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A melhoria da gestão das Unidades de Conservação depende, em grande parte, do constante aperfeiçoamento de seus gestores, parceiros, comunitários e voluntários, em um trabalho contínuo de aprendizado. Em junho, foi realizado no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o IV Curso de Capacitação de Monitores da Biodiversidade Integrado dos Parques Nacionais Montanhas do Tumucumaque e Cabo Orange, Reserva Extrativista do Cajari, Estações Ecológicas do Jari e Maracá-jipioca.

Trata-se do Módulo Básico do Componente Florestal do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade, que foi aplicado a 17 novos monitores que atuarão nas cinco Unidades de Conservação (UCs). Durante os quatro dias de curso, os comunitários das UCs foram capacitados para coleta de dados que contemplam os protocolos de Mamíferos de Médio e Grande Porte e Aves Cinegéticas, Borboletas Frugívoras e Plantas Lenhosas. O encontro também serviu para que eles pudessem ter noções de Segurança e Ações de Emergência em Campo.

A instrução sobre borboletas frugívoras ficou a cargo do consultor independente Marcio Uehara Prado. O analista ambiental do ICMBio Christoph Jaster abordou questões relativas às Plantas Lenhosas. Lais Fernandes, consultora local do IPÊ, realizou instrução sobre o protocolo de masto/aves. Aniel Cardoso, do Instituto Guarda Florestal do Amapá (IGFAP), levou aos participantes noções de segurança e ações de emergência em Campo.

A iniciativa é uma atividade do projeto de “Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia”, desenvolvido pelo IPÊ em parceria com o ICMBio, com apoio de Gordon and Betty Moore Foundation e USAID.

Foto: Erico Kauano

 

 

A campanha Um Dia no Parque quer mostrar que as Unidades de Conservação (UCs), além de protegerem a biodiversidade, oferecem inúmeras opções de lazer e geram benefícios aos visitantes, como melhora da saúde e garantia de bem-estar, além do desenvolvimento econômico. A Coalizão Pró UCs, que realiza a campanha, pretende fazer isso por meio da promoção de atividades em contato com a natureza em áreas protegidas de todo o país. Entre as áreas já confirmadas na ação estão os Parques Nacionais da Tijuca, Iguaçu, Serra da Bodoquena, Aparados da Serra e Serra da Capivara, os Parques Estaduais de Ibitipoca e Serra do Brigadeiro, em Minas Gerais, Vila Velha, Ilha do Mel e Guartelá, no Paraná, o Refúgio de Alcatrazes em São Paulo, entre outras. 

O objetivo é criar uma cultura de visitação e turismo nas UCs – mais conhecidas como parques ou reservas – por meio de um dia de comemoração fixo no calendário do país, em que áreas protegidas e parceiros (organizações não governamentais, grupos de visitantes organizados, empresas) em todo o Brasil ofereçam atividades que, além servirem como recreação, despertem a consciência ambiental nos participantes. Em 2019, a ação ocorre no dia 21 de julho. 

Esta é a segunda edição da campanha, que teve início em 2018. De acordo com Angela Kuczach, diretora executiva da Rede Pró UC, que idealizou a iniciativa no Brasil, “o povo brasileiro ama a natureza, mas ainda tem pouco contato com o que o Brasil tem de mais bonito e raro, um patrimônio natural que está nas nossas Unidades de Conservação. Com a campanha, queremos gerar esse sentimento de orgulho e pertencimento dessas áreas para nossa sociedade. Em 2018 realizamos o ano zero, de experimentação, e foi um sucesso, com cerca de 65 Unidades de Conservação e parceiros em todo o país participando com múltiplas atividades”, como observação de aves, surf, oficina de pipa, trilhas, contação de histórias. Em 2019, o objetivo é chegar a 100 UCs participantes. 

O IPÊ apoia essa iniciativa!

