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Pesquisa conta com a participação de pesquisador do IPÊ/ESCAS, Clinton Jenkins, e foi publicada na revista Science Advances

Que as florestas de todo o mundo estão em declínio e a perda de biodiversidade é constante, isso não é novidade. Mas um extenso estudo global recém-publicado sobre a fragmentação florestal no mundo constatou, a partir de um mapa de alta resolução, que 70% das florestas existentes na Terra estão sob grande ameaça por estarem posicionadas em áreas vulneráveis que ameaçam a sua proteção. A pesquisa foi divulgada no último dia 20, pela revista Science Advances.

O estudo tem 24 autores de vários países, que acompanharam os resultados de 35 anos de pesquisa de sete grandes experimentos sobre fragmentação de habitats, realizados em biomas dos cinco continentes. A análise originou o primeiro mapa global em alta resolução que aponta onde estão esses remanescentes florestais e como eles estão sofrendo com os efeitos da fragmentação.

Os pesquisadores afirmam que a maior parte das áreas florestais que ainda existem no mundo possuem uma característica comum: localizam-se, em média, a um quilômetro da borda da floresta, dentro de uma faixa onde existem as atividades humanas e ameaças naturais que podem influenciar e degradar esses ecossistemas. Outra conclusão dos autores do estudo é a de que os habitats fragmentados têm reduzido a diversidade de plantas e animais de 13 a 75 por cento e os efeitos mais negativos se encontram nos menores e mais isolados fragmentos de habitat.

As análises foram lideradas por Nick Haddad, da Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA), que conta com a participação de Clinton Jenkins, que no Brasil, atua como pesquisador do IPÊ e professor visitante da ESCAS. Segundo Jenkins, o Brasil vive os dois extremos, com uma floresta bastante conservada, a Amazônia, e uma que está em vias de desaparecer, a Mata Atlântica.

"O Brasil detém dois dos exemplos mais extremos para as florestas. De um lado do país, a Amazônia, a maior floresta tropical e a menos fragmentada do mundo, um bioma que ainda pode ser considerado bem conservado, mas que vive sob grande ameaça. Do outro lado do país é a Mata Atlântica, uma das florestas mais devastadas e fragmentadas do planeta, que, para sobrevier, precisa salvar suas pequenas partes e tentar reconstruir um ecossistema maciçamente danificado. O que vemos, entretanto, é que a Amazônia está caminhando para o mesmo caminho da Mata Atlântica, caso não houver medidas eficazes de combate ao desmatamento", afirma Jenkins, que é também professor convidado pela ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, no Brasil.

Abrangendo diversos tipos de ecossistemas, das florestas de savanas a pastagens, as experiências de fragmentação agrupadas e analisadas no estudo mostram uma tendência desanimadora: a fragmentação causa perdas de plantas e animais, muda a forma como funcionam os ecossistemas, reduz as quantidades de nutrientes acumulados e a quantidade de carbono sequestrado, e tem outros efeitos prejudiciais.

"Os efeitos iniciais foram negativamente surpreendentes", diz Haddad. "Mas eu fiquei admirado com o fato de que esses efeitos negativos tornam-se ainda mais negativos com o passar do tempo. Alguns resultados mostraram uma redução de 50 por cento ou mais de espécies vegetais e animais durante uma média de apenas 20 anos, por exemplo. E a trajetória ainda é uma espiral descendente", alerta.

O pesquisador ainda afirma que a fragmentação de habitats tem efeitos nocivos que também irão prejudicar as pessoas. "Este estudo é uma chamada para acordarmos para o quanto estamos afetando ecossistemas - incluindo áreas que pensamos estarem conservadas", diz.

Os autores apontam para possíveis formas de mitigar os efeitos negativos da fragmentação: conservação e manutenção de áreas maiores de habitat; utilização de corredores paisagem que conectam fragmentos; e aumento da eficiência da agricultura para reduzir as demandas por mais terras. São medidas urgentes de conservação e restauro para melhorar a conectividade da paisagem, o que reduzirá as taxas de extinção e ajudarão a manter os serviços ecossistêmicos.

"Nós sabemos o que é necessário para recuperar os ecossistemas se tivermos essa chance. Proteger habitats remanescentes e conectá-los com corredores é uma maneira cientificamente válida para reduzir os efeitos negativos da fragmentação", conclui Jenkins.

Para acessar o estudo: http://advances.sciencemag.org/content/1/2/e1500052

O Comitê de Bacias Hidrográficas do Pontal do Paranapanema realiza no dia 20 de março (sexta-feira), o 17º Encontro Regional de Educadores em Defesa da Água. O evento celebra o Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de Março, e conta com a parceria do IPÊ.

