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A Floresta Nacional (FLONA) do Jamari fica em Rondônia e seus 220 mil hectares protegem a fauna e a flora de uma área especial da Amazônia. Ali, em uma ação pioneira no Brasil, foram concedidos 96 mil hectares à exploração manejada de madeira. Por meio de um edital, , as empresas AMATA e MADEFLONA receberam a concessão dessa exploração madeireira, de forma sustentável. O restante da Flona é dividido em áreas de concessão para mineração, áreas de conservação, onde não há uso direto, e ainda permite a permanência de uma família de moradores tradicionais.

Mesmo que a exploração madeireira seja feita de maneira adequada e controlada, é necessário compreender os impactos dessa atividade para a vida da fauna nessa Unidade de Conservação. Para isso, o IPÊ desenvolve junto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a comunidade e os parceiros locais, o projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade. O trabalho acontece há mais de cinco anos, promovendo a troca de conhecimentos entre técnicos e comunidades e o desenvolvimento de atividades de formação e capacitação de monitores da floresta. Contando com o apoio de parcerias locais: Ação Ecológica Guaporé – ECOPORÉ, Centro de Estudos Rioterra, Universidade Federal de Rondônia – UNIR, Instituto Federal de Rondônia – IFRO, Madeflona, Amata, Metalmig, Estanho de Rondônia – ERSA (CSN) e BRASCAN.

Com cursos e workshops sobre aplicação dos protocolos de monitoramento, cerca de 100 pessoas já foram capacitadas como monitores para a coleta de dados sobre biodiversidade, que inclui, acompanhar mamíferos e aves cinegéticas (que correm risco de caça), borboletas frugívoras e plantas lenhosas.

No protocolo da Flona Jamari, por exemplo, uma das estratégias para monitoramento é o uso de armadilhas fotográficas (cameras trap). A partir das imagens geradas pelas câmeras é possível coletar dados que ajudam a identificar os efeitos da exploração madeireira sustentável no grupo dos mamíferos de médio e grande porte e das aves cinegéticas.

Neste video, é possível conhecer mais de perto esse trabalho, que conta com apoio de Gordon and Betty Moore Foundation, USAID e Programa ARPA.

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou apoio financeiro de R$ 45 milhões do Fundo Amazônia para a realização do projeto LIRA - Legado Integrado da Região Amazônica, uma iniciativa idealizada pelo IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e parceiros institucionais, que são a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Chico Mendes e Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas (SEMA) e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – Ideflor-Bio. Com a aprovação, o IPÊ planeja lançar no início de fevereiro a chamada pública de projetos, que possam promover o fortalecimento e a consolidação da gestão de 83 áreas protegidas da Amazônia Legal, ou que desenvolvam alternativas sustentáveis de produção para as populações desses territórios.

Os recursos do BNDES serão destinados à gestão da iniciativa e à chamada pública, seu eixo central, que selecionará até 12 projetos em uma área com cerca de 80 milhões de hectares e que compreende 41 Terras Indígenas, 20 Unidades de Conservação Federais e 22 Unidades de Conservação Estaduais.

 Essa área agrupa seis blocos regionais (Xingu, Calha Norte, Alto Rio Negro, Baixo Rio Negro, Madeira e Rondônia/Purus), sendo possível a seleção de até dois projetos por bloco, que receberá entre R$ 1,5 milhão e R$ 6 milhões para implementar ações que ajudem a consolidar suas áreas protegidas.

Para execução de suas ações, o LIRA também contará com apoio de R$16,35 milhões da Fundação Gordon e Betty Moore.

Os projetos que serão apoiados pelo LIRA deverão contemplar as seguintes linhas de ação: (i) planos de gestão territorial e ambiental (PGTA) ou de manejo; (ii) mecanismos de governança; (iii) uso sustentado dos recursos naturais; (iv) sistemas de monitoramento e proteção; (v) integração com desenvolvimento regional; e (vi) sustentabilidade financeira.

A chamada pública prevê que as instituições proponentes (associações civis, fundações de direito privado, cooperativas, entre outras) coordenem projetos com outras entidades que de forma integrada contribuam para o objetivo da iniciativa.

