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Raras vezes, infelizmente, podemos dizer que perdemos uma joia humana quando alguém se vai. Este é o sentimento que temos com a morte de Don Melnick. Don foi amigo do IPÊ desde que nos conheceu em 1993, por meio de sua mulher, Mary Pearl, conservacionista, parceira e amiga, hoje nossa conselheira institucional.

Professor da Universidade de Columbia, pesquisador renomado em genética e evolução, passou a vida tecendo conhecimentos ligados à conservação e à sustentabilidade, juntando pessoas e abrindo portas para que coisas boas pudessem acontecer no planeta. Contribuiu com a história do IPÊ significativamente, trazendo por anos a fio alunos de sua destacada Universidade para programas de intercâmbio e cursos em nossa sede ou projetos de campo. Ministrou a aula inaugural do mestrado da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (ESCAS/IPÊ), e sempre apoiou nossas iniciativas no campo da educação. Criou muitos programas, como o Center for Environmental Research and Conservation (CERC), que juntou instituições e pesquisadores de diversos cantos do mundo, inclusive nós, do IPÊ. Elaborou documentos, publicou em diversas mídias e proferiu palestras que mudaram o rumo da história.

 

Screen Shot 2019 04 24 at 18.55.02Confiança era uma de suas qualidades, que aliás não faltavam. Detectava o que cada pessoa ou instituição tinha de melhor e adubava o solo com conhecimentos e interconexões para que germinassem projetos promissores. Integridade era outra qualidade que marcou sua trajetória  pessoal e profissional. Além disso, inspirava ousadia e inovação, mas agindo com discrição, sem chamar atenção sobre si mesmo, mas sobre as causas que defendia. Um verdadeiro líder - exemplo a ser seguido.

Felizes daqueles que tiveram a sorte e a honra de cruzar seu caminho. O IPÊ teve mais que isso. Foi privilegiado por caminhar junto por tantos anos, fazendo sonhos tornarem-se realidade. Vamos sentir sua falta, Don Melnick. O planeta também! Que você encontre outro local bem especial onde possa propiciar coisas boas, como  fez aqui em sua curta permanência entre nós. Nosso enorme e sincero abraço com muita ternura e gratidão! Saiba, onde quer que esteja, que a Mary e seus filhos, Memy e Seth, serão sempre acolhidos no IPÊ com imenso carinho.

Fotos:

1 - Don Melnick (primeiro à esquerda) visita o primeiro escritório do IPÊ em Manaus (Amazônia).

2 - Claudio Padua e Don Melnick na aula inaugural do Mestrado Profissional da ESCAS.

 

 

 

 

No rio Uatumã, em Presidente Figueiredo (AM), encontra-se o lago da Usina Hidrelétrica de Balbina (UHE Balbina), com mais de 2,3 mil km2. Ali, o principal atrativo pesqueiro é o tucunaré. Para avaliar como a pesca acontece e de que forma é possível realizar um melhor manejo da atividade para que esta possa ser sustentável na região, 100 pescadores fazem o monitoramento de três espécies de tucunarés que são pescadas no lago. A atividade acontece desde 2014, via projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, uma parceria do IPÊ com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Os pescadores levantam informações sobre a atividade durante oito meses do ano, paralisando apenas nos quatro meses do defeso (quando é proibida a pesca, de 15 de novembro a 15 de março). 
 
O monitoramento participativo do desembarque de tucunarés se tornou uma importante ferramenta para auxiliar na tomada de decisões sobre a gestão da pesca no lago da UHE de Balbina. Os pescadores passam as informações coletadas e os formulários são preenchidos por dois monitores no porto da Vila de Balbina e dois monitores no porto da comunidade Boa União do Rumo Certo.
 
Para trocar informações sobre essa atividade, hoje fundamental para os pescadores e para a conservação do peixe, foram realizados no mês de março encontros chamados Diálogos do Monitoramento Participativo. Fizeram parte desses eventos 63 participantes na Comunidade Boa União do Rumo Certo e 51 participantes na Vila de Balbina. que são usuários do lago e monitores. Além disso, representantes da Reserva Biológica do Uatumã (Rebio Uatumã), IPÊ, Sindicato de Pescadores de Presidente Figueiredo e Colônia de Pesca Z-6 também participaram deste, que é um momento de troca de conhecimentos e melhorias da atividade de monitoramento. 
 
