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(foto: Virginia Chiaravalloti)


A teoria afirma que o estabelecimento de regras é fundamental para a sustentabilidade. No entanto, em um artigo publicado recentemente na revista Conservation Letters, pesquisadores do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e da Universidade de Cambridge questionam esse modelo, apontando que o acesso aberto limitado (Limited Open Access) pode estar presente em muitos sistemas socioecológicos, sendo a chave para a sustentabilidade. Os exemplos onde esses sistemas estariam presentes vão desde comunidades de pescadores no Pantanal até sociedades pastoreiras na Tanzânia, locais onde a disponibilidade de recursos é variável e gera instabilidade nas atividades. O artigo pode ser acessado aqui:https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/conl.12616

O resultado vem de uma longa pesquisa realizada na Borda Oeste do Pantanal, no Brasil. Ali vivem três comunidades tradicionais, cerca de 600 pessoas. A comunidade da Barra do São Lourenço, onde parte da nova teoria foi testada, está localizada no encontro entre os Rios Paraguai e São Lourenço. Os autores apontam que há indicativos de que as pessoas moram na região há mais de 150 anos, vivendo atualmente da pesca e da coleta de isca.

A característica principal da região é o pulso de inundação, que constantemente muda a natureza ao redor. Plantas e animais vão se movimentando no espaço tentando se adequar às mudanças no nível do rio.  Para os comunitários que sobrevivem da pesca, isso é um grande desafio. No intuito de melhorar a chance de encontrar os peixes, os pescadores compartilham abertamente informações sobre áreas de pesca com todos os membros da comunidade, mudando, semanalmente, onde irão pescar. Segundo a pesquisa, na região não existe regras e cada um pode pegar quantos peixes quiser. Esse modelo seria o chamado "Open Access" (acesso aberto). No entanto, os pesquisadores apontam, que ao mesmo tempo, os comunitários são altamente territoriais com as comunidades vizinhas. Por isso eles chamaram esse modelo de "acesso aberto limitado".

"Não ter restrições entre os moradores da mesma comunidade é visto como um forte sinal de insustentabilidade, seria impossível controlar o quanto cada um poderia pegar – e sempre as pessoas tentariam maximizar a quantidade de peixes. No entanto, nesse caso, vimos que o que traz sustentabilidade para o sistema é a própria falta de controle entre os comunitários, mas com certos limites. Usando um modelo matemático, a pesquisa sugere que tal sistema é favorecido sob condições de competição moderada e altos níveis de imprevisibilidade de recursos", afirma Rafael Morais Chiaravalloti, do IPÊ.

Segundo o pesquisador, não levar em conta as normas sociais que sustentam sistemas de acesso aberto limitados pode minar as intervenções de conservação. Para lidar com a alta imprevisibilidade dos recursos, comunitários compartilham quaisquer informações sobre as áreas de uso e vão pescar juntos, gerando um ambiente altamente cooperativo. Para que isso aconteça, as áreas de uso (lagos de pesca) devem estar sempre abertas. "Isso vai contra muito das ações de conservação da natureza, que predizem que para que um ambiente seja sustentável é preciso que as áreas de uso sejam claramente dividas sem que haja muita movimentação. O sistema que estudamos funciona como uma loteria em que cada um acrescenta um número - que seria alguma informação onde está o peixe. Juntos, eles montam uma aposta certeira e dividem o prêmio, o peixe", comenta Rafael.

Junto com Mark Dyble, da Universidade de Cambridge, o pesquisador brasileiro defende no artigo que o “Open Access”, diferente do que se conhecia até hoje, não é um modelo tão prejudicial que possa levar ao colapso dos recursos naturais, se realizado de maneira limitada. "Há um número ótimo de pessoas para compartilhar os recursos, e isso vai depender da dinâmica do ambiente. Por exemplo, no Pantanal, onde parte dos estudos foram feitos, eles predizem que isso seria cerca de 40-60 pessoas. Mais que isso, o uso pode trazer severos impactos no ambiente. Assim, acreditamos no potencial do que chamamos de Limited Open Access (Acesso Aberto Limitado)”, complementa ele.

Os pesquisadores defendem também a criação de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável na região estudada na pesquisa para que esse sistema altamente cooperativo de utilização de recursos seja preservado.