O encontro acontecerá em Presidente Prudente (SP). Estão previstas uma série de atividades como Compostagem, Práticas de Educação Ambiental, e Mapeamento Ambiental Participativo, além de uma palestra sobre água a desenvolvimento sustentável. Mais informações em: www.dma.cbhpp.org

De 12 a 15 de março, foi realizado em Foz do Iguaçu (PR), o 39º Congresso da Sociedade Brasileira de Zoológicos e Aquários. Com o tema “Integração e Formação: Quem faz junto faz crescer”, o congresso reuniu profissionais especializados em fauna para a troca de experiências, com o objetivo de gerar oportunidades de capacitação, possibilitar intercâmbio de conhecimentos entre os zoológicos e instituições estrangeiras, de diferentes realidades.

Pesquisadores do IPÊ, cujos projetos possuem parcerias com zoológicos do Brasil e do exterior, estiveram presentes no congresso. É o caso do projeto "Tatu-Canastra" e do seu coordenador Arnaud Desbiez, que apresentou junto com a presidente da SZB Yara Barros, o encerramento da campanha "Tem Tatu Aqui", realizada em 2014. A iniciativa contou com a parceria dos zoológicos brasileiros para ampliar o conhecimento do público sobre essa espécie emblemática, pesquisada pelo IPÊ no Pantanal, mas ainda pouco conhecida na natureza. Os zoos recebem cerca de 20 milhões de visitantes todos os anos e tem grande potencial de levar essas informações à população e aos turistas.

A campanha do tatu foi inspirada na Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira, que realizou ação semelhante em 2013 para epécie, intitulada Minha Amiga é uma Anta. Este ano, no congresso da SZB, a coordenadora da INCAB Patrícia Medici marcou presença com um estande de produtos que divulgam o trabalho de conservação realizado no Pantanal e arrecadam recursos ao projeto. Camisetas, pingentes, fotografias também reforçam a imagem da anta brasileira como um animal extremamente importante na natureza e procuram cativar as pessoas a fim de desmistificar a ideia de que a anta é um animal sem inteligência.

A bióloga e coordenadora do programa de Conservação do Mico-Leão-Preto Gabriela Cabral Rezende também esteve presente, realizando palestra e discutindo questões pertinentes à conservação do primata junto a outros especialistas no evento "Histórico e perspectivas dos programas de conservação dos micos-leões do Brasil". Durante o congresso, a pesquisadora também fez uma noite de autógrafos do livro "Mico-Leão-Preto: A História de Sucesso na Conservação de uma Espécie Ameaçada”.

Confira imagens do Congresso aqui.

 

O IPÊ realizou em parceria com o Parque Estadual Morro do Diabo/Fundação Florestal (SP) o VI Encontro Participativo “Econegociação: um Pontal bom para todos” nos dias 5 e 6 de março. Cerca de 50 pessoas participaram, discutindo as principais conquistas socioambientais da região nos últimos 10 anos e as soluções para os desafios ainda enfrentados para o desenvolvimento sustentável local.

A última Econegociação realizada no Pontal do Paranapanema foi em 2005. A sexta edição, que retomou o evento, propôs a discussão sobre os diversos cenários socioambientais da região e suas principais transformações ao longo de mais de 10 anos: “Conservação da Biodiversidade, reconexão florestal e pesquisas de espécies”; “Assentamentos humanos de reforma agrária, serviços e empreendimentos”; e “Desenvolvimento econômico e grandes empreendimentos”.

“A Econegociação foi um grande momento para refletir junto com a comunidade as questões de longo prazo que envolvem a proteção socioambiental local. Foi a partir de outros encontros como estes, realizados em anos anteriores, que pudemos compreender as necessidades socioambientais na visão dos diversos atores locais (pesquisadores ambientalistas, assentados, rurais, proprietários de terra, educadores e tomadores de decisão) e trabalhar para resultados que vemos hoje”, afirma Maria das Graças Souza, coordenadora de Educação Ambiental do IPÊ.

De acordo com a educadora, vive-se hoje um novo momento socioambiental na região, muito diferente do que era há uma década, mas ainda existem grandes desafios a serem superados. “Muita coisa evoluiu. Com relação à conservação da biodiversidade, por exemplo, após tantos anos de pesquisa, hoje o mico-leão-preto, espécie dessa região, é considerado símbolo de todo o Estado; a Educação Ambiental faz parte agora de uma política pública municipal em Teodoro Sampaio; e o Pontal conta com um grande corredor florestal que reconecta as Unidades de Conservação locais (Parque Estadual Morro do Diabo e Estação Ecológica Mico Leão Preto). Por outro lado, ainda temos necessidade de reconectar mais áreas florestais, conservar os serviços ecossistêmicos e ampliar o alcance da educação ambiental ”, comenta.