Nos encontros, foram apresentados os dados do monitoramento de desembarque de tucunarés 2018 e avaliada a temporada de pesca 2018 no lago de Balbina. O momento também marcou a reabertura do lago para a temporada de pesca 2019. Em 2018, os monitores registraram a pesca de 13126 unidades do peixe. (7835,5 quilos). Os dados passarão por análises comparativas aos anos anteriores e as informações servirão para futuros planejamentos para a pesca sustentável na região.
 
Durante os encontros, os monitores puderam falar não só dos resultados, como também sobre a sua atividade. “Não é uma fiscalização, é um monitoramento e nós não temos poder nem mesmo para abrir a caixa de um pescador se ele não quiser, mas para que a gente possa contribuir para melhorar, isso não depende só do governo, não depende só dos monitores, depende de todos, depende não somente da compreensão, mas da colaboração dos pescadores”, comentou Josimar Nogueira/Monitor IPÊ-Boa União do Rumo Certo (foto). Ele afirma que existe uma troca entre os monitores e os pescadores para a execução desse trabalho. “A gente também tem uma função de esclarecimento a pessoa tem uma dúvida, inclusive nas leis, nas regras do monitoramento e a gente tá disponível não só para informar, mas também passar materiais que possam esclarecer”, diz.
 
De acordo com Jeanne Gomes, consultora do IPÊ, os diálogos são importantes para a transparência do processo de monitoramento e fortalecer a atividade. "Ali, é possível esclarecer as dúvidas e fazer com que a população se sinta parte do que está sendo construído, que é uma pesca com vistas a beneficiar a todos, de maneira contínua, sustentável para esta e as futuras gerações. Isso só é possível com a comunidade engajada, participando dos processos", afirma.

 

Durante a reunião do conselho gestor das Unidades de Conservação  da Reserva Extrativista (RESEX) Médio Juruá e Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, o IPÊ fez uma avaliação do Projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB) realizado nestas UCs da Amazônia. Nas duas UCs, o IPÊ realizou capacitação para o automonitoramento da pesca no ano de 2018, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conserção da BIodiversidade (ICMBio).

O evento aconteceu em Carauari (Amazonas), dias 2 e 3 de abril, e avaliou os resultados e contribuições do projeto na gestão das UCs. Na ocasião, também foi apresentado o sistema de dados do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (MONITORA). Além do IPÊ e ICMBio, o evento contou com a presença de 36 conselheiros e com representantes de várias instituições SEMA/DEMUC (Secretaria de Meio Ambiente), ASPROC (Associação dos Produtores Rurais de Carauari), AMARU (Associação dos Moradores Agroextrativistas da RDS Uacari), Jovens Protagonistas, RBMJ (Repartições de Benefícios do Médio Juruá), SEMED-Carauari (secretaria municipal de educação), Igreja católica, Câmara de vereadores, CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas ), SITAWI,  e FAS (Fundação Amazonas Sustentável).

 

Atividade é uma parceria entre IPÊ e ICMBio, por meio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM), que faz parte do Programa MONITORA, Subprograma Aquático Continental.

O projeto “Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia”, tem apoio de Gordon and Betty Moore Foundation, USAID e Programa ARPA.

 

Parceria entre o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, a Fundação Gordon e Betty Moore e Fundo Amazônia/BNDES resultou em um projeto de gestão integrada para a conservação da biodiversidade da Amazônia, a manutenção da paisagem e das funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais.

O LIRA - Legado Integrado da Região Amazônica tem o objetivo de promover a consolidação da gestão de áreas protegidas, em um território que abrange unidades de conservação federais, unidades de conservação estaduais (RO, AM, PA) e terras indígenas. O projeto inclui aproximadamente 80 milhões de hectares, em seis blocos, o equivalente a 34% das áreas protegidas da Amazônia. Planejamento, governança, cadeias de valor da sociobiodiversidade, desenvolvimento regional, políticas públicas, gestão do conhecimento, monitoramento e proteção serão temas a serem desenvolvidos com os parceiros implementadores.

Para isso, tornamos público o edital que selecionará organizações que atuarão nas áreas escolhidas. As inscrições vão até 03/06/19 e devem ser feitas somente pelo site: https://lira.ipe.org.br

 

Um dos resultados mais significativos do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, ao longo de 27 anos, é a formação do Corredor de Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema. Considerado o maior corredor ecológico formado por meio de restauração florestal no Brasil, ele conecta duas Unidades de Conservação, a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto (ESEC MLP) e o Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD), e contribui para reduzir o problema ambiental mais grave na região, a fragmentação florestal da Mata Atlântica. Com 20 quilômetros e 2,7 milhões de árvores, o corredor contribui para conservar não só a floresta, como as espécies em risco de extinção no bioma, como o mico-leão-preto e a onça-pintada. Com a iniciativa, essas espécies têm uma opção mais segura para circular de um trecho de mata para outro, ampliando suas chances de encontrar alimento, abrigo e pares para reprodução.

