal em uma situação de alto risco tanto para sua sobrevivência como espécie quanto para a manutenção de nossas florestas.

As carcaças frescas de antas atropeladas são submetidas a necropsia e amostradas como parte dos estudos de saúde desenvolvidos pela equipe de veterinários da INCAB. Diversas amostras biológicas coletadas durante as necropsias são analisadas para a presença de produtos químicos e agrotóxicos. 

Com a grave ameaça nessas rodovias, os pesquisadores correm contra o tempo para que as antas sobrevivam no Cerrado de MS. Além de monitorar os atropelamentos, a INCAB realiza também capturas de indivíduos para pesquisa. Ao longo de 2 mil km² nessa área recortada por plantações e pecuária, as antas capturadas recebem colares para monitoramento via satélite (com o objetivo de investigar como os animais utilizam a paisagem) e são avaliadas com relação à saúde (presença de doenças infecciosas, intoxicação por agrotóxicos entre outros parâmetros indicativos de saúde) e genética. .

Os resultados de todas essas linhas de pesquisa integrados (monitoramento de atropelamentos, utilização da telemetria para estudos de uso de espaço e da paisagem antropizada e análises de saúde e genética) serão utilizados para buscar estratégias de mitigação das ameaças afetando a espécie na região. Eles já fazem parte do maior e mais completo banco de dados sobre a anta brasileira no mundo, resultado de 20 anos de trabalho da INCAB, completados em 2016.

Relatório Parcial Atropelamentos Cerrado 

Relatório Técnico Impacto de Agrotóxicos e Metais pesados na Anta Brasileira

Patrícia Medici
M.Sc. em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre
Ph.D. Manejo de Biodiversidade, DICE, Universidade de Kent, Inglaterra
Coordenadora, Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira
Presidente, IUCN/SSC Tapir Specialist Group (TSG)
E-mail: epmedici@uol.com.br  ou medici@ipe.org.br

Renata C. Fernandes SantosVeterinária

Caroline TestaVeterinária

Suporte Institucional 

  • Association of Zoos and Aquariums (AZA) Tapir Taxon Advisory Group (TAG) 
  • Copenhagen Zoo, Dinamarca 
  • Edge Species Program, Zoological Society of London, Inglaterra
  • European Association of Zoos & Aquaria (EAZA) Tapir Taxon Advisory Group (TAG) 
  • Faculdade de Veterinária, Universidade  de São Paulo (USP), São Paulo, Brasil
  • Hotel Fazenda Baía das Pedras, Pantanal, Brasil 
  • Houston Zoo Inc., EUA
  • IBAMA SISBIO, Brasil
  • Instituto Biológico de São Paulo, Brasil
  • IUCN/SSC Tapir Specialist Group (TSG) 
  • IUCN/SSC Conservation Breeding Specialist Group (CBSG) 
  • Laboratório Renato Arruda, Campo Grande, MS, Brasil
  • Whitley Fund for Nature (WFN), Inglaterra
  • Wildlife Conservation Network (WCN), EUA
  • WildTrack, Portugal 
  • World Association of Zoos and Aquariums (WAZA), Suíça 
  • Zoológico de Sorocaba, São Paulo, Brasil 
  • Zoológico de São Paulo, São Paulo, Brasil

Suporte Financeiro e In-Kind 

  • AAZK - American Association of Zoo Keepers, Houston, EUA
  • AAZK - American Association of Zoo Keepers, Puget Sound, EUA
  • BBC Wildlife Fund, Inglaterra
  • Brevard Zoo Conservation Fund, EUA
  • Calviac Zoo, França
  • Chester Zoo, North of England Zoological Society, Inglaterra
  • Cleveland Metroparks Zoo, EUA
  • Coins for Change Program, Disney Studios, Canadá
  • Columbus Zoological Park Association Inc., EUA
  • Connecticut’s Beardsley Zoo, EUA
  • Disney Worldwide Conservation Fund, EUA
  • Dutch Zoos Conservation Fund (DZCF), Holanda
  • Elisabeth Giauque Trust, Inglaterra
  • Emmen Zoo, Holanda
  • Fresno Chaffee Zoo, EUA
  • Givskud Zoo, Dinamarca
  • Golden Ark Foundation & Golden Ark Awards 2008, Holanda
  • Hotel Fazenda Baía das Pedras, Pantanal, Brasil
  • Idea Wild, EUA
  • Instituto Iamar, Brasil
  • John Ball Zoo Society, Wildlife Conservation Fund, EUA
  • Klabin SA, Brasil
  • Mohammed bin Zayed Species Conservation Fund, Emirados Árabes
  • Nashville Zoo at Grassmere, EUA
  • Odense Zoo, Dinamarca
  • Oregon Zoo Future for Nature Conservation Fund, EUA
  • Parc Zoologique CERZA Lisieux, França
  • Parc Zoologique d’Amnéville, França
  • Prince Bernhard Fund for Nature, Holanda
  • SeaWorld & Busch Gardens Conservation Fund, EUA
  • Taronga Zoo Foundation, Austrália
  • Tetra Pak Ltda. Desenvolvimento Ambiental, Brasil
  • Vienna Zoo, Áustria
  • Westminster Under School, Inglaterra
  • Whitley Fund for Nature (WFN) & Whitley Awards 2008, Inglaterra
  • Wildlife Conservation Network (WCN), EUA
  • WWF INNO Fund, Holanda
  • ZooParc de Beauval, França