Prioridades para o Pontal

 

A partir de um quadro sobre as melhorias, potencialidades, riscos e obstáculos diante dos cenários socioambientais atuais, os participantes definiram as ações prioritárias a serem implementadas, a fim de manter as conquistas já alcançadas, e elaborar estratégias para superar os desafios ainda existentes. Algumas das ações prioritárias apontadas pela comunidade para a conservação da biodiversidade local foram a necessidade de se aumentar os plantios estratégicos para a formação de corredores florestais aumentando a conectividade entre florestas, e o envolvimento do poder público para ampliar o alcance da educação ambiental nos municípios da região do Pontal do Paranapanema.

“Há muitas oportunidades de captação de recursos e elaboração de projetos conjuntos entre diferentes setores para fortalecimento da Educação Ambiental. Uma das ações apontadas pelos participantes foi exatamente a de articular todos eles em busca de novos projetos e meios para viabilizá-los. Além disso, também apontaram a importância da participação de grandes empreendimentos com influência socioambiental na região de forma a serem parceiros para ações sustentáveis nos municípios”, complementa Maria das Graças.

Um novo encontro, pós Econegociação, está sendo organizado para o mês de junho, com o objetivo de apresentar o relatório da reunião e planejar estratégias de desenvolvimento e monitoramento das ações definidas como prioritárias nos dois dias de encontro.

A VI Econegociação do Pontal teve apoio da Ecosystem Alliance. O evento contou com a presença de representantes da Fundação Florestal (Parque Estadual Morro do Diabo), Divisão de Meio Ambiente de Teodoro Sampaio, prefeitura de Teodoro Sampaio, Itesp, Sabesp, ICMBio (Estação Ecológica Mico-Leão Preto), CESP, CETESB, Ministério Público de São Paulo, Condema, Comitê de Bacias Hidrográficas do Pontal (CBh-PP) assentados rurais, proprietários de fazendas na região, entre outros tomadores de decisão, organizações e lideranças que desenvolvem ações com foco socioambiental para a região.

Em 2015, o Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto ganhou um novo impulso para as ações de mobilização comunitária, no Pontal do Paranapanema. Com apoio de UICN e Disney, serão desenvolvidas iniciativas para fortalecer, junto à população local, a importância da conservação desta espécie ameaçada de extinção, que só é encontrada no Estado de São Paulo.

Neste ano, as unidades escolares dos municípios que possuem em seu território fragmentos da Estação Ecológica Mico-Leão-Preto (ESEC MLP), serão inseridas nas iniciativas de educação para proteção e valorização das áreas naturais. A ESEC MLP é uma das principais Unidades de Conservação Federal do Estado de São Paulo, com cerca de 6,7 mil hectares, localizada na região do Pontal do Paranapanema e atualmente conectada ao Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD) por um corredor florestal restaurado pelo IPÊ. A área  é dividida em quatro fragmentos florestais: Água Sumida (1.119 ha), Ponte Branca (1.306 ha), Tucano (2.115 ha) e Santa Maria (2.057 ha). É um dos últimos locais em que habita o mico-leão-preto, formada por alguns dos maiores fragmentos de floresta da já desmatada Mata Atlântica do Pontal do Paranapanema.

De acordo com a coordenadora de Educação Ambiental do IPÊ Maria das Graças Souza, a ideia é ampliar as ações com olhar direcionado a esta importante área. "A comunidade já conhece bem o Parque Estadual Morro do Diabo, que é um símbolo na região, e onde temos a maior concentração de micos-leões-pretos no Brasil. Mas a ESEC é também de enorme importância para a sobrevivência da espécie, porque ali também existem populações de micos habitando estes fragmentos, além de diversas outras espécies ameaçadas da nossa fauna. Por isso, as ações socioeducativas proporcionarão informações, valores, conhecimentos e a aproximação da comunidade local, direcionadas também a esta importante unidade de conservação da região", conta.

A estratégia do projeto será a de abordar a comunidade local a partir de ações junto ao ensino fundamental municipal, oferecendo atividades educativas que incluem capacitação de professores, oficinas de arte-educação para professores e alunos, e uma exposição fotográfica itinerante nas cidades do entorno da ESEC (Teodoro Sampaio, Euclides da Cunha, Marabá Paulista e Presidente Epitácio) com imagens do mico, das árvores utilizadas por eles, das pesquisas científicas, entre outras. Também estão previstos spots divulgados em rádio para levar informações sobre a espécie à população dos municípios.