Câmeras do projeto Tatu Canastra flagram mais um filhote no Pantanal

Na expedição ao Pantanal do mês de agosto, no Mato Grosso do Sul, a equipe do projeto Tatu Canastra flagrou por meio de camera trap mais um filhote da espécie. Tatus Canastra (ou tatus gigantes, Priondontes maximus) jovens ou adultos são dificilmente avistados na natureza e um filhote é um fato ainda mais raro. O uso de câmeras facilita esse registro e auxilia os pesquisadores a monitorarem a espécie.

Este é o quarto tatu filhote registrado em seis anos desse projeto, realizado pelo IPÊ e Royal Zoological Society of Scotland. A equipe, entretanto, só conseguiu acompanhar a vida inteira de apenas um desses filhotes (chamado de Alex) durante dois anos e, pela primeira vez, documentar o comportamento parental de um tatu canastra. Mas em 2015, os pesquisadores registraram a morte do tatu monitorado que, segundo a necropsia, foi atacado por uma onça.

"Após percebermos uma nova toca de tatu em um local recém monitorado pela equipe, decidimos colocar uma armadilha fotográfica na frente dele. Ao final da expedição, ao analisar as imagens, avistamos esse novo filhote e nos emocionamos muito! Foi uma surpresa enorme", relata o biólogo do projeto, Gabriel Massocato.

De acordo com o coordenador do projeto, Arnaud Desbiez, esta é uma importante etapa para o trabalho. " Um novo capítulo para o projeto acaba de se abrir. Nós temos uma segunda chance para seguir a história de Alex, que começou a ser escrita, mas foi interrompida. No entanto, para chegarmos ao ponto onde paramos, levaremos ainda dois anos e tudo pode acontecer, já que a natureza é um mundo perigoso para um jovem tatu gigante. Mas estamos muito animados por essa oportunidade!", afirma.

Ciência Cidadã no Cerrado

Além do Pantanal, o projeto Tatu Canastra percorre o Cerrado do Mato Grosso do Sul (MS). Ali, os pesquisadores estão na fase final das entrevistas e coleta de dados com a ajuda da população de diversas cidades locais a fim de detectarem a presença de tatus canastra na região.

Para mapear as áreas de ocorrência de tatus, os pesquisadores pedem que os moradores do MS relatem indícios de rastros, pegadas, tocas e fezes da espécie. Para isso, distribuem panfletos e cartazes explicando como perceber a presença de tatus e entrevistam os moradores. Os dados apontados pela população serão inseridos nas pesquisas prévias realizadas pela equipe e ajudarão a compor um mapa da presença dos tatus na região. Este trabalho é chamado de Ciência Cidadã, feita com a participação da população, ajudando a ampliar o conhecimento sobre a espécie entre as pessoas e consequentemente o apoio pela sua proteção.