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Projeto “Semeando Água”, do IPÊ, ensina método sustentável de uso de solo a proprietários rurais da região


Durante os dias 22, 23 e 24 de abril, o IPÊNegociação Sr Durval realizará o segundo Curso de Manejo Ecológico de Pastagem, com o objetivo de capacitar produtores rurais, representantes de prefeituras e técnicos de Casas de Agricultura (CATI) a converterem a pastagem convencional para o pastoreio rotacional.

A capacitação está prevista no projeto “Semeando Água”, que é patrocinado pela Petrobras e vem desenvolvendo ações para a conservação de recursos hídricos por meio de manejo de pasto, restauração e educação ambiental.

A proposta da capacitação é apresentar as vantagens e benefícios da implantação do manejo ecológico de pastagem como um aliado importante na recuperação do solo. Nos dois primeiros dias, o curso acontecerá no município de Piracaia (SP), local onde está sendo implantado o Manejo Ecológico, um sistema que favorece a dinâmica da pastagem de modo a beneficiar a infiltração de água no solo e a produção animal em si. No último dia de curso, o grupo conhecerá uma propriedade onde o Sistema já funciona, na cidade de Joanópolis. As aulas serão realizadas pelo professor e engenheiro agrônomo Jurandir Melado, que explica: “Antes de se tornar um bom produtor de carne ou leite o pecuarista precisa se tornar um excelente produtor de capim.”

Nesta semana (14 a 16 de abril), a ESCAS recebeu a Professora Marianne Schmink no curso de mestrado profissional para seminários referentes à complexidade da interface da conservação biológica e o desenvolvimento econômico, com olhos voltados para duas dimensões: social e ecológica.

Dentre os vários assuntos pertinentes ao tema da disciplina, há a preocupação em despertar nos alunos a prática da aprendizagem como um processo coletivo. Para isso, foi mencionado, por exemplo, Paulo Freire e sua filosofia que diz respeito à utilização do conceito, apenas, como ponto de partida. Deste modo, a possibilidade em incentivar a criatividade dos alunos é maior e, com isso, obtém-se também, um leque de dimensões e perspectivas sob o mesmo estudo. “Isso ajuda no momento de agir”, diz a professora.

Somada à extensa dedicação em pesquisas, Marianne tem um histórico profissional preenchido de experiências enriquecedoras. Nascida nos Estados Unidos, permaneceu em seu país até 1970, quando veio ao Brasil para elaborar sua pesquisa de doutorado em Belo Horizonte, na UFMG. De lá para cá, como docente da Universidade da Flórida, trabalhou por 16 anos no sul do Pará, realizando um estudo sobre migrações internas para a região norte e, em 1986, se instalou no estado do Acre a fim de fazer um trabalho em parceria com a Universidade Federal do Acre (UFAC). Segundo ela: “Depois de viver todos os dramas do sul do Pará, ver a situação do Acre, com as propostas dos seringueiros, que eram povos da floresta com ideias próprias, foi uma grande inspiração.”

Marianne Schmink faz parte, atualmente, do corpo de docentes da ESCAS e atua, principalmente, no Mestrado Profissional oferecido em dois formatos: modular e intensivo.
Para saber mais sobre o mestrado e os demais cursos, veja aqui:
http://www.ipe.org.br/mestrado/

O site Scientific Report publicou hoje, 17/04, um artigo com a participação de Clinton Jenkins, professor visitante da ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, sobre uma crise de extração ilegal de madeira que ocorre atualmente na Amazônia Peruana. http://dx.doi.org/10.1038/srep04719

Jenkins e um grupo de pesquisadores descobriram que 68% das concessões oficialmente inspecionadas pelo governo peruano estão canceladas ou sob investigação por graves violações dos regulamentos florestais. Além disso, a natureza das violações indica que as licenças associadas com concessões legais são utilizadas para coleta e transporte de árvores em áreas não autorizadas na Amazônia peruana.

A Amazônia peruana é uma arena global importante quando se trata de promover a exploração madeireira sustentável. Apesar dos esforços para alcançar a sustentabilidade, incluindo uma Lei Florestal moderna e um importante anexo Florestal no Acordo EUA-Peru de Promoção Comercial, a extração ilegal de madeira continua a assolar a região. Estes instrumentos reformaram o sistema legal de registro de concessão - o que permite que o governo peruano conceda contratos de longo prazo para os direitos de exploração em áreas específicas de terra pública. Atualmente, há 609 concessões madeireiras na Amazônia peruana.

Os resultados derivam da análise de nove anos de informações oficiais do OSINFOR, o órgão de fiscalização no Peru, que realiza inspeções pós-registro. Na maioria das concessões inspecionadas, OSINFOR documentou: a extração de madeira fora dos limites de concessão, extração ou transporte de madeira ilegal, não-conformidade com os planos de gestão e apresentação de informações falsas ou incompletas.