WhatsApp Image 2019 07 02 at 18.00.34As mudanças climáticas já fazem parte da nossa realidade e, para encarar os desafios socioambientais deste e dos próximos anos, a startup Youth Climate Leaders (Jovens Líderes Climáticos Brasil) prepara jovens com uma capacitação intensa no tema. A proposta é que eles sejam capazes de tomar decisões pessoais e profissionais com um olhar mais abrangente para essa questão. Durante dois meses, 35 jovens de 17 a 37 anos passaram por aulas, palestras e vivências que despertaram neles um desejo e técnicas de transformação socioambiental, com vistas a reduzir o impacto das mudanças climáticas nas nossas vidas. Para terminar esse período intenso, o grupo escolheu o IPÊ para um dia de trocas de conhecimentos entre pesquisadores e coordenadores de projetos do Instituto.

"Os jovens do programa estão em transição de carreira, em busca de um propósito. Buscamos sempre essa imersão em algum local que desenvolve trabalhos com meio ambiente, contato com especialistas da área e, claro, esse contato com a natureza. É um modo de mostrar como é isso na prática e no Brasil. O IPÊ tem toda a estrutura que precisamos e foi muito interessante esse momento", explica Flavia Bellaguarda, uma das fundadoras do Youth Climate Leaders e assessora de mudança do clima do ICLEI.

No IPÊ, os alunos tiveram a chance de conhecer alguns projetos, a ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade e a Unidade de Negócios Sustentáveis.

“Todos os projetos desenvolvidos pelo IPÊ têm como base a pesquisa aplicada. Nesse processo, mobilizar a comunidade é também uma característica do nosso trabalho. Sabemos que um dia os projetos terão um fim e a ideia é envolver e capacitar a comunidade para que ela tenha condição de seguir adiante. A proximidade com a comunidade nos projetos desenvolvidos pelo IPÊ envolve inclusive a criação de protocolos em conjunto, como acontece no Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB) em Unidades de Conservação da Amazônia, uma parceria com Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)”, afirmou Eduardo Badialli, coordenador de cursos da ESCAS.

O grupo também conferiu apresentação de Andrea Pupo, coordenadora desta área no Projeto Semeando Água, que contribui para o aumento da segurança hídrica do Sistema Cantareira. Durante vídeo apresentado sobre os principais desafios da água na região, muitos lembraram da crise hídrica que assolou a região metropolitana de São Paulo de 2014/2015. ”Aumentar a resiliência do Sistema Cantareira passa necessariamente por melhorar o uso do solo na região. Isso significa que precisamos recuperar mais de 100 mil hectares de pastagens degradadas e restaurar 21 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs), o que equivale a plantar 35 milhões de árvores. Sabemos que não resolveremos essa questão sozinhos, mas entendemos que, de maneira integrada, com Manejo de Pastagem, Restauração Florestal, Educação Ambiental, Políticas Públicas e Comunicação, isso é possível”, afirma Andrea.

Para celebrar o dia de visita, o grupo participou de um plantio de árvores na beira de uma das represas do Sistema Cantareira (a Atibainha), contribuindo com a restauração para segurança hídrica, realizada pela IPÊ nessa região. Ali, já foram plantadas mais de 300 mil árvores nativas, protegendo nascentes e beira de represas.

Este foi o quarto curso do Youth Climate Leaders no Brasil. Em agosto, esses jovens farão uma imersão na Alemanha. A inciativa já capacitou 100 jovens que hoje fazem parte de uma rede global. www.youthclimateleaders.org

Acesse agora a segunda edição da publicação Monitoramento Participativo da Biodiversidade: Aprendizados em Evolução. O livro traz anotações de experiências em unidades de conservação na Amazônia Brasileira entre 2013-2017, estratégias, ferramentas e um passo a passo da implementação. 

A publicação é fruto do projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade (MPB), desenvolvido pelo IPÊ desde 2013, em parceria com ICMBio, com apoio de Gordon and Betty Morre Foundation, USAID e Programa ARPA. No MPB, a comunidade é protagonista. O projeto promove o envolvimento das comunidades para fortalecer a gestão e a conservação da biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia. O monitoramento é fundamental para entender e moderar a extensão de mudanças que possam levar à perda de biodiversidade local, subsidiar o manejo adequado dos recursos naturais e promover a manutenção do modo de vida das comunidades locais. O projeto MPB vem sendo implementado em 17 UCs, totalizando quase 12 milhões de hectares.

Para saber mais sobre esse trabalho assista agora ao video.