Ações complementares – O projeto LIRA também prevê apoio de até R$ 6 milhões (até R$ 150 mil para cada ação) para ações complementares aos projetos selecionados na chamada pública que promovam a participação social na gestão do território. Com isso, espera-se ampliar a geração de emprego, melhorar a qualidade de vida da população local e promover o desenvolvimento territorial aliado à conservação do meio ambiente.

A iniciativa contará ainda com ações de capacitação (cursos, visitas técnicas e intercâmbios), de integração e difusão de conhecimento e a elaboração de um “Plano de Promoção Socioambiental” (PPS) para cada um dos seis blocos. Esses planos irão identificar as principais oportunidades e gargalos para inserção econômica das populações locais na economia regional. Por fim, serão apoiadas adaptações de soluções tecnológicas existentes para uso em ações de monitoramento de biodiversidade e de proteção territorial.

Fundo Amazônia – Gerido pelo BNDES, em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente, o Fundo Amazônia é considerado o principal mecanismo internacional de pagamentos por resultados de REDD+ (redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal).

Em junho deste ano, o Fundo completou 10 anos. Em outubro, atingiu a marca de R$ 1 bilhão em desembolsos, em mais de uma centena de projetos com órgãos públicos estaduais e federais, universidades, corpos de bombeiros florestais militares, e instituições da sociedade civil, contribuindo para a melhoria de vida da população da Amazônia e para conservação ambiental.

 

O Programa Monitora, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do qual o IPÊ participa com o projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia, realizou esta semana a primeira edição da jornada de seminários de Construção Coletiva de Aprendizados e Conhecimentos (CCAC), em Brasília.

O evento contou com a participação de cerca de 70 pessoas e, ao longo dos dias, discutiu este programa que acontece em vários biomas, assim como outras iniciativas de monitoramento participativo, traçando diretrizes e trocando aprendizados entre os participantes.

Na Amazônia, com o apoio do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, conduzido pelo IPÊ desde 2013, foram alcançadas cerca de 2 mil pessoas, com capacitações, implementações de protocolos existentes ou complementares, formações e oficinas de trabalho. Comunidades de 17 Unidades de Conservação (UCs) hoje realizam um trabalho de monitoramento da biodiversidade em uma área que representa quase 12 milhões de hectares.


Palestras, painéis, mesas redondas dialogadas e apresentações temáticas ligadas ao monitoramento da biodiversidade, compuseram os dias de evento, com o propósito de aproximar as experiências nas mais de 90 UCs que realizam o monitoramento participativo em todo o Brasil.

"O seminário foi de grande importância para todos os envolvidos. Houve uma troca de conhecimentos muito rica e fundamental para a continuidade daquilo que vem sendo construído ao longo desses anos de projeto. A internalização da importância das práticas de monitoramento pela comunidade, a parceria das pessoas com os gestores, o papel do IPÊ como motivador dessa rede, tudo faz parte de um movimento contínuo que precisa continuar para termos resultados duradouros", afirma Cristina Tófoli, coordenadora do projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade, do IPÊ.

O monitoramento participativo se ancora em diversas teorias e práticas da Etnobiologia, que é o ramo da biologia que realiza uma ponte entre o conhecimento acadêmico e as culturas visando a aplicação científica dos saberes cultivados por populações tradicionais. “Todos nós aprendemos e geramos conhecimento. Quem vive nos lugares, quem pesca, quem caça, quem coleta também têm o seu conhecimento com sistematização e forma de transmissão diferentes. Buscamos a arte de unir esses conhecimentos e entendendo que todos são válidos”, diz a Coordenadora Geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade (CGPEQ/DIBIO), Kátia Torres. “Precisamos de fóruns, linguagem adequadas e a conexão para consolidar esses conhecimentos e que eles tragam resultados para a gestão”, complementa.

Após a reunião, foi construído um documento com recomendações para as iniciativas de monitoramento participativo da sociobiodiversidade e recursos naturais e sobre construção coletiva de conhecimentos, a ser elaborado a partir dos debates deste e de um segundo seminário que vai ocorrer no próximo ano.

O projeto do IPÊ, Monitoramento Participativo da Biodiversidade, acontece em parceria com o ICMBio, com financiamento de Gordon and Betty Moore Foundation, USAID e Programa ARPA.

(com informações do ICMBio)