Muitas das violações referem-se à extração ilegal de espécies ameaçadas de cedro que estão listados no âmbito da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES), que visa garantir que o comércio internacional de espécies não ameace a sua sobrevivência.
Através da análise dos relatórios de concessões inspecionados, o estudo constatou que donos de concessão da exploração madeireira geralmente indicam a presença de madeira abundante, especialmente cedro, no seu plano de gestão e, em seguida, afirmam que a autorização ocorreu. No entanto, quando OSINFOR eventualmente inspeciona área de concessão, pode-se avaliar que as informações contidas no plano de gestão eram falsas, porque não existem tocos das árvores supostamente colhidas.

"Apesar de importantes reformas, grande parte da madeira que sai da Amazônia peruana é ainda provavelmente originada de fora das áreas de concessão autorizadas. Mais reformas e aplicação de regulamentos são, obviamente, ainda necessários", afirma Clinton Jenkins.
Confira o artigo completo, em inglês: http://dx.doi.org/10.1038/srep04719

Em 15 de abril é comemorado o Dia da Conservação do Solo. A data é uma homenagem ao nascimento de Hugh Hammond Bennett (15 de Abril de 1881 – 7 de Julho de 1960), considerado o pai da conservação dos solos nos Estados Unidos e o criador do Serviço de Conservação de Solos americano. No Brasil, celebra-se a data desde 1989, para fazer com que todos se lembrem da importância de mantermos saudável esse recurso natural que é fundamental para produção de alimentos, manutenção da floresta, produção da água, entre tantos outros serviços ecossistêmicos, que são oferecidos gratuitamente pela natureza. E também é um convite à reflexão sobre como temos tratado esse recurso tão importante.

As atividades humanas têm impactado crescentemente a conservação dos solos. Retirada de florestas e a utilização da terra para agricultura e pastagem são apenas algumas das ações que modificam a sua estrutura e todo o equilíbrio ambiental, e afetam não só animais e florestas como os próprios homens. O exemplo mais visível disso ultimamente tem sido a questão urgente da água. A escassez do recurso, seja aqui no Brasil e ou em outras partes do mundo, invariavelmente tem uma coisa em comum: o mau uso do solo, provocando seu desgaste e erosão, retirando dele a capacidade de renovação. Ao ficar exposto aos efeitos climáticos, sem cobertura vegetal e sem o manejo adequado, o solo não cumpre efetivamente com a sua função básica de “produzir” água: garantir a infiltração da água e recarregar o lençol freático, que alimenta as nascentes e os rios, que, por sua vez abastecem reservatórios.

Nesse ciclo, é importante ressaltar que as florestas também desempenham um essencial papel para a recarga hídrica dos sistemas de abastecimento, pois conferem uma infiltração mais lenta e limpa da água da chuva no solo. A ausência de cobertura florestal é extremamente prejudicial, principalmente em APPs – Áreas de Preservação Permanente pela inerente característica de estarem associadas aos recursos hídricos, já que funcionam como matas ciliares (que protegem o solo das margens de rios e nascentes, retendo mais água e impedindo o assoreamento dos rios). Assim, solo, floresta e água trabalham em conjunto, da mesma forma que influenciam clima, produção de alimentos e a manutenção da biodiversidade. Isso somente comprova o quanto a nossa vida está interligada à natureza e que tudo acontece de forma cíclica e conectada.

Mudança possível

Os desafios são grandes para conservar o solo, mas algumas mudanças são possíveis, principalmente se contarmos com a participação das pessoas. Já existem alternativas para que a terra seja utilizada para a produção sem causar um impacto tão forte no equilíbrio ambiental. Prova disso são alguns dos trabalhos desenvolvidos pelo IPÊ ao longo de seus anos de existência. Por exemplo, na Mata Atlântica, o Instituto trabalha junto aos pequenos produtores de gado, propondo um sistema de produção pecuária de menor impacto ambiental, através do pastoreio rotacionado. A prática favorece a dinâmica da pastagem de modo a beneficiar a infiltração de água no solo e a produção animal em si. Ou seja, com o gado utilizando partes do solo de cada vez, a terra “descansa”, renova seus nutrientes e pode realizar sua função de absorver e reter água. Desta forma, é possível que o produtor seja um “semeador de águas”, como o título do projeto sugere (“Semeando Água”). Também na Mata Atlântica, o reflorestamento se mostra outra alternativa bastante impactante para a retomada da qualidade do solo e da água.