Esse grande corredor agora ganhou um reforço com o início dos plantios do chamado "Corredor Norte", que leva este nome por estar localizado ao norte do Parque Estadual Morro do Diabo. Agora serão mais um milhão de árvores plantadas em 500 hectares e três quilômetros a mais de Corredor da Mata Atlântica na região.

As árvores são plantadas em uma Área de Reserva Legal da Fazenda Estrela, que possui uma área de 2.435,51 hectares, destinada à produção agropecuária. Em seu cadastro ambiental rural (CAR), a fazenda destinou 799,92 hectares para Reserva Legal (RL). Mais especificamente, estas áreas estão localizadas entre os fragmentos Água Sumida, da Estação Ecológica Mico-Leão Preto, e Santa Maria I, da fazenda de mesmo nome, ambos localizados no entorno do PEMD. Para definir as áreas de plantio, o IPÊ criou um mapa que orienta os melhores locais para plantio de florestas, considerando o passivo de RL de cada propriedade e as necessidades da fauna local e da paisagem. Os recursos são provenientes da Empresa Atvos, via o Programa Nascentes do Estado de São Paulo, com contrapartida internacional da ONG WeForest, da Durrell Wildlife Conservation Trust, do Sustainable Lush Fund e do Fundo de Conservação Disney. 

Capacitação e geração de renda

Além da frente de restauração, o projeto para a formação do corredor norte possui outras atividades importantes, como a capacitação em agroecologia e educação ambiental de 300 agricultores e estudantes. Além disso, busca promover ainda geração de renda para as comunidades envolvidas, por meio da produção e comercialização de mudas de espécies nativas, em viveiros florestais.

"Devido uma ocupação sem critérios, o Pontal do Paranapanema sofreu drástica redução em sua cobertura florestal, restando apenas 1,85% da cobertura original. A dinâmica de ocupação tem levado a uma paisagem regional onde vários cursos de água e fragmentos florestais estão sendo circundados e pressionados por assentamentos rurais, pequenas e grandes propriedades. Toda essa ocupação, se não for feita com preocupações agroambientais, coloca em risco o que resta do solo, das águas e das florestas. Por isso a necessidade de estabelecer um desenvolvimento rural sustentável com base na agroecologia, com incentivo a alternativas de geração de renda que apoiem a conservação ambiental, como é o caso dos viveiros comunitários", defende Laury Cullen Jr., coordenador da iniciativa.

Os viveiros comunitários são empreendimentos sociais que visam o desenvolvimento socioeconômico e ambiental dos agricultores familiares residentes em assentamentos de reforma agrária na região. Tais empreendimentos promovem a diversificação das atividades agrícolas tradicionalmente desenvolvidas pelos agricultores locais, por meio da produção e da comercialização de mudas de árvores nativas da região e exóticas com a finalidade de reflorestamento, ao mesmo tempo em que a equipe do IPÊ desenvolve os trabalhos de educação ambiental e capacitação técnica dos agricultores para produção dentro dos princípios do associativismo e da agroecologia.

Atualmente, oito viveiros comunitários estão instalados em diferentes assentamentos da região. A grande maioria está constituída na forma de associativismo ou cooperativismo, mas existem ainda iniciativas particulares de agricultores que passaram pelos treinamentos e cursos de capacitação oferecidos gratuitamente pelo IPÊ. Em conjunto, os viveiros têm capacidade instalada de produção de aproximadamente 800 mil mudas por ano.

"Temos como premissa em nossos projetos o envolvimento da comunidade local, seja por meio da educação ambiental ou do desenvolvimento de alternativas de renda para a conservação. Por exemplo, quando iniciamos o primeiro corredor, implementamos os viveiros comunitários na região. Hoje, os produtores de mudas são independentes e vendem as mudas de árvores nativas para projetos de restauração como este", explica Laury.

O projeto do Corredor Norte prevê, ainda, a transformação das boas práticas em políticas públicas junto ao Programa Nascentes, do Governo do Estado de São Paulo, visando a conservação de espécies ameaçadas e a restauração de paisagens rurais fragmentadas no bioma Mata Atlântica.