Doações Privadas 

  • Adriano Gambarini, Fotógrafo de Natureza, Brasil
  • Alan Shoemaker, EUA
  • Alice Pena, Brasil
  • Amanda Daly, EUA
  • Ângela Leite, Brasil
  • Anita Ljung, Brasil
  • Anthony B. Rylands, Inglaterra
  • Bengt Holst, Dinamarca
  • Byron Jorjorian, EUA
  • Camila Doretto, Brasil
  • Carla Caffé, Brasil
  • Carol W. Tucker
  • Charles Knowles, EUA
  • Charles Perlitz, EUA
  • Cynthia Manning, EUA
  • Daniel de Granville, Fotógrafo de Natureza, Brasil
  • Daniel Zupanc, Fotógrafo de Natureza, Áustria 
  • David and Patricia Beebe, EUA
  • Dora Levi, Brasil
  • Dorothée Ordonneau, França
  • Eduardo Gaioto, Brasil
  • Elaine Beckham, EUA
  • Elise Smorczewski, EUA
  • François Huyghe, França
  • George Carver
  • Guto Lacaz, Brasil
  • Harmony Frazier and Michael Breen, EUA 
  • Herbert and Sylvia Gold
  • Iaara Rosenthal, Brasil
  • Ian and Carol Duncan
  • Iris de Miranda, Brasil
  • Jeffrey Flocken, EUA
  • João Batista Cruz, Zoológico de São Paulo, Brasil
  • Joseph and Alice Darling
  • Judy Gold
  • Juscelino Martins, Brasil
  • Karen Johnson, EUA
  • Keith Sproule, Namíbia
  • Kelly Russo, EUA
  • Kevin Schafer, Fotógrafo de Natureza, EUA
  • Kristan and Peter Norvig, EUA
  • Laura Mattera
  • Letícia Moura, Brasil
  • Liana John, Brasil
  • Linda Alvarado, EUA
  • Luccas Longo, Brasil
  • Luciano Candisani, Fotógrafo de Natureza, Brasil
  • Luiz Claudio Marigo, Fotógrafo de Natureza, Brasil
  • Mara Cristina Marques, Zoológico de São Paulo, Brasil
  • Marc Hoogeslag, Holanda
  • Marcelo Labruna, Universidade de São Paulo, Brasil
  • Marcos Pereida de Almeida, Brasil
  • Margaret Ellis, EUA
  • Maria Luíza Gonçalves, Zoológico de São Paulo, Brasil
  • Marina Klink, Fotógrafa de Natureza, Brasil
  • Mark Bowler, Fotógrafo de Natureza, EUA
  • Mark McCollow, EUA
  • Matheus Jeremias Fortunato, Brasil
  • Melissa de Miranda, Brasil
  • Michele Stancer, EUA
  • Mitch Finnegan, EUA
  • Nic Bishop, EUA
  • Nicolas and Nathalie Giauque, Inglaterra
  • Noelly Castro, Brasil
  • Paulo Magalhães Bressan, Zoológico de São Paulo, Brasil
  • Pete Puleston
  • Peter Riger, EUA
  • Philip and Janet Kelly
  • Rich Zahren
  • Richard Osterballe, Dinamarca
  • Rick Barongi, EUA
  • Rick Schwartz, EUA
  • Rita & Carlos Jurgielewicz e Família, Brasil
  • Rodrigo Pinho, Zoológico de São Paulo, Brasil
  • Ronald Rosa, Brasil
  • Rorian Guimarães, Brasil
  • Rudy Rudran, EUA
  • Sachin Shahria, EUA
  • Stacey Iverson, EUA
  • Steven and Florence Goldby, EUA
  • Stewart Sher
  • Susan & Curtis Comb, EUA
  • Sy Montgomery, EUA
  • Terry Gold

Hotsite Anta:
www.tapirconservation.org.br

Facebook Patrícia Medici Personal Profile:
www.facebook.com/patricia.medici?ref=profile

Facebook Lowland Tapir Conservation Initiative CAUSE:
www.causes.com/causes/292707?m=0d43bb06

Canal You Tube Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira:
www.youtube.com/patriciamedici

IUCN/SSC Tapir Specialist Group (TSG):
www.tapirs.org

IUCN Red List Lowland Tapirs:
www.iucnredlist.org/apps/redlist/details/21474/0

WAZA Tapir Profile:
http://www.waza.org/en/site/conservation/waza-conservation-projects/lowland-tapir-conservation-initiative