Já na Amazônia, com os Sistemas Agroflorestais (SAFs), o IPÊ leva a pequenos agricultores informações sobre como produzir causando menos impacto: sem queimar o solo, sem utilizar agrotóxicos e com a ajuda da própria floresta. Os participantes dos projetos já estão utilizando técnicas de produção menos agressivas e ganhando qualidade nos seus produtos. Culturas agrícolas tradicionais, como a mandioca, são plantadas entre espécies da floresta, dando mais diversidade ao solo, enriquecendo a biodiversidade local, sem prejudicar os ganhos econômicos do agricultor.

Esses são apenas alguns exemplos do que é possível ser feito pelo solo, mas sabemos que existem muito mais ações que podem ser desenvolvidas, que passam por aprendizagens, mudanças de comportamentos e pela conscientização de que é preciso um olhar mais abrangente sobre a importância de conservarmos os recursos que a natureza oferece para suprir as nossas necessidades. Afinal, ao garantir a proteção e a riqueza dos solos, estamos garantindo a melhoria de todo um ecossistema, levando benefícios a todos os seres.

Texto originalmente publicado em Eco Rede Social: http://ecoredesocial.com.br/blog/2014/04/conservacao-do-solo/.

IPÊ é um dos parceiros do Prêmio, que já teve Claudio e Suzana Padua como vencedores

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Empreendedor Social, que em 2014 completa dez anos no Brasil, país recordista de inscrições nas últimas edições. O jornal Folha de S.Paulo conduz o processo de seleção em parceria com a Fundação Schwab, mentora do concurso e correalizadora do Fórum Econômico Mundial de Davos.

Claudio e Suzana Padua, vice-presidente e presidente do IPÊ, respectivamente, já foram vencedores da premiação em 2009. E este ano, o IPÊ é parceiro da iniciativa.

Reconhecido como o concurso mais importante da América Latina para ações que beneficiem pessoas em situação de risco social e/ou ambiental, tem como proposta fortalecer líderes com mais de 18 anos de idade, à frente de iniciativas inovadoras há pelo menos três anos.

Empreendedores de até 35 anos, que comandam projetos mais recentes — de um ano até três de atuação —, podem concorrer no Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro. Criado exclusivamente pela Folha em 2009, vale-se dos mesmos parâmetros internacionais para destacar propostas como a criação de um produto, serviço ou aplicação de tecnologia social que ainda precisem de visibilidade e capacitação para aumentar seu impacto.

Benefícios para aprimoramento

As inscrições vão até 27 de abril, e o processo seletivo dura até outubro. Estão na lista de benefícios: assessoria jurídica e de gestão e bolsas de estudo para cursos, congressos e seminários. Os finalistas com idade inferior a 40 anos e que atenderem aos critérios estabelecidos pela organização Jovens Líderes Globais do Fórum Econômico Mundial serão indicados para o Fórum dos Jovens Líderes Globais. Todos os que tiverem entre 20 e 30 anos e que atenderem aos critérios estabelecidos pela organização Global Shapers do Fórum Econômico Mundial serão indicados para receberem o título de Global Shapers.
No âmbito internacional, o vencedor do Empreendedor Social participará, com despesas pagas de transporte e hospedagem, do Fórum Econômico da América Latina de 2015. No Empreendedor de Futuro, o vencedor leva bolsas de estudos, consultorias e aceleração de comunicação com o jornalista Gilberto Dimenstein, do Catraca Livre, entre outras oportunidades.

Finalistas e vencedores terão seus perfis publicados em caderno especial que circula nacionalmente na Folha de S.Paulo e no site da Folha, receberão também um kit com relatório completo e extenso de avaliação (encaminhado para o júri), segundo os rigorosos critérios dos prêmios, além de fotos e vídeo jornalístico sobre seu trabalho, para uso livre de divulgação.

Os eleitos em ambas as premiações serão convidados a integrar a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, um seleto grupo de líderes sociais brasileiros altamente inovadores que interagem constantemente com apoio, fomento e divulgação da Folha de S.Paulo. Um dos finalistas de ambas as premiações também pode se sagrar eleito pelo voto online do público, na chamada “Escolha do Leitor”.

CALENDÁRIO 2014 DOS PRÊMIOS
- Até 27 de abril: regulamento e formulário de inscrição preenchido, somente pelo site folha.com.br/empreendedorsocial
- Até 13 de maio: selecionados para a segunda fase
- Até 9 de junho: envio de documentos da segunda fase
- Até 24 de junho: escolha dos selecionados
- 21 de julho: início das avaliações in loco
- Até 1º. de setembro: fim das avaliações
- Até 7 de outubro: envio de relatórios para o júri
- Outubro: publicação de reportagens com finalistas e júri; votação pelo público em geral para a categoria “Escolha do Leitor” no site dos prêmios
- Novembro: cerimônia de premiação; publicação do caderno especial Empreendedor Social na Folha de S.Paulo