Últimas Notícias

Quando cheguei no oeste paulista acompanhando o Claudio Padua, meu marido, resolvi trabalhar com educação ambiental, mas sem muito saber como começar. Assim, a pequena equipe que aderiu no início e eu passamos um questionário a moradores de Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema, que deflagrou uma realidade inesperada. Mais de 90% dos mais de 500 entrevistados matariam as cobras se as encontrassem, inclusive guardas-parques. Esse fato nos levou a uma reflexão profunda. O que fazer? Fingir que nada estava acontecendo não parecia correto. Afinal, a razão de estarmos na região era tentar salvar o mico-leão preto, espécie na época classificada como uma das dez mais ameaçadas do mundo pela IUCN (International Union for Conservation of Nature). E, se as deixássemos a mercê do gosto de quem as encontrassem, o destino delas poderia ser semelhante ao dos micos, que quase desapareceram da natureza.

Foi aí que pensamos em ter cobras vivas em nosso recém-inaugurado programa de educação ambiental, que já contava com visitação escolar em trilhas que havíamos instalado no Parque Estadual do Morro do Diabo (PEMD), então sob gestão do Instituto Florestal de São Paulo. Porém, sinceramente, a ideia não vinha fácil, pois, pessoalmente, eu nunca havia tido contato com cobras e nós, equipe de educação ambiental, precisávamos demonstrar familiaridade e tranquilidade ao lidar com essas criaturas.

Leia o artigo completo de Suzana Padua em Fauna News

Você pode baixar gratuitamente essa publicação do IPÊ AQUI.

Essa é a terceira publicação da Série Técnica Diálogos da Conservação.

O material reúne panorama do voluntariado no mundo e no Brasil, retrato do Programa de Voluntariado do ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, com destaque para o processo de reestruturação e reflexões de boas práticas.

Na publicação estão compartilhadas uma série de experiências que fizeram parte da reestruturação do Programa de Voluntariado do ICMBio, como o planejamento estratégico e o plano de comunicação, além das boas práticas na ponta, nas Unidades de Conservação, como por exemplo o voluntariado como estratégia de implementação de trilhas de longo percurso e conectividade das áreas protegidas.

Com essa edição da Série Técnica, queremos também desmistificar certas visões e pontuarmos a abrangência do impacto do voluntariado sociedade.

Esta edição da Série Técnica Voluntariado é um desdobramento do projeto MOSUC - Motivação e Sucesso na Gestão de Unidades de Conservação Federais - desenvolvido pelo IPÊ em parceria com o ICMBio e com apoio da Gordon and Betty Moore Foundation.

KM Solidario imagem do logo do ipe no aplicativoO IPÊ agora faz parte do aplicativo KM Solidário. Quanto mais você usar, mais ajuda a nossa causa e nosso trabalho de conservação da biodiversidade.

Afinal, saúde e meio ambiente equilibrado tem tudo a ver!

Como fazer para nos apoiar?                                   

1. Baixe o app no seu celular: Android ou IOS

2. Busque o IPÊ como ONG apoiada.

3. Inicie sua atividade: escolha caminhada, corrida ou pedalada. E clique em Iniciar.

4. Pronto! Ao finalizar, você já doou seus quilômetros ao IPÊ.

Ao final de cada mês, os quilômetros são convertidos em doações.

Conheça mais sobre a iniciativa. O mecanismo dessa doação você encontra aqui nos termos de uso.

Meio Ambiente também esteve na programação do Fórum Criare, evento online realizado no sábado 20/02, com o objetivo de contribuir com o desenvolvimento pessoal, discutir tendências e promover o networking entre os participantes.  Para falar sobre o tema, Andrea Peçanha, coordenadora da Unidade de Negócios Sustentáveis do IPÊ apresentou panorama da atuação do IPÊ e as tendências envolvendo as empresas no cenário de pandemia.

