Programa Eco.Estradas Pantanal reúne especialistas e organizações relevantes para discussão sobre atropelamento de fauna nas rodovias de MS

Dias 29 e 30 de Julho, será realizada em Campo Grande (MS) a primeira reunião do Programa Eco.Estradas Pantanal, com a presença de profissionais de diversos setores atuantes pela conservação da biodiversidade regional e gerenciamento de rodovias. Durante o encontro serão discutidos: o impacto das rodovias para a fauna local e as formas de redução deste problema. Também serão apresentados os mais recentes dados sobre atropelamento de fauna no Brasil, particularmente no Estado do Mato Grosso do Sul, com o objetivo de reuni-los e, posteriormente divulgá-los a diferentes segmentos da sociedade, reforçando a importância de se compreender o impacto das rodovias para sobrevivência de espécies. Nos dias de reunião espera-se definir, em conjunto com os participantes, um planejamento estratégico para a construção de uma rede de profissionais que possa sugerir e implementar soluções que reduzam o impacto causado pelas estradas à biodiversidade.

O encontro foi proposto pela a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB) e Projeto Tatu-Canastra. Ambos são trabalhos realizados pelo IPÊ no Pantanal do Mato Grosso do Sul (MS). Os dois projetos juntaram forças para o monitoramento de atropelamentos de fauna em três trechos de rodovias no MS por um ano (Abril de 2013 a Março de 2014) e registraram informações alarmantes.  Em 12 meses, os pesquisadores encontraram 1124 carcaças de 25 espécies animais diferentes vítimas de atropelamentos nessas três rodovias.  Esses números são relevantes para algumas dessas espécies que se encontram ameaçadas de extinção na natureza (IUCN Red List of Threatened Species). Considerando o Brasil todo, estima-se que, por ano, 450 milhões de animais sejam mortos por atropelamento nos quase dois milhões de quilômetros de estradas do País, segundo o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE). 

“O nosso grande objetivo com o encontro é gerar subsídios para influenciar no processo de estabelecimento de políticas públicas locais e regionais que favoreçam a solução do problema de atropelamentos de fauna na nossa região”, afirma Patrícia Medici, coordenadora da INCAB.

Além dos pesquisadores do IPÊ, a reunião contará com a presença de Alex Bager, Coordenador do CBBE e Professor da Universidade Federal de Lavras, responsável pela criação do sistema Urubu Mobile, um aplicativo de celulares lançado recentemente, que ajuda a identificar e, principalmente, contabilizar o número de mortes de animais por atropelamento no Brasil.