 

 

Entre os dias 27 e 28 de novembro, em Manaus, IPÊ e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM), realizaram a 3ª Oficina para construção do Protocolo de Monitoramento do Pirarucu em Unidades de Conservação (UCs).

O objetivo foi finalizar a elaboração do formulário de monitoramento que será utilizado na coleta de informações bioecológicas e socioambientais da espécie nas áreas de manejo.

No projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, as comunidades são o principal agente de transformação das áreas protegidas na Amazônia. Por meio da troca de conhecimento com pesquisadores, gestores e instituições, comunitários se transformam em monitores da biodiversidade local, contribuindo efetivamente para a sua conservação. Para isso, além de formações, participam da criação dos protocolos de manejo.

Além de IPÊ e CEPAM/ICMBio, participaram dessa 3ª Oficina a Fundação Vitória Amazônica (FVA), Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Amazonas (SEMA/DEMUC), Operação Amazônia Nativa (OPAN), Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), Associação dos Trabalhadores Rurais de Juruá (ASTRUJ), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Acordo de Pesca da ilha da Paciência, Associação do Moradores do Rio Unini (AMORU), Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Consultores Independentes, representantes das RESEX Médio Juruá, Baixo Juruá, Auati-Paraná, Rio Unini e das RDS de Mamirauá e Uacari.

A atividade faz parte do Subprograma Aquático-Continental do Programa Monitora do ICMBio, que conta com a parceria do IPÊ e apoio de Gordon and Betty Moore Foundation, USAID e Programa ARPA.

 

Em parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), o IPÊ realiza no próximo dia 30 a Oficina do Saber -Construção Coletiva de Aprendizados e Conhecimentos do Parque Nacional (Parna) Montanhas do Tumucumaque.

O evento vai apresentar os resultados preliminares do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade realizado no Parque Nacional de 2014 a 2017. A Unidade de Conservação (UC) foi uma das primeiras a participar da iniciativa que faz parte do Programa Monitora, que acontece em UCs da Amazônia.

Após três cursos formativos para cerca de 73 pessoas, hoje a área conta com 12 monitores, espalhados em três trilhas para avaliar a biodiversidade a partir de estudos da fauna e da floresta. As atividades de monitoramento de biodiversidade e de floresta na unidade são orientadas seguindo protocolo florestal básico, avaliado regularmente por monitores comunitários e gestores do ICMBio que atuam no parque.

A Oficina acontece no Ginásio Poliesportivo da Escola Estadual Hermelino Hebster Gusmão, no município de Serra do Navio (AP).

Conheça mais sobre o Parna Montanhas do Tumucumaque e como o projeto tem apoiado a gestão da UC.

O projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade acontece com apoio de Gordon and Betty Moore Foundation, USAID e Programa ARPA.

Verificar indicadores de fortalecimento da gestão das Unidades de Conservação (UCs) e estimular a integração e o estabelecimento de parcerias no território. Esses são alguns dos objetivos da Expedição Circuito MOSUC (Projeto Motivação e Sucesso na Gestão de Unidades de Conservação) que em novembro aconteceu junto ao Núcleo de Gestão Integrada Amapá Central, composto pelo Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e Floresta Nacional do Amapá.
O circuito começou em agosto deste ano e já passou por Roraima, Amazonas e Amapá. Desde então, o IPÊ visita as UCs e os parceiros locais no apoio a gestão dessas. Antes de ir a campo, foi estabelecida uma metodologia de observação com um roteiro padronizado, tendo em vista que a iniciativa se repetirá nos territórios de atuação do projeto que, ao todo, envolvem 12 instituições parceiras, 30 Unidades de Conservação e 54 colaboradores locais envolvidos no apoio à gestão. A expedição

Veja abaixo por onde a Expedição já passou e acompanhe pelo Facebook essa expedição que acontece até o primeiro trimestre de 2019:

Associação de Catadores e Catadoras de Caracaraí - CATA TUDO
Conselho Indígena de Roraima - CIR
Fundação Almerinda Malaquias - FAM
Instituto Mapinguari
Estação Ecológica Maracá
Parque Nacional do Viruá
Parque Nacional de Anavilhanas
Floresta Nacional do Amapá