“Fazemos restauração florestal, educação ambiental, negócios com comunidades e formação de profissionais para a sustentabilidade. O IPÊ atua em quatro biomas - Mata Atlântica, Pantanal, Cerrado e Amazônia. Já plantamos mais de 3,2 milhões de árvores e beneficiamos 14 mil pessoas/ ano. Para conseguirmos esses resultados contamos com apoiadores, parceiros, patrocinadores e doações”, pontua Andrea que há mais de 20 anos integra a equipe do IPÊ.  Para saber mais como a empresa em que você atua também pode contribuir: [email protected]

A região do Sistema Cantareira está entre as áreas de atuação no IPÊ. “O desafio nessa área é enorme, precisamos plantar 35 milhões de árvores. Sabemos que não faremos isso sozinhos, restaurar essa área é estratégico para a água que abastece a região metropolitana de São Paulo e Campinas. Mais de 14 milhões de pessoas se beneficiam dessa água, além das empresas que estão nessa região. Você também pode fazer parte dessa história”, afirma Andrea. O IPÊ junto com empresas e pessoas físicas já plantou na região mais de 370 mil mudas e segue plantando.

Segundo a coordenadora da Unidade de Negócios, é possível notar que as empresas, em especial as grandes, têm demonstrado uma preocupação maior com a sustentabilidade. “Elas estão trazendo essa questão para o centro do negócio, pensando no longo prazo. Mudanças climáticas são um fato e as empresas que pretendem ser perenes elas têm que partir para a ação. Essa questão da pandemia acelerou esse processo e atualmente o conceito de ESG - Environmental, Social Governance está muito presente. As empresas cada vez mais estão olhando para isso como atoras, elas podem fazer a transformação, isso ganhou ainda mais relevância com a pandemia. Elas podem atuar para diminuir os impactos de grandes desequilíbrios ambientais ou mesmo das mudanças climáticas”.

Quanto às mudanças na sociedade, Andrea destaca que muitas pesquisas têm reforçado o interesse maior de uma determinada geração sobre sustentabilidade. “Para os Millennials – nascidos entre 1981 e 1996 – a questão socioambiental é motivo de uma preocupação maior”.

Educação para a transformação

Como o IPÊ atua com pesquisas que são aplicadas na prática, um dos frutos desse trabalho é a ESCAS – Escola de Conservação Ambiental e Sustentabilidade. “A ESCAS tem Mestrado Profissional aprovado pela CAPES onde já formamos mais de 150 mestres e um MBA em Negócios Socioambientais, além de cursos livres”, revela Peçanha. Dentro dos projetos realizados pelo IPÊ, a educação ambiental também é uma frente de atuação-chave. “O público-alvo dos projetos tem sido os alunos, em especial, de escolas públicas, mas também realizamos ações de educação ambiental para outros públicos”, complementa. 

Os negócios envolvendo comunidades também estão no DNA do instituto. “Muitas vezes onde há alta biodiversidade as comunidades estão empobrecidas. Também temos que pensar no potencial que aquela comunidade tem e como aquelas pessoas permanecem lá vivendo de maneira harmônica com a natureza. Por exemplo, na Amazônia trabalhamos muito com o Turismo Comunitário”.

A coordenadora da Unidade de Negócios Sustentáveis também pontua a importância do meio ambiente equilibrado para toda a sociedade. “O IPÊ desenvolve projetos de conservação com seis espécies. Nosso trabalho na área ambiental mostra que a presença de espécies são indicadores de ambientes sadios. Da mesma forma, a ausência de espécies em áreas onde elas deveriam estar reforça que o ambiente está em desequilíbrio. Na pandemia, temos visto que o que estamos vivendo é fruto de um desequilíbrio ambiental”.

Doe para o IPÊ 

Diante da possível fusão entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Coalizão Pró-Unidades de Conservação (da qual o IPÊ faz parte) e a Comissão Mundial de Áreas Protegidas da UICN divulgaram uma nota de posicionamento para enfatizar a importância de manter os dois institutos separados e esclarecer as implicações dessa fusão.

De acordo com a nota, o ICMBio, responsável pela gestão e conservação das Unidades de Conservação (UC) federais, garantiu importantes conquistas desde sua criação, em 2007. Em 11 anos, o número de unidades com planos de manejo aumentou em 250%, passando de 78 em 2007 para 195 em 2018. A visitação pública nas UCs teve um incremento significativo de 3,6 milhões de pessoas em 2008 para 15,3 milhões em 2019, ou seja, um crescimento de mais de 400% em uma década. E houve melhoria na legislação e crescimento na oferta de parques nacionais para concessões de serviços de apoio ao turismo.

A avaliação sobre a conservação da fauna, cuja metodologia foi reconhecida internacionalmente, também aumentou de mil para 12 mil espécies. O ICMBio estimula, ainda, as UCs de uso sustentável, onde o número de famílias cadastradas nas Reservas Extrativistas e categorias similares aumentou mais de 1200%, passando de 3 mil para pelo menos 52 mil em 10 anos.

Além disso, o ICMBio atua também na gestão das Florestas Nacionais. As seis unidades dessa categoria que atualmente têm parte concedida para manejo florestal empresarial, geraram arrecadação aos cofres públicos de mais de R$69 milhões entre 2010 e 2019.

Segundo a nota, "o governo tem como meta triplicar a área concedida, aumentando de pouco mais de 1 milhão para 3 milhões, o que ampliará significativamente o valor arrecadado que é distribuído para União, estado e municípios, além dos empregos e renda gerados ao longo de toda a cadeia de valor da madeira. Portanto, a ampliação das concessões florestais como declarado pelo Governo Federal depende da continuidade das atividades desenvolvidas pelo ICMBio".

Já o Ibama possui as atribuições de licenciamento ambiental, controle da qualidade ambiental, autorização de uso de recursos naturais e a fiscalização e poder de polícia ambiental. Todas atividades de suma importância, especialmente em um momento no qual o país enfrenta severas altas no desmatamento. Ainda assim, o número de autos de infração ambientais realizados pelo Ibama em 2020 foi o menor em quinze anos, o que também denota a necessidade de foco, independência e fortalecimento do órgão.

Segundo Roberto Palmieri, gerente de projetos do Imaflora, esses dados reforçam que ter uma instituição especializada na gestão de UCs nesses últimos 13 anos e outra dedicada à fiscalização ambiental propiciou avanços significativos na quantidade de instrumentos de gestão e na qualidade dos serviços prestados à sociedade, mesmo com condições muito limitadas de pessoal, cargos e orçamento. “Fundir os dois órgãos geraria conflitos de interesse nos processos de licenciamento, pois implicaria no Ibama licenciar as atividades econômicas em Unidades de Conservação geradoras de recursos para o ICMBio, que passariam para sua gestão. É importante manter a independência do órgão licenciador e do órgão gestor da UCs”, explica Roberto.

“As áreas protegidas oferecem inúmeros benefícios para a sociedade, como turismo, lazer, saúde, redução de desastres, locais de pesquisa, entre outros. O volume de trabalho do ICMBio é imenso, merecendo uma instituição própria, e muito operacional, adequado à administração pública indireta. A especialização é a marca do sucesso, como comprovado internacionalmente em casos como África do Sul, Estados Unidos, Argentina, Canadá e muitos outros”, afirma Cláudio C. Maretti, vice-presidente da Comissão Mundial de Áreas Protegidas, da UICN, para a América do Sul.

Riscos da fusão A Coalizão Pró-UC avalia que a fusão pode causar o efeito contrário ao ganho de eficiência esperado pelo governo, devido ao cenário de fragilização da política ambiental. Uma série de implicações estão envolvidas, como a desmobilização da equipe qualificada ao longo de mais uma década de existência do ICMBio e do Ibama, a desorganização dos processos, das normativas, dos instrumentos e de todo o sistema de gestão das UCs federais, além das consequentes perda de foco, eficiência, qualidade e eficácia nos processos de gestão.

Segundo Angela Kuczach, diretora-executiva da Rede Pró-UCs, a atuação individual dos institutos gerou um potencial de inovação no serviço público e na gestão das UCs e ampliou o diálogo com a sociedade.

"São conquistas que não podem retroceder. Há uma enorme preocupação de que essa fusão possa comprometer a garantia do número de servidores dedicados a atividades essenciais, como o combate ao desmatamento e aos incêndios, que em 2020 chamaram a atenção da imprensa mundial pelos elevados índices de ambos